A guerra do pastel


Rui Rocha,

Certo. Esta coisa de misturar pastel de bacalhau e queijo da serra não lembra ao estado islâmico, como referiu, numa podenderada e razoável intervenção, a Sodona Maria de Lourdes Modesto. Nestas coisas, devemos adoptar uma posição de radical recusa de todas as miscelâneas.  Aliás, o bacalhau, a batata e a salsa podem ser encontrados na natureza, numa combinação harmoniosa, sem qualquer tipo de intervenção humana. Abundam em Portugal, como se sabe, as pascalhoeiras, as frondosas árvores de onde se colhem os pastéis de bacalhau.

0 comentários em “A guerra do pastel”

  1. Nem é bem misturar, acho que é mais não querer o pastel de bacalhau “metido” com o queijo da serra. Portugal no seu melhor.

    “as pascalhoeiras , as frondosas árvores de onde se colhem os pastéis de bacalhau”… ahahahah . Continua com um humor de se lhe tirar o chapéu.

  2. Tem graça o seu reparo, mas não deixo de estar com a Srª Dª Lourdes Modesto.
    O pastel de bacalhau, para além de crescer nas conhecidas pascalhoeiras, resultou da mistura do aproveitamento dos restos de um bacalhau cozido com todos. São produtos de aproveitamento que devem permanecer assim. Eu ainda acredito que há coisas sagradas. Juntar um produto da mais alta nobreza, como o queijo da serra, com os restos de um almoço, por mais republicano e liberal que se possa ser, é realmente obsceno que nem em orgias se devia tolerar, para além de ofender a nobre ciência de Lineu, que, todos sabemos, foi quem classificou pela primeira vez como género botânico exclusivamente português, a árvore da pascalhoeira.

      1. Olá Kikinha. Já lhe responderam. Temos de ir comer um destes pasteis. Devem ser deliciosos. Olhe, como não sou machista, paga você.

        1. Nada de ventanias meu caro.
          Uns pasteis de bacalhau ( sem alho ) com uma boa salada
          e a seguir o queijo da serra.
          E, como também não sou machista … a conta é partilhada 🙂

          1. Bora lá ao bacalhauzito em pastel, mas com alho. Faço-lhe companhia. Os pasteis como eu e o queijo da serra come você, sem alho. Pois já vi que não aprecia estas coisitas. Queijo da serra é horrível. E também faço um esforço com a saladita.

            Quanto à conta, depois fazemos contas. Mas quem tira a prova dos 9 sou eu.

  3. Tempestade em copo de água!!
    Tantas coisas que com os tempo são feitas de diferentes maneira e não deixam de existir! Por acaso impede alguém de continuar a comer pasteis de bacalhau? É só outra maneira de comer um pastel !!!
    Por acaso já provaram?

      1. Calma amigos,

        Existem muitas coisas que se compram por muito mais dinheiro e ninguem reclama,( não sei se é o caso mas o Tabaco e mais caro!! Não fumo ) e atenção não estou a dizer que é barato , o preço é 3.50€!
        É bom para o turismo, quem quer pode provar se não gostar não volta ou não provei mas tenho curiosidade!
        O pastel de bacalhau continua a existir um não tira o lugar ao outro!

        Bom fim de semana!

  4. O mais grave é que enganam os turistas ávidos por coisas típicas. Até inventaram uma suposta fábrica de pastéis que remontaria ao princípio do século passado. Tudo digno do seriado “Como enganar turistas II”.

  5. A questão é mesmo a autenticidade. Até podem fazer pastéis de bacalhau com doce de ovos ou pôr rodelas de chouriço nos pastéis de Belém, mas não vendam as novidades como sendo tradicionais, sobretudo não aos estrangeiros.

    Já agora, podíamos rebocar o Castelo de São Jorge, que bem precisa. E porquê tanta indignação por a Câmara de Lisboa querer acabar com a calçada portuguesa em algumas zonas da cidade?

    A gastronomia também é património e, nessa medida, deve ser respeitada, até porque os turistas, aqui e em qualquer sítio, querem o autêntico, o ‘very typical’.

    E desculpem lá mas de cozinha tradicional portuguesa percebe a Maria de Lourdes Modesto. Antes de explodir a moda dos blogs de receitas, dos concursos televisivos e dos ‘chefs’ vedetas, ela já cá andava.

  6. Disparate. Pastel de bacalhau é oastel de bacalhau. Queijo no meio para turista ver? Claro que não, a ideia não é adulterar a nossa identidade mas sim preservá-la. Quem não gosta de pastel sem queijo não come. Simples.

  7. Estamos num país livre.Viva a imaginação mai-los nichos mercadeiros.Mas aos turistas,senhores,deixai-lhes provar o que apurámos na cozinha tradicional:O pastel,o queijo da serra,independentes e com sabor próprio.Assim seja.

      1. Ao menos não deveria ter apoio oficial em detrimento dos originais.E lá
        diz a Senhora que o Da Serra se recomenda curado e sólido, tal como era.
        De resto é “o mercado a funcionar”.Também há pechisbeque à venda.

  8. Já que estamos numa de “coisas típicas novas”, que tal no cosido à portuguesa substituir as hortaliças por palha de Abrantes???

  9. Já provei e não aprovei, apenas porque o sabor a queijo é tão forte que parece mais um pastel de queijo. Já vi várias combinações e não me assusta esta que se fosse bem equilibrada poderia sair um produto bom, mas claro que nunca seria um pastel de bacalhau original porque o original é pena ser por vezes pastel de batata e não de bacalhau.

  10. Um pastel de bacalhau NÃO tem queijo na sua receita. Não tem queijo na sua essência, nem na sua natureza, nem na sua substância.
    Um pastel de bacalhau tem bacalhau, e batata, e ovo, e salsa fresca, e pimenta, e duas colheres a moldá-lo para uma fervura de azeite (ou óleo, vá), e é tudo.
    Não leva queijo, é uma simples questão de identidade, indiscutível e simples.

    Importa ainda reflectir sobre o queijo-da-serra. Só quem não o conhece e estima pode aceitar sem um arrepio que se use num pastel de bacalhau.

    Portanto não misture a pessoa gananciosa do dinheiro dos turistas coisas que não são de misturar sob pena de estragar as duas.

    Eu concordo com a Maria de Lurdes Modesto – ponham fim a esta distorção dos factos deliciosos que a nossa gastronomia tem. Não estraguem um nem o outro, que vêm os dois do aperfeiçoamento de séculos de história da nossa identidade.

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