
Leio e comento o Delito de Opinião há quase dez anos, embora, nos últimos tempos, as visitas se tenham tornado mais raras. Como tantos de nós (mea culpa) sucumbi à mais conhecida rede social (sim, o Facebook) e as minhas rondas pelos blogues diminuíram. Não obstante, foi com imensa alegria que recebi o convite do Pedro Correia para me tornar autora regular de um dos mais famosos e lidos blogues portugueses, uma demonstração de confiança que muito me honra.
Feita esta introdução, vamos ao assunto que aqui me trouxe: o abuso sexual de menores dentro da Igreja Católica.
Vivo na Alemanha e sou assinante de um jornal católico semanal, o KirchenZeitung, ou KiZ, na sua abreviatura oficial, pertencente ao bispado de Hildesheim. Nos últimos tempos, traz um ou mais artigos sobre este tema em quase todas as suas edições. Há quem ache que é demais e apele a que se deixe o assunto em paz. Já se admitiu que o problema existe. Não chega? Até porque, felizmente, os clérigos abusadores não são a maioria.
Surdo a tais apelos, o KiZ insiste no assunto. E eu aplaudo. Porque é disso mesmo que os prevaricadores estão à espera: que, depois de se fazer uma balbúrdia à volta do assunto, o caso adormeça e eles possam voltar a maltratar as suas vítimas na paz do Senhor. Como sempre foi, durante séculos e séculos. Uma teia impenetrável de prevaricadores e coniventes, que abafam os crimes, que nunca castigam os criminosos, levando a Igreja de Cristo a esta situação incomportável: protecção dos criminosos, em vez de protecção das vítimas! Dizia, há tempos, uma colaboradora desse jornal: é inadmissível que um padre que o deixe de ser, a fim de se casar, seja tratado de forma mais dura pela sua Igreja, do que aqueles que abusam sexualmente de crianças!
Tenho lido relatos incríveis de antigas vítimas. Também há mulheres, mas a maioria parece ser homens. Em todo o caso, trata-se de pessoas que, só aparentemente, levam uma vida normal, pois não se livram de depressões, insónias, ataques de pânico e tentativas de suicídio durante toda a sua vida. Pessoas com asco de si próprias. Pessoas que tornam a recordar coisas que julgavam esquecidas, por exemplo, quando têm filhos, levando-as a cair novamente num poço escuro e frio, chegando a ficar com medo de tocar nas crianças (as suas crianças) de forma imprópria.
É duro ouvir um homem de sessenta anos dizer que se martirizou com pensamentos de pecado, ao lembrar-se de como regozijou ao saber que o padre, que abusara dele durante dois anos, ia ser transferido para outra paróquia. Na festa de despedida, toda a gente estava triste, por aquele padre tão simpático se ir embora. E ele, um miúdo de 11 ou 12 anos, estava feliz. E censurou-se por isso! É duro ler como bispos regiam autênticas redes de troca de menores. É duro ler como um padre, ganhando a confiança de uma família, a ponto de fazerem férias juntos, abusasse do miúdo, que dormia com ele, enquanto os pais dormiam no quarto ao lado, pensando que o filho não poderia estar entregue em melhores mãos.
Este último caso ilustra como a Igreja tem responsabilidades acrescidas. O Papa Francisco desiludiu no seu discurso de encerramento do encontro extraordinário de bispos em Roma, a fim de debater o assunto, há cerca de dois meses, ao relembrar que abusos sexuais a menores acontecem em todos os lugares onde adultos estão em contacto com crianças e jovens, como clubes desportivos, colónias de férias, lares, etc. Esta relativização caiu mal a muita gente, pois não se pode comparar o prestígio de um clérigo, representante de Deus na Terra, com o de um treinador de ginástica. Além disso, aconteça onde acontecer este crime, não pode ser nunca menorizado ou relativizado. Muitos se perguntam o que levou um Papa, normalmente tão acutilante e corajoso, ficar-se por discurso tão modesto. Por isso, escolhi a fotografia acima para ilustrar este post (igualmente copiada do KiZ): o Papa mostra-se abatido e encolhido, como se o peso que carrega nos ombros se tenha tornado demais para ele.
Numa altura de falta de padres e de igrejas quase vazias, escândalos deste tipo minam a confiança na instituição milenar. Não há dúvida de que a Igreja vive uma grande crise e só resolverá o problema com uma grande reforma. Alguns bispos alemães dão os primeiros passos, apesar de sofrerem a contestação de muitos dos seus pares. O novo bispo de Hildesheim, por exemplo, afirmou, numa entrevista, que a ganância do poder está inscrita no DNA da Igreja. Foi naturalmente muito contestado. Mas também apoiado. Porque ele pôs o dedo na ferida. Os abusos impunes de menores só se tornaram possíveis, porque a Igreja se transformou num clube de homens que se protegem uns aos outros, a fim de manterem o seu poder.
O bispo Heiner Wilmer não se deixa intimidar e constituiu uma comissão que deverá investigar os casos de abuso sexual no seu bispado entre os anos 1957 e 1982, o tempo de regência de um bispo muito querido e conceituado, mas que se desconfia que fazia parte de uma rede de troca de rapazinhos, algo que caiu como uma bomba entre os católicos alemães que se lembram dele, até agora, com muita saudade. Os elementos da comissão investigadora não são clérigos, nem estão particularmente relacionados com a Igreja, a fim de garantir a sua independência. E o bispo Heiner Wilmer prometeu pôr todos os arquivos à disposição dos investigadores. Este é um dos problemas, quando se trata de investigar: a retenção de informação por parte da Igreja.
Quatro pessoas fazem parte da comissão: dois psicólogos, que se encarregarão de entrevistar possíveis vítimas e outras testemunhas; um procurador-geral reformado que, durante quinze anos, presidiu a uma comissão que investigou crimes nazis em Ludwigsburg, e a antiga Ministra da Justiça da Baixa Saxónia (um Land alemão) que presidirá à comissão (informações tiradas do Kiz nº 14, de 07 de Abril passado).
O facto de estar uma mulher à frente desta comissão não é por acaso. O bispo Heiner Wilmer é de opinião de que a Igreja Católica só tem a ganhar envolvendo mulheres nos seus assuntos. Mais: ele considera ser essencial a participação de mulheres na reforma que se exige, não excluindo a sua ordenação.
