A imagem de Portugal


jmmcc,

Algumas câmaras municipais já começaram a dizer que vão poupar nas habituais iluminações de Natal, como Arganil, Mealhada, Tondela, Guarda e Figueira da Foz. Porém, em Góis, a autarquia anunciou que «as pessoas já estão tão deprimidas que, se formos cortar as iluminações de Natal, que ainda dão alguma auto-estima, estamos a contribuir para esta depressão geral», pelo que o corte será feito na iluminação pública normal. E não só: «Tínhamos essa intenção de trocar o carro [da presidência da câmara], mas não o vamos fazer.»

Acho isto um espanto, o presidente de uma autarquia alimentar a intenção de mandar que lhe troquem o carro e divulgar que acabou por desistir dela. O que devia ser hoje uma norma naturalíssima é uma coisa tão extraordinária que vira notícia. A imagem do Portugal que temos está mais parecida com uma caricatura do que com um retrato.

14 comentários em “A imagem de Portugal”

  1. Umas poupam na iluminação de Natal, outras têm as luzes das ruas acesas durante o dia e desligadas antes de amanhecer. Tanto faz reclamar com a EDP, como não. As Câmaras pagam com o nosso dinheiro e o assunto fica resolvido.

          1. Ah! Acho que está tão escuro lá fora (visto da minha janela) que me agarro especialmente à parte meia cheia do copo e nem dou pelas ironias 🙂

            Mais precisamente, acho bem que as pessoas puxem pela cabeça para atrair clientes (os quais, bem entendido, têm de puxar pela cabeça para arranjar prendas de Natal baratinhas…) em vez de estarem à espera da mama das autarquias ou o que quer que seja.

            Só isso! 😉

          2. De acordo. Sem esquecer que não é por acaso que as iluminações das zonas urbanas comerciais costumam ser acordadas (e pagas) entre comerciantes e autarquias: ambas as partes estão interessadas no embelezamento urbano.

            Mas não é isso que importa, em tempo de austeridade. Interessou-me imenso saber que há um autarca no país que queria outro carro oficial e que veio dizer que desistiu da ideia. Fiquei felicíssimo com a notícia. Mas gostava mais que isso não fosse notícia no meu país.

  2. Qualquer reforma em Portugal terá de passar pela reorganização do mapa administrativo de alto a baixo. Esta é a mais urgente. A segunda é a reforma da lei das rendas, constantemente anunciada e constantemente adiada.

    1. Tens toda a razão. A reforma administrativa é urgentíssima e vai ser uma ‘guerra’, mas devia estar a andar há muito.
      Também a anunciada e adiada lei das rendas há-de ser difícil, mas inevitável. Com legislação adequada.

  3. Se há mundo que passei a conhecer bem, por circunstâncias várias, é o das autarquias. Pelo meio de pequenos feitos grandiosos (que nunca são conhecidos), a nota geral é a de um amontoado de cabeças kitsch, cuja emergência se justificava há 20 ou 30 anos, mas já devia ter sucumbido à regra da selecção natural… E portanto, ou não há massa crítica para Darwin actuar, ou o povo gosta mesmo dos kitsch-men..
    Só que nisto os autarcas não estão sozinhos.
    Isto é, quanto mais observo mais dou razão a Torga:
    « O global é o local, menos os muros »….

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