A iconografia ímpar do futebol


Pedro Correia,

 

O futebol movimenta paixões à escala universal, entre outros motivos, pela sua força iconográfica. Dão disso testemunho imagens após imagens que nos invadem o quotidiano. A mais recente chegou-nos da capital espanhola, no passado domingo: David Villa acabara de marcar no Vicente Calderón o primeiro dos quatro golos sem resposta do Atlético de Madrid ao Real Sociedad e, perante o aplauso frenético de quase 50 mil adeptos, apontou os indicadores ao céu, como se mirasse no infinito o grande Luis Aragonés, figura já mítica do clube e da selecção espanhola, no dia do funeral do treinador que conduziu La Roja à conquista do Europeu de 2008. Uma vitória que isolou o Atlético pela primeira vez em 18 anos na liderança do campeonato no país vizinho, numa espécie de tributo póstumo ao técnico desaparecido.

Com este gesto, Villa parecia dizer-lhe “Muchas gracias, Don Luis” — ele que foi o melhor marcador do Euro 2008, torneio em que a selecção espanhola deslumbrou a Europa e partiu à conquista do Mundial, dois anos mais tarde.

O futebol também é isto. 

Foto Marca

  

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4 comentários em “A iconografia ímpar do futebol”

  1. E Villa, que é o melhor marcador da história da selecção espanhola, deve-lhe ainda outra coisa: foi Aragonés quem afastou Raúl da selecção e deu a camisola número 7 a David Villa. Os resultados posteriores são conhecidos.

    1. Ao contrário do que reza o mito, a gratidão ainda existe no mundo do futebol. Esta também poderia ser a legenda desta bela fotografia captando o gesto de Villa no preciso instante em que recolocava o At. Madrid na liderança isolada do campeonato, 18 anos depois. Exactamente no dia em que os espanhóis se despediam de Aragonés.
      Isto anda mesmo tudo ligado, João.

  2. Bem, jogadores a benzerem-se antes de entrar em campo (ou quando são substituídos) e a olhar para o céu é o que mais se vê. São muito religiosos.

  3. (1) O Jackson Martínez também levanta os olhos e aponta para o céu quando marca um golo. Esse gesto também será “iconográfico”, no entender do Pedro?
    (2) O David Villa, grande goleador do campeonato de 2008, foi precisamente quem marcou à seleção portuguesa um golo que a afastou desse campeonato, e nesse golo ele estava provavelmente em fora-de-jogo. Um fora-de-jogo iconográfico, diria eu, que nenhuma televisão teve a coragem de deslindar.

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