Foi com agrado que, apesar das críticas que lhe são feitas, constatei haver colegas seus a seguir-lhe o exemplo. No último KiZ (nº 15, de 14 de Abril), li que o bispo de Osnabrück, Franz-Joseph Bode, considera a discussão do papel da mulher na Igreja como urgente, central e inevitável. Na sua opinião, a Igreja Católica está a desmoronar e só pode recuperar a confiança, quando mulheres e homens trabalharem em conjunto. Li igualmente com muito agrado que o bispo de Limburg, Georg Bätzing, pretende igualmente constituir uma comissão, a fim de investigar os abusos sexuais no seu bispado nos últimos setenta anos. A comissão será constituída por duas pessoas não ligadas à Igreja e terão de ser um homem e uma mulher.
Não se trata, aqui, de quotas ou de calar críticas. Trata-se, acima de tudo, de enquadrar mulheres nos meandros da Igreja, quebrando o monopólio dos homens que se apoiam e protegem mutuamente. Desejo muito que isso aconteça. Não porque as mulheres sejam, em geral, melhores do que os homens, mas porque a sua presença quebrará a irmandade masculina. Além disso, a sua opinião deve ser ouvida. Os homens são apenas metade da Humanidade. Nos dias de hoje, não há razão para que sejam apenas eles a decidirem sobre assuntos que digam respeito a toda a Humanidade. Na verdade, impressiona-me que tal procedimento tenha vigorado durante milénios!
Sigo tudo isto com grande interesse, não para atacar a Igreja Católica, mas numa grande esperança de que ela se consiga renovar. A Igreja enfrenta um dos maiores desafios da sua História e urge redefinir o seu papel. Para que serve, hoje em dia? Apenas para baptizados, comunhões, casamentos e funerais? Não podemos esquecer as suas tão necessárias missões caritativas espalhadas pelo mundo. E a Igreja Católica alemã tem-se concentrado noutras causas: o apoio aos refugiados (nos últimos anos, entraram cerca de dois milhões, neste país) e a ecologia. Sim, a preservação do ambiente, aliada à causa animal, tem-se tornado, cada vez mais, uma causa da Igreja. A razão? Proteger a Criação Divina.
Seria bom que a Igreja portuguesa lhe seguisse o exemplo, fomentando o debate sobre temas polémicos e se deixasse de dogmas ultrapassados, a fim de se dedicar a causas realmente importantes.

Bem-vinda ao DELITO, Cristina.
Que seja o primeiro de muitos textos no nosso blogue.
Muito obrigada, Pedro.
Bom post. Boa aquisição para o Delito.
Muito obrigada.
Ludwigsburg com g.
Noto no post que muitas cidades alemãs de importância, eu diria, terciária (Osnabrueck, Ludwigsburg, Hildesheim) são sedes de bispados, facto que desconhecia.
Luís?
Obrigada pela chamada de atenção. Vou já corrigir a gralha.
Quanto às cidades sedes de bispados, tem a ver com a sua importância na Idade Média. Coisas antigas que não se modificaram. Freiburg, também uma cidade pequena, até tem arcebispo. Mas também cidades grandes têm arcebispos, como Colónia (desde a Idade Média) e Berlim.
De notar que só metade da população alemã é católica, a outra metade é luterana. Os luteranos têm outra divisão de bispados.
Um grande reforço para o Delito. Grande entrada, Cristina!
“Como se o peso que carrega nos ombros se tenha tornado demais para ele” – uma frase que vale todo um texto.
Muito obrigada, Eduardo.
Bem-vinda a esta casa, Cristina. Boas escritas.
Muito obrigada, Diogo.
Pelo que diz, a igreja alemã está muito mais actualizada que a portuguesa. E é bom saber que há quem lute pela instituição. E concordo, se o abuso sexual sobre crianças é crime para qualquer homem, é-o mais para um membro da igreja cuja obrigação, e vocação se existe, é proteger quem mais precisa; que à sombra da protecção se pratiquem crimes desse género, é mau. Não penso que se deva varrer para debaixo do tapete o lixo da igreja, não os desculpo, devem ser julgados. Mas admito que os erros são próprios do homem e que cada homem, só por pertencer à espécie tem direito à sua dignidade, mesmo se é ele o primeiro a desrespeitá-la.
Bea, penso que a Igreja Católica alemã é bastante influenciada pela Igreja Evangélica Luterana. Metade da população é luterana. Os luteranos não são obrigados ao celibato e há muito que autorizaram a ordenação de mulheres. Há até casais em que os dois são “pastores”. E há mulheres bispas, uma palavra que o corrector online (e do Word) assinala como erro, por não existir na nossa língua.
As duas Igrejas dão-se bem por aqui. Organizam-se muitas missas ecuménicas. E há muitos cemitérios ecuménicos, cuja capela tanto pode ser usada por um padre católico, como por um pastor protestante.
As duas Igrejas dão-se bem por aqui.
Eu fiquei surpreendido, quando cheguei ao centro de Dortmund, por ver duas igrejas praticamente juntas (a Reinoldi e a Petri) e depois vir a saber que uma é católica e a outra protestante. Mas estão ali juntinhas em boa paz.
Em Portugal, por motivos evidentes, nunca há duas igrejas a poucos metros uma da outra.
Eu nem sequer entendo para que existem várias religiões cuja figura central é Cristo. Os homens são mesmo miudinhos.
Ainda bem que na Alemanha as duas igrejas não estão de costas viradas.
Depois que me fui apercebendo das incoerencias da Igreja Cato’lica nao hesitei em deixar em definitivo a pra’tica duma religiao que herdara a partir do berco… Nada, ou quase nada mudou!… Nao posso aceitar, ver as mulheres arrumadas das decisoes e colocadas num plano inferior ao dos homens!… Que e’ isto?!… E porque nao e’ permitido aos padres casarem e terem filhos?!… Claro, que nao iria resolver as graves questoes do asse’dio sexual do clerigo para com os menores, mas ajudaria muito!… E haveria mais para comentar, mas… por aqui me fico!
A Notre Dame em chamas: essa é que é a imagem.
Acabei de tomar conhecimento. Horrível.
O Delito fez uma boa “contratação”. Escreve excelentemente, possui ideias muito equilibradas e concretas acerca dos assuntos e – muito importante – não se move a soldo.
Os céticos das profecias de Nostradamo, começarão a ter motivos para lhes dar mais crédito. Nesta matéria «Igreja Católica», tudo aponta para o anunciado “final dos tempos”. Nunca ninguém supos que a causa estivesse numa tão baixa e perversa atuação dos órgãos máximos daquela instituição.
Muito obrigada pela parte que me toca.
Nortre Dame não tem culpa nenhuma.
É arte e história.
Criação do espírito humano.
Quanto às hierarquias de todas as igrejas, não passam de máfias monstruosas.
João de Brito
Esta foi uma entrada à Sporting. Também quero driblar e passar a bola.
A causa principal da Igreja é a causa de Jesus. A ICAR até pode andar pelas ecologias, se a matéria principal for a ecologia do Ser.
Para melhor me fazer entender: Se quisermos falar em revolução compreenderemos que a revolução por Jesus propugnada era e é aquela que se gera no interior do Homem. É uma revolução contra a ira, a ganância o egoísmo, a luxuria, os preconceitos e, em suma, a crueldade. Uma transformação do amor próprio em fraternidade e amor por todos. O Homem renascido mudaria tudo; e o mundo continuaria a ser o mesmo.
Compreender esta mudança centrará o nosso olhar em duas matérias essenciais: o Reino dos Céus e o Reino de Deus.
Ao Homem transformado é-lhe oferecida a oportunidade de viver e experienciar essa alegria e liberdade que o leva a romper com os padrões enunciados (Reino dos Céus); e, simultaneamente, prepara o Homem para essa dádiva que é o Reino de Deus, pois o Seu Reino não é deste mundo.
A metáfora em torno das duas faces da moeda, “Dai a César o que é César e a Deus o que é de Deus”, entre outros significados, revela-nos que Jesus não propõe e não tem como missão um golpe de mão e fazer cair regimes, mas fazer cair as trevas, isto é, a ignorância, que impedem o Homem de realizar em si mesmo o encontro com essa dimensão que o mundo abafa.
É isto que se exige à Igreja, é isto que a Igreja tem de saber fazer, em nome de Jesus e sempre em Jesus, a face visível do invisível. Portanto, é compreender que a Igreja são pedras vivas e que essas pedras são também aqueles leigos e “pequeninos” que tudo devem fazer não só para a renovar mas também para a salvar. Esta missão é dos cristãos, e em particular dos cristãos católicos. Quando a Igreja vacila tem de haver alguém com coragem para lhe lavar os pés e servi-la, sempre em nome de Jesus e por Jesus.
«A revolução por Jesus propugnada era e é aquela que se gera no interior do Homem» – concordo inteiramente. A modificação deve começar em nós próprios, no nosso interior. Infelizmente, a maioria das pessoas continua a pensar que quem tem de mudar são os outros.
A Igreja devia saber transmitir essa mensagem, sim.
Obrigado pelo texto, Cristina.
De nada, Pedro.
E eu também agradeço, porque é bom saber que valeu a pena.
Viva a Igreja ONG…
Não vai a lado nenhum claro, as ONG de raiz serão sempre muito melhores.
“Sim, a preservação do ambiente, aliada à causa animal, tem-se tornado, cada vez mais, uma causa da Igreja. A razão? Proteger a Criação Divina.”
Incluí vírus, bactérias maus para o homem mas bons para outras espécies?
Terá de fazer a hierarquia da “criação divina”…quiçá um tribunal agora com espécies no Index em vez de livros…ratazanas Vs gatinhos?
Parece-me muito antropocêntrico…o que como sabemos é mau ou bom conforme o caso seja conveniente ou não a quem quer definir a Overton Window…
lucklucky
Inclui sobretudo proteger o Homem de Homens que desonram a Criação divina. O aperfeiçoamento, a bondade seria impossiveis sem a adversidade,a maldade. Sem o lado negro da força não haveria a liberdade de escolhermos qualquer caminho. Não haveria connsciência. E esta é a nossa maior dá
Luck a maldade é também uma criação divina. Inclui até proteger o Homem, feito à semelhança de Deus, do Homem. E onde fica essa semelhança? Na Razão, no Logos, que permite ao Homem ser também um Criador de Mundos. Sem maldade, sem sofrimento não seriamos conscientes de escolher o nosso caminho. É a noite que dá valor ao dia. É a maldade que dá valor à vida e ao Bem. Mas o caminho é-nos dados pela liberdade da razão. Somos nós que o fazemos e como deus por vezes enganamo-nos (o Dilúvio e as Novas Alianças feitas por deus são um sinal que deus também joga aos dados )
Somos a única espécie animal capaz de tornar a protecção ambiental uma causa humanitária. Aliás sendo os humanos a única espécie capaz de pensar o pensamento abstracto é normal que toda a ideologia no planeta Terra seja antropocêntrica. Não conheço virús que sejam maus para o Homem e bons para as outras espécies. Regra geral os virús passam a barreira interespécies. Regra geral os virús são “bons” apenas para eles, tendo como único objectivo a sua propagação.
Não protegermos a “nossa” vida, é o maior dos pecados. E é por isso que a preocupação ambiental é virtuosa. A Vida é sagrada, mas não é sagrado o uso que escolhemos fazer dela. Se assim fosse o crime não teria definição. Viveriamos num niilismo abjecto. A vida duma barata seria tão digna como a de uma criança. Tempos houve em que esse pensamento vingou, o de equiparar a vida humana ao de um bicho rastejante. Chama-se a isso desumanização, conducente às maiores barbaridades ( Tutsis como baratas, Judeus, como bacilos/virus).
Porque é que uma barata tem menos valor que uma andorinha senão numa concepção antropocêntrica?
Não tem nada que ver com um suposto valor para a suposta Natureza que é impossível de determinar. E com a xenofobia intrínseca – uma reacção defensiva positiva- do humano ao que é mais diferente: insecto.
Como eu disse precisa de fazer um Index de valor dos seres vivos. E depois não sabe os resultados de cada acção…
Por exemplo acabar com o mosquito da malária é bom ou mau?
Caro Anónimo, há animais que são perigosos e há outros que não. Se os animais perigosos se aproximarem de mim (seja pelo seu tamanho, seja pela capacidade de transmitir doenças) é claro que me sinto no direito de os exterminar (se a legítima defesa se aplica com outros humanos, porque não com animais?). Mas porquê matar animais por mero desporto, se a nossa vida não está ameaçada?
As baratas e as pulgas que vivam à vontade, se não me incomodarem. Se me sentir ameaçada, é certo que passo à acção. Não mato um insecto só porque sim. Se vir uma mosca dentro de casa e conseguir expulsá-la por uma janela, opto por o fazer, em vez de a matar.
Não sou vegetariana, mas sou pelo consumo moderado de carne. Se grande parte dos animais morre sem necessidade (um terço da carne produzida mundialmente é deitada ao lixo), penso que seria de evitar. Penso que os animais que servem para a nossa alimentação deveriam ser bem tratados.
Serão estes critérios para o valor dos animais? Ninguém é perfeito. Mas, para mim, é importante agir de acordo com a minha consciência, o que passa por evitar violências desnecessárias.
Um exercicio prático. Para si matar uma criança é moralmente equivalente a pisar uma barata?….como digo, houve e há gente que pensa assim. E quando se pensa assim cometem-se as maiores atrocidades….os hospicios e os presideos estão cheios dessa gente.
A Moral é porventura o que nos faz humanos, diferentes dos outros animais – o Homem como Criador de Valores.
Contudo há gente que se dá muito bem sem nenhuma moral….
Devolvo-lhe a pegunta:
Acabar com o mosquito da malária é bom ou mau?
Penso que uma criança saberia responder acertadamente. Embora preferisse acabar com o protozoário e não com o artropode.
Meu caro luck, seguindo o seu raciciocinio em termos cósmicos a Vida não teria valor algum. Ou porventura, devido à sua raridade , a Vida será a criação mais espantosa do cosmos. O valor da vida só pode ser dado por aqueles que sobre a Vida pensam . E não há outro animal conhecido que o faça senão o Homem. Assim toda a Moral tem no Homem a sua fonte. E caso consideremos como espantosa a raridade da Vida é normal que façamos depender desta toda a Boa Moral. Contudo sendo animais ditados de instintos básicos, vitais, naturais de auto-perservação, é natural , também, que ponhamos a nossa vida acima dos demais, não implicando necessariamente , esta filosofia, que devamos tomar ,desnecessariamente, todas as acções que potenciem, em teoria, a nossa sobrevivência, pois esse desmesuramento pode paradoxalmente pôr em risco o que queremos a todo o custo perservar. E depois existe também uma dimensão Estética, não Utilitária, e amoral, da própria Natureza….mas vou ficar por aqui….a beleza da Montanha que se vê preservada pela sua Estética, as paisagens protegidas, mesmo quando nos seria mais vantajosa a sua transformação ( barragens, estradas….)….invejamos a Chita pela sua velocidade, mas quero acreditar que a Chita nos inveja pelo nosso pensar
Preservar , etc….desculpem erros e omissões
Sobre os vírus apenas bons para eles:
https://www.wired.com/2012/03/ff-antivir als/
“…Our bodies are rife not just with bacteria but with viruses too. Even when we are perfectly healthy, we have trillions of viruses inside of us. Scientists are only beginning to survey this viral ecology, but some suspect that it may actually be essential to our health. Many animals depend on viruses. Aphids, for example, need a virus that makes a toxin that prevents wasps from laying eggs inside their bodies. Scientists have found that infecting mice with lymphotrophic viruses protects them from developing diabetes. Other viruses attack cancer cells.”
sublinho a parte “Scientists are only beginning to survey this viral ecology…”
lucklucky
Meu caro, quando estiver numa cama de hospital infectado com um oncovirus recuse o tratamento ( oxalá nunca lhe suceda)….
Sublinho também:
Scientists are only beginning to survey this viral ecology…”
Você fez uma afirmação em que assumiu que já sabíamos tudo ou quase tudo sobre vírus, agora parece sublinha o contrário…
lucklucky
Lucklucky, claro que é legítimo trabalhar para o nosso bem-estar, a nossa saúde e a nossa qualidade de vida. Mas devemos fazê-lo sempre ponderando pós e contras e, não, assumindo que os meios justificam os fins. Violência e sofrimento desnecessários em relação a outras espécies, ou destruição indiscriminada de floresta virgem, por exemplo, deviam ser tabus. No caso de terem de ser tomadas medidas drásticas, deviam ser muito bem ponderadas e, não, tendo apenas o lucro, a ganância, ou o poder em mente.
Proteger o ambiente é proteger a herança das gerações futuras. Penso que esta missão combina bem com a Igreja. Até porque um pouco de abstinência ajuda sempre a encontrar a disciplina e a paz connosco próprios. Esta abstinência não tem de ser apenas alimentar, pode significar poupar electricidade, gasolina e prescindir de consumismos exagerados. Um dos temas propostos para o tempo de jejum da Quaresma, no jornal católico que citei, é: «só aquilo de que preciso». Só comprar aquilo de que realmente preciso; só comer aquilo de que realmente preciso. Se aguentar a Quaresma assim, já seria muito bom.
Excluindo o interior de uma igreja, haverá outro sítio onde sentimos a presença de Deus mais forte do que num passeio pela Natureza? Experimente! Desacelere, de vez em quando, e reserve tempo para observar tudo aquilo que vê num passeio desses! Se for religioso, tenho a certeza de que se vai sentir mais próximo de Deus. No dia em que um passeio desses não for possível, por falta de Natureza, também nós estaremos acabados.
O que é que são “outras espécies”?
O que é que é o “lucro”?
O que é que é a “ganância”? ir 2 vezes ao cinema por semana em vez de 1 por mês?
Quantos seres vivos são mortos no caminho?
E festivais de musica?
E jogos de futebol?
O que é proteger o “ambiente”?
Volto obviamente ao “lucro”…
“Excluindo o interior de uma igreja, haverá outro sítio onde sentimos a presença de Deus mais forte do que num passeio pela Natureza? Experimente! “
Estou na natureza todos os dias ou quase. Durante um ano enterro cerca de 10 aves a maior parte por causas indeterminadas mas algumas violentamente por outros animais…A natureza é violenta por… natureza. E estou num sítio relativamente calmo como Portugal.
Não estou a falar em “florestas virgens” como se essa expressão não fosse resultado de um pensamento logo antropocêntrico…
lucklucky
O que é que é a “ganância”?
https://youtu.be/W1mvcFuiTts
Meu caro, o que É/Existe naturalmente não é necessariamente o que Deveria existir. As propriedades morais não se acham na natureza. Pelo contrário, na maioria das vezes o Bem moral é contrário ao Natural, daí o Bem ser tão dificil para os seres naturais que somos. Não é por as ” coisas” serem naturais que são aceitaveis, que são boas.
A ciência, derivada da razão, é o instrumento que nos permitiu, permite e permitirá a liberdade da ditadura da Natureza. Sendo nós animais racionais, sendo o instinto de sobrevivência um dos mais fortes comandantes da vida, seria estúpido, irracional, não salvaguardarmos o ambiente do qual dependemos.
A sua convicção q
E qual é o “ambiente” do qual depende? Você não consegue saber a evolução genética dos organismo vivos nos próximos 100 anos…por exemplo só os humanos aumentaram de altura uma boa porção de centímetros nos últimos 100 anos. Como vão ser os próximos 100?
O ambiente do qual depende tem de ser o mais variado possível para permitir a redundância. Do Equador ao Espaço.
Você chamou Darwin aqui ou noutro tópico, o sobrevivente é o que se adapta. Não o que tem delírios de controlar o que é impossível de prever.
lucklucky
“O que é proteger o “ambiente”?
Não é isto, de certeza:
https://youtu.be/TRSKLi7dGWQ
Eu referia-me mais ao lucro, à ganância e ao poder dos poderosos, ou seja, políticos, banqueiros, empresários, etc. Esses sim, provocam desastres ecológicos e sofrimento desnecessário, também de pessoas.
A natureza é violenta, sim. Mas isso não é razão para não a preservar. Sem natureza, desaparecemos também.
Nós seres humanos não nos podemos propriamente comparar aos outros animais. Criámos o mal e o bem, temos consciência do planeta e do universo, temos moral e ética. Nem sempre é fácil estabelecer esse equilíbrio entre aquilo que somos e as leis da natureza. Mas sem ela não somos nada. E cada um que haja de acordo com a sua consciência!
Deus deu-nos um belo planeta, com todas as condições para que pudéssemos existir. Impedir que esse presente seja destruído é indubitavelmente missão da Igreja Católica.
Olá Cristina,
Excelente e oportuna entrada.
Bem-vinda a esta casa e votos de muitos e bons textos.
Muito obrigada, Sérgio.
Bem-vinda.
Muito obrigada, jpt.
A Igreja serve para nos recordar e anunciar de que fomos feitos para a bem-aventurança eterna e de que necessitamos da redenção de Jesus e de seguir a vontade do Pai para a alcançarmos, serve para nos ajudar a alcançar o fim para que fomos criados vivendo na graça e no amor de Deus, na Fé e na prática das boas obras. Na Igreja somos enxertados no Corpo de Cristo, tornamo-nos Filhos adoptivos de Deus e para Ele caminhamos. Serve para nos recordar de que estamos no mundo mas não somos do mundo, ao mundo devemos levar o Seu amor e a Sua graça santificando-o.
Tudo o resto que a Igreja faz parte daqui. Os abusos sexuais começam no abuso e rejeição do fim para a qual a Igreja foi consitituida por Cristo: a salvação das almas.
Cristina,
belo texton a inaugurar a sua participção no Delito. Desde já as maiores felicidades e muitos textos que vou com toda a certeza lendo.
Quanto ao seu texto e sendo eu católico creio ser a hora da Igreja, de uma vez por todos, olhar o problema de frente, assumi-lo e resolver a situação.
Em conversa com um padre meu amigo e tal como eu um mero peregrino nesta vida, abordámos o tema do celibato dos padres.
É um tema controverso e com o qual a Igreja não lida bem. Tal como este meu amigo eclesiástico que considera que um padre deve estar “só” dedicado a espalhar a palavra de Deus. O problema é como é feita essa… “dedicação”.
O Papa Francisco já percebeu que tem de lutar contra muita coisa (mal) instituída na Igreja. Falta-lhe quem o acompanhe dentro da Cúria Romana.
Deste modo a Igreja tenderá a perder vocações e fiéis.
Felicidades.
Muito obrigada, José da Xã.
Sim, o celibato é um tema muito difícil. Por outro lado, não penso que o celibato tenha directamente a ver com os abusos sexuais referidos. Só pedófilos abusam de crianças! Um homem sem esse distúrbio NUNCA vai procurar crianças para as suas necessidades sexuais.
O celibato poderá ter a ver indirectamente com casos destes, na medida em que um homem que sinta inclinações pedófilas procure a vida num “clube” que o proteja dos seus crimes; procure um tipo de vida em que ninguém ache estranho que ele não case, ou que nunca tenha namoradas. Este último aspecto também pode valer para homossexuais, salvaguardando, no entanto, que homossexualidade não é sinónimo de pedofilia! E salvaguardando que um padre homossexual que procure um outro homossexual maior de idade para uma relação, com o consentimento deste, pode estar, aos olhos da Igreja, a cometer um pecado, mas não está a cometer um crime!
Mulheres ordenadas na Igreja Luterana? Não sabia… E penso que não é bem verdade. A Igreja anglicana, sim, apostou nisso e foi o descalabro. Sendo pacífica a relação entre “igrejas”, não quer dizer que haja um intercâmbio ou um ecumenismo nos termos que a articulista refere. Pelo contrário e esse foi um dos problemas mais recentes levantados na Igreja Católica alemã. O facto de haver padres casados nas igrejas protestantes não as iliba de terem problemas como os que tem a católica.
No entanto, concordo plenamente com o teor do artigo no que respeita à transparência, apesar de a Igreja portuguesa não ter nada a aprender, nesse campo, com a alemã. Essas comissões já existem por cá; apenas não têm tido, nem podiam ter, a visibilidade de hoje. Ainda não se falava de pedofilia e já houve por cá padres condenados e afastados por causa isso.
Continue a escrever.
Mulheres ordenadas na Igreja Luterana, sim! Bispas também! Ecumenismo existe, sim! E não é o descalabro, não sei onde foi arranjar essa ideia.
Sou casada com um alemão luterano há 26 anos e assisto a missas das duas confissões, separadas e juntas. Já assisti a uma missa luterana, com a presença e homilia da sua bispa.
Quando uma igreja católica local (Stade, perto de Hamburgo) festejou os 60 anos da sua existência (o edifício), houve uma missa com o bispo de Hildesheim e todo o clero luterano local foi convidado. Nessa missa, houve duas homilias: uma do bispo católico, outra de um representante luterano.
Pertenço, com o meu marido, a um coro Gospel, ligado a uma igreja luterana. Moro no norte da Alemanha, onde a maioria é luterana. Mas eu não sou a única católica no grupo, há mais três. Cantamos em missas luteranas, incluindo casamentos. Depois da Páscoa, vamos cantar numa missa dedicada aos “confirmantes” (assim se chamam os jovens, na Igreja Luterana, que fazem a comunhão solene), missa dirigida por uma das Pastoras de Stade.
Nas comemorações dos 500 anos da Reforma de Lutero, em 2017, houve várias missas ecuménicas, algumas, transmitidas pela televisão.
Há de facto um grande obstáculo nas missas ecuménicas, por imposição da Igreja Católica: não há Eucaristia em comum.
Sim, também há problemas de abuso sexual na Igreja Luterana, mas não tanto de pedofilia.
Na Igreja portuguesa existem comissões laicas de investigação dos crimes da Igreja? E essas comissões incluem mulheres?
Acho que sobrevaloriza a participação das mulheres na Igreja Luterana e diminui a importância daquelas que há muito contribuem e contribuíram para a diversidade da ICAR. Sim, refiro-me a monjas e em particular aquelas grandes mulheres, como Teresa d´Ávila, Teresa de Lisieux, Teresa de Calcutá, Brígida, Rita de Cássia e milhares de outras, que deixaram um enorme contributo para a humanidade e que elevaram a ICAR. Sem exclusão da importância das demais.
A questão do celibato e da participação das mulheres é uma falsa questão. Desculpe a sinceridade, mas essa questão é para quem não quer aprender mais do Evangelho.
Jesus escolheu homens sem excluir a importância das mulheres e da sua participação na actividade apostólica, dos apóstolos e do próprio Jesus. Joana, Susana e tantas outras eram também as que se ocupavam da logística e do financiamento de Jesus e seus discípulos. Também eram evangelizadoras. Até a mulher de Pilatos intercedeu por Jesus junto do marido.
A mulher não tem de participar na actividade da igreja porque sim, mas por vocação. E a ICAR tem imensas evangelizadoras mundo fora. Em Portugal são poucas por temperamento e porque a Igreja Portuguesa viu o sacerdote como um funcionário paroquial. O sacerdócio não é para actividades administrativas nem para organizar paróquias. Ele deve estar onde é preciso e com as sandálias sempre prontas para caminhar. É preciso fazê-los sair da toca, porque a actividade apostólica é “Ide” e não “Vinde”. Foi isto que começou por Fazer João Paulo II e que Francisco dá seguimento. Mas O Bom Papa, João XXIII, já tinha intuído e iniciado o processo com o Concílio que ele mesmo promoveu, e que Paulo VI concluiu.
Por último, a natureza é violenta mas não tem consciência. O animal é violento, mas não é cruel. A crueldade é um atributo humano, só o Homem sabe que provoca dano. Razão e consciência são funcionalidades distintas. A consciência eleva a razão; a razão permite aceder à consciência. A fé, ao iluminar a razão, leva esta à dimensão do Espírito, consciência transformadora e renovadora, criadora e recriadora. O Homem feito à semelhança de Deus não determina a sua igualdade com Ele, permite-lhe antes dispor de seus atributos, o Sopro do Espírito, para elevar sua condição.
Caro Vento,
Eu também podia falar da grande quantidade de mulheres que sente vocação e gostaria de ser ordenada na Igreja Católica e não o pode fazer por ser proibido.
Eu também podia falar das freiras que foram e são mantidas como escravas sexuais de padres; de freiras que foram violadas, engravidaram e foram obrigadas a abortar.
Eu também podia falar das freiras que foram e são mantidas quase como escravas a fazer trabalho doméstico para padres, bispos e cardinais.
Eu também podia falar das freiras que eram mantidas quase como escravas a fazer limpezas e a cozinhar em seminários. Essas freiras eram proibidas de falar com os seminaristas. Ou seja: as mulheres serviam para trabalhar para eles, mas não eram dignas de lhes dirigir a palavra.
Se isto é respeitar a dignidade da mulher…
Sim, Cristo teve muitas colaboradoras, incluindo Maria Madalena (da qual hoje se duvida se foi mesmo uma prostituta perdoada). Mas que se sabe dessas mulheres? Que destaque lhes foi dado neste últimos dois mil anos?
Cristina, só é escravo quem permite que isso aconteça. Jesus Cristo na Cruz revela-nos que a vida só pode ser vivida não por qualquer preço mas custe o que custar. A Ele custou-lhe a Cruz e a traição de seus apóstolos (Judas, também chamado de ladrão, e Pedro, na negação), por todos nós.
Curiosamente, Pedro nega Jesus diante de uma fogueira. Mas tão generoso e bondoso foi Jesus que, para não expor Pedro ao trauma, curou-o de sua traição diante de uma fogueira, aquela que Ele mesmo acendeu, após Sua ressureição, preparando a seus amigos uma refeição. Foi diante desta fogueira que perguntou a Pedro se o amava, e este respondeu por três vezes, o mesmo número que tinha usado para negá-l´O, que o amava. Doravante, Pedro, diante de uma fogueira, jamais se traumatizaria por tal negação.
Concluindo esta parte, Cristina, vá e faça também o mesmo.
Eu não necessito que alguém me atribua dignidade, pois esta pertence-me. E também não permito que me comprem a dignidade. Portanto, se alguém não respeita a dignidade de outro é ele ou ela mesmo(a) que não se dá conta que a tem, refiro-me ao que desrespeita. E se alguém necessita do consentimento ou atribuição de outros para sentir dignidade, então, é porque sente que não tem e que esta não lhe pertence, mas advém de outros. E isto não e nada bom
Porém a jurisprudência encara, e bem, como intrínseco este atributo ou qualidade. E age quando tem de agir.
É-me irrelevante se Madalena foi uma prostituta ou se era uma mulher psicologicamente afectada (liberta de sete demónios). Importa, sim, que qualquer que tenha sido sua condição ela foi liberta não pela justiça, não pela ciência, mas pela misericórdia. Misericórdia significa ver a miséria com coração; e foi o que Jesus fez. Tudo ao contrário da sociedade em que ela se inseriu, onde se incluíam mulheres, que a ostracizava. Provavelmente seria uma mulher madura para aquela época, solteira e pouco encaixada com o statu-quo.
Por outro lado, deixe-me dizer-lhe que indignidade é atribuir quotas para mulheres, porque isto revela que importa o número e não o valor.
Minha avó possuía várias empregadas, uma delas engravidou solteira. O sacerdote, ao saber disso, foi falar com minha avó alertando para o que se dizia da moça e que era necessário salvar a reputação das filhas, minhas tias e mãe (ainda mocinhas nessa época). Minha avó respondeu-lhe que a condição dela não contagiava ninguém. A moça permaneceu acolhida em casa de meus avós até que casou e, sei eu, viveu feliz e teve mais filhos. O homem que a desposou era uma pessoa decente.
Quem sente vocação para isso que refere em seu primeiro parágrafo, faça-o com ordenação ou sem ordenação. Vocação significa vocado, isto é, chamado.
“Importa, sim, que qualquer que tenha sido sua condição ela foi liberta não pela justiça, não pela ciência, mas pela misericórdia”
Engana-se. Diz-se que a mulher dos 7 demónios espumava e contorcia-se, sendo essa a razão porque muitos doentes com epilepsia foram queimados , sob a acusação de feitiçaria/pacto demoniaco. Julgo que só no séc XIX a epilepsia foi reconhecida como doença, tendo sido a Ciência e não a Misericórdia da Igreja que salvou muitos inocentes do fanatismo religioso
Você, uma vez mais, quer dar uma de cientista e não é capaz de entender o que está implícito.
O seu problema é a raiva que carrega e as frustrações que acumula. É também a infantilidade de quem espera que caia do céu a solução que você mesmo tem de encontrar para ultrapassar seus traumas. Deus não vem resolver-lhe os problemas e as angústias que carrega. Por uma razão muito simples: “O que te fez sem ti não te salvará sem ti”.
Engana-se. Resolvo os meus problemas sozinho sem o olhar clemente para cima. Como dizia Pessoa:
Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
[Trecho de Tabacaria – Álvaro de Campos]
Está a ver que admite ter problemas. Com tantos desabafos camuflados e agradecimentos dengosos, procura a oportunidade para o desenvolvimento de uma catarse. O meu caro é tão cientista e não é capaz de se curar. O seu alimento é a culpa, a que julga ser dos outros, para parecer limpo de seus próprios erros.
Engana-se meu caro. A Culpa é o alimento, a fonte de Poder da Igreja. Nascemos em pecado, não é Vento? Somos culpados ainda antes de termos tempo para respirar….detestável o deus semitico….
Pois, afinal existe uma culpa de que se alimenta, para se sentir puro. Eu sei que, com paciência, levo-o para onde você não sabe. Mas não vou fazer isso, pois respeito sua condição e dignidade.
Sim, pecado significa errar o alvo. A tradição manipula a mente e impede o despertar da Consciência. Jesus, piedosamente, decidiu enfrentar a Cruz para, também por si, levar a Luz a essa mente tão obscurecida, permitindo-lhe duas etapas decisivas para a sua cura:
Compreender os erros de seus progenitores, de todos os que atravessam sua genealogia e dos demais, para se dar conta que eles são ou foram tão ignorantes quanto você é;
e, com perdão, isto é, libertando-se do rancor e dos laços que o unem a sua história, olhar para seu interior e lavá-lo no sangue do Cordeiro. Sangue que significa vida e vida em abundância.
Por último, a partir de agora tem em suas mãos escolher a Vida ou a Morte: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.”
Que a Páscoa, celebração da passagem da escravidão para a Liberdade, lhe ofereça a possibilidade de entregar seus fardos aos pés da Cruz: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve.”
Abraço. Páscoa Feliz
Feliz Páscoa, Vento
«Só é escravo quem permite que isso aconteça» – é triste verificar que muitos católicos continuam a defender os criminosos em vez de defender as vítimas. Os sacerdotes usam o seu grande poder para cometer crimes e as culpadas são as vítimas, claro. As culpadas são sempre as mulheres, claro. Porque as mulheres existem e tentam os homens! E, já agora, as crianças, claro. Os sacerdotes que não as respeitam, esses, não tiveram culpa nenhuma, coitadinhos. Usaram o seu poder, ameaçaram e, claro, os culpados não foram eles, mas quem eles subjugaram e maltrataram. E foram protegidos, os seus crimes foram silenciados, morreram sem nunca serem castigados.
É triste, muito triste.
A Cristina escreveu o que lhe dava jeito ter visto em meu comentário. Na realidade, em tom de quem não quer demonstrar claramente, diz-se católica para não mostrar que está mais luterana que o que afirma. Opção sua, faça como entender mais conveniente.
O que não pode fazer é usar a parte para atacar o todo.
Em matéria de justiça, deixe que sejam as instituições competentes a agir.
Eu podia escrever sobre as diferentes igrejas cristãs para demonstrar-lhe que existem os mesmos casos e as mesmas situações que hoje, curiosamente, só se atribuem à ICAR. E no caso da ICAR, para parecer que os casos são muitos, vão-se acumulando casos do passado, onde a investigação já não pode ir, pois muitos já cá não estão, para que pareçam ser muitos.
Devo dizer-lhe que um dos princípios do direito é que só existem culpados até trânsito em julgado.
Não pretendo com isto minimizar outras eventuais situações que o direito ainda não se tenha pronunciado. O que pretendo dizer-lhe é: “na medida com que julgardes também sereis julgados, e ainda mais vos será acrescentado”.
Cristina ouvem-se boatos, houve até um que chegou a julgamento, terminado precocemente por “pressões” do Bispo do Porto….talvez por medo do que pudesse ser destapado….essas comissões da igreja portuguesa, como prova da sua idoneidade e preocupação, equiparo-as às proibições do trabalho infantil no Bangladesh.
https://www.google.com/amp/s/www.cmjorn al.pt/portugal/amp/padre-pede-desculpa-e-e scapa-a-julgamento
https://www.google.com/amp/s/www.dn.p t/portugal/interior/amp/abusos-sexuais-p adre-pediu-desculpa-por-difamacao-e-cole ga-perdoou-9065449.html
As comissões para investigação de crimes nas Igrejas devem ser feitas pelas autoridades competentes, e não por comissões laicais. Os leigos podem constituir-se como assistentes nos processos, mas não como investigadores.
A PJ e o MP ficam de fora?
Desculpe mas vou ter de ser bruto: ou você é tacanho ou anda a armar ao sabichão. Autoridades competentes são autoridades definidas e regulamentadas nas mais diversas normas legislativas.
Está perdoado!
Denúncia de abusos sexuais pode tornar-se obrigatória na Igreja Católica.
Ainda andamos nisto?????
https://www.google.com/amp/s/www.dn.p t/pais/interior/amp/denuncia-de-abusos-s exuais-pode-tornar-se-obrigatoria-na-igr eja-catolica-10638857.html
O número três do Vaticano está acusado de abuso sexual na Austrália, o número dois é suspeito de encobrimento num processo em França, no Chile há rusgas ao bispado e o relatório da Pensilvânia choca o mundo. Mais de 20 anos após os primeiros escândalos de abuso sexual de menores terem abalado a Igreja Católica, a dimensão do crime e do seu encobrimento continua a surpreender. Há redenção possível para uma organização que propicia tais horrores?
https://www.google.com/amp/s/www.dn.p t/edicao-do-dia/19-ago-2018/interior/amp/q uando-deus-da-poder-para-o-crime-9735922.h tml
O deus que se interessa pelo destino e acção humanas…vá contar essa às vitimas dos vicários da potestade silenciosa
Desculpe mas vou ter de ser bruto: ou você é tacanho ou anda a armar ao sabichão. Autoridades competentes são autoridades definidas e regulamentadas nas mais diversas normas legislativas.
O Vaticano também é um estado, cidade-estado.
O Vaticano nasceu pela mentira….e acabará como começou
A Doação de Constantino (Constitutum Donatio Constantini ou Constitutum domini Constantini imperatoris, em latim) foi um documento apresentado na Idade Média como um édito imperial romano. Sua validade foi questionada por motivos históricos. A legítimidade do domínio da Igreja Católica sobre os territórios ainda é aceita historicamente, embora esse domínio fosse devido a outras razões. A própria Igreja Católica considera o documento sem validade.
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Doação_ de_Constantino
Desculpe mas vou ter de ser bruto: ou você é tacanho ou anda a armar ao sabichão.
O Vaticano também é um estado, cidade-estado. Tratado de Latrão ou S. João de Latrão 1929
O tal Tratado assinado por Mussolini a troco do apoio da Santa Igreja ao Duce e ao fascismo.
Estou a ver que o meu caro só agora consultou os arquivos do Google (universidade que tem vindo a frequentar, de onde extrai textos), para se dar conta que, afinal, existiu o Tratado de Latrão que desconhecia.
Tenho de dizer-lhe, meu caro Pedro, que me tenho divertido imenso com a sua ciência e argumentação. Quando o meu caro não tem saída técnica usa a táctica parola para fingir saída. Ou seja julga que o seu veneno afasta as “presas”.
Prometo-lhe que, por caridade, não lhe dou mais corda sobre esta matéria. Responderei, por cortesia, ali acima a sua resposta.
Engana-se, Vento. Leio para caraças e como documentários. Os links são apenas para dar credibilidade ao que digo e uma possibilidade de esclarecer os meus pontos de vista através de argumentos mais persuasivos que os meus.
Porque é que «as comissões para investigação de crimes nas Igrejas devem ser feitas pelas autoridades competentes, e não por comissões laicais»? Para que o esquema continue a funcionar? Para que criminosos continuem a ser protegidos? Para que o único “castigo” de um padre criminoso seja a mudança de paróquia e ele até ficar satisfeito por ter acesso a carne fresca?
Desculpe, mas as comissões devem ser laicais, sim! E devem ter acesso ilimitado aos arquivos!
Quero dizer que tem de ser por autoridades competentes, porque pides foram mais que suficientes em outros regimes. A sociedade tem garantir que as estruturas que cria funcionam. E que não é a nomear polícias de polícias que se resolvem as coisas. Muito menos entrar na onda que agora ser mulher é que “está a dar”.
Não é entrar na onda que agora ser mulher é que está dar. É não achar que metade da Humanidade tenha poder sobre toda a Humanidade. Os homens são só metade. E o mundo só será mais justo se homens e mulheres decidirem juntos. Também na Igreja!
Desculpe, mas em matéria que me compete decido eu. O princípio de uma relação deve ser como o amor. O amor não depende. Porque se estiver dependente de quem a ame, é porque não tem amor para dar. E se necessita decidir em conjunto algo que depende de si, só finge que são dois que decidem.
Só se decide em conjunto se a matéria disser respeito a dois. E no caso em apreço um juíz não tem de pedir a opinião para decidir. Tem de estar preparado para o fazer.
Cristina,
Apenas porque respondeu ao meu comentário, o que agradeço, devo dizer que o conceito de “sacerdócio” luterano envolve a dimensão de sacerdócio comum dos fiéis (também para os católicos) e não propriamente o sacerdócio ministerial de que se fala na Igreja Católica. O facto de haver mulheres que pregam a Palavra (também há casos na ICAR sobretudo nas celebrações em ausência de presbítero ou sacerdote-ministro do culto) não significa que sejam ordenadas… muito menos que se possam chamar padres, madres ou lá o que seja. Mais: encontro a designação de “esposa” colaboradora do Pastor luterano, mas não o de “pastora” nem muito menos sacerdotiza… e muito menos bispa,,,
Além do mais, as celebrações “ecuménicas” de que fala, e tal como diz, não são reconhecidas pela Igreja Católica, pois esta, tal como a ortodoxa, não aceita a inter-confissionalidade. Levantou-se a questão há meses pelo episcopado alemão (devido certamente a casos como os que que refere ) e o assunto não foi resolvido porque o não pode ser por mero acto administrativo…
Quanto aos matrimónio “mistos” (o seu caso) ou com “disparidade de culto” (são reconhecidos pela Igreja Católica mediante licença do Ordinário / Bispo) mas na condição de a parte católica se manter fiel ao seu culto católico.
Portanto, as coisas não são tão linerares como parece entender ao responder categoricamente “sim” às minhas dúvidas anteriores. Da minha parte fico-me por aqui.
Em alemão, encontra a designação de “pastora” – “Pastorin” – e a de “bispa” – “Bischöfin”! Encontram-se em qualquer dicionário alemão e são usadas no dia-a-dia. As mulheres são ordenadas e têm poderes tal como os homens, não se limitam a pregar a palavra na sua ausência.
A Igreja Luterana alemã tem as suas próprias regras, é independente da Igreja Católica. Assim como a Igreja Luterana dos países escandinavos e a Igreja Anglicana.
Excelente analise Cristina Torrão. Infelizmente o Papa Francisco se apequenou diante da questão.Se tais crimes ocorrem em outros setores,devem ser punidos com extremo rigor
Acontecerem no ambito da Igreja Católica é elevar o crime a enésima potência. Abominável. Há tantos simbolismos,a representação de Deus a ponto se nos perdoar os pecados,citando um só ecemplo.Concordo plenamente com o envolvimente com o envolvimento das mulheres no processo de revisão da Igreja Católica. E ai há um outro simboliamo, Maria Madalena tão maltratada durante séculos recebeu revisão do posicionamento da Igreja em 2006 (se não me engano) sendo considerada peça fundamental ao lado de Jesus Cristo.Muito interessante ofilme que leva o seu nome
Minhas escusas pelos.erros de acentuação e digitação ,ainda estou me acostumando adigitar no celular. Parabéns Cristina por sua,repito,excelente análise.
Muito obrigada, Cibele.
Bem-vinda, Cristina! Como fiquei satisfeita com esta nova “contratação”! E parabéns pelo post, que assino por baixo.
Muito obrigada, Teresa.
Um beijinho.
Olá Cristina,
Que bom vê-la por aqui, ainda por cima com um tema destes, tão tristemente actual.
Concordo 200% com cada palavra, cada ponto, cada vírgula.
A Igreja, que tanto prega a humildade, deveria tê-la para reconhecer que errou (e muito!) e para começar a mudar de rumo.
Beijinho, Cristina, e Páscoa Feliz para si, Lucy e maridão (Ladies first).
⚘
Maria
Olá, Maria,
Também acho muito bom vê-la por aqui. E é bom ver que estamos em sintonia.
A Lucy lá vai andando, prega-nos muitos sustos, mas continua a levantar-se e a viver a vida com alegria.
Agradeço e retribuo o desejo de Páscoa Feliz, para si e a sua família.