A guerra aos porcos


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Permito-me recomendar a leitura deste “Diário da Guerra aos Porcos” de Bioy Casares, ainda que o meu livro esteja lá além-Tejo, assim não podendo ilustrar este meu atrevimento com citações ou com uma douta e fresca recensão.

A história é simples: em Buenos Aires os jovens caçam e exterminam os velhos, acelerando o “curso natural da vida”, numa ideologia sanitária, por assim dizer. Os velhos movem-se, resistindo, na calada da noite.

E agora algum mundo virou esse Buenos Aires. Mas não temos noite. A incúria do comunismo chinês foi estufa disto. Pois deste vírus. E há por aí colaboracionistas, teclistas lestos a criticar o “ocidente”, e seus líderes, e a louvar a “disciplina” chinesa, os feitos que têm tido. É pena que o “estado de emergência” não nos permita rapar o cabelo das mulheres que papagueiam essas loas. E a internar os homens que andam nos mesmos propósitos. Por tempo indeterminado …

Mas mais próximos daqui temos muitos destes “eugénios”. Trump está a assumi-lo, preferindo resistir numa guerra económica, recusando trancar a produção e ficar à mercê da economia chinesa, esta já quase pós-covidiana. Porventura o número de baixas americanas será terrível. Mas ele preferirá abater os velhos a ceder espaço (económico). Bolsonaro é ainda mais histriónico nisso, convoca manifestações, persegue quem procura o confinamento, ele-próprio convive. Nele será muito mais estupidez do que estratégia. É o drama de um país estúpido. E Boris meteu-se nisso, também, mas teve que recuar, provavelmente tarde demais para evitar uma hecatombe. Idiossincrasia “brexitiana”, fazer diferente dos pérfidos e fracos “continentais”. Burro. Convencido. Nada de novo, nesse contexto de brexiteers … Nos últimos anos um segmento locutor luso andou entusiasmado com estes alarves, até se autodenominaram “nova direita” ou tralha similar. Nesse frenesim pu(lu)lam alguns doutores, até pelo FB/twitter/blogs. Alguns travestidos de liberais, outros de soberanistas, vão doutorando. Mas agora estarão confinados em casa, a teclarem no whatsapp …

Próximo livro a recomendar? Um de Boris Vian, “Hei-de Cuspir-vos na Campa” – se me safar, cinquentão fumador que vou.

10 comentários em “A guerra aos porcos”

  1. A história do vírus ainda não está feita.
    Quando um treteiro como o Trump lhe chama o ‘vírus chinês’, desconfio…

  2. Sportinguista
    Este país não é para velhos.
    Ninguém lhes contou a história do indio que conduzia o pai velho para as montanhas. Parou, disse-lhe o pai :leva-me mais acima, foi oonde deixei o teu avô…………..Porra!

  3. Ahah gostei deste texto. E até enfio a carapuça aqui ou ali.

    O Boris Vian é que não tenho grande pachorra (não é ele, sou eu) mas gosto do títALO!

  4. Falta algo nesta reflexão: Portugal.

    Pobres e maltrapilhos, com erros e correcções, lutamos pelos nossos e por nós mesmos.
    E com o andamento que está a ter, posso garantir que no balanço final sairemos bem melhor que todos. Não é profecia, é certeza.

    A profecia é esta:
    Se um dos senhores do mundo, um só que seja de entre os senhores do mundo, sentir que vacilará perante o outro por causa desta pandemia, iniciar-se-á a devastação.

    Portanto, o covid não é só um vírus que ataca em particular os já enfraquecidos, ele transporta em si um outro rosto de devastação.

    Assim, ainda que não aceite, compreendo todas as estratégias levadas a efeito pelos senhores: USA, China, Rússia, UK.
    Mas Bolsonaro está a perder o que podia capitalizar com sua vitória inegável e, à imagem da de Trump, surpreendente. O Brasil só tem 2 vias: salvar sua população e produzir bens alimentares que muita falta farão ao mundo. São estas as saídas de Bolsonaro para uma boa governação. O mundo vai ter de se abrir à produção sul-americana.

    Se ele não se concentrar na saúde da população e nos “celeiros”, que até trarão uma boa receita, cairá ingloriamente.

  5. Trump, Bolsonaro e Boris são todos uma merda na tua óptica.
    Talvez se olhares aqui para o lado, para Espanha, encontres o paraíso orientado por um teu camarada.
    Com tanto tempo llivre podias pensar um bocadinho.

    1. É fantástico com nesta altura tantos ainda conservem o seu facciosismo político cravado nas entranhas. Como se a crítica perfeitamente justa a esse grupo de estadistas implicasse alguma ausência de crítica aos radicalismos ideológicos de sinal contrário, e de que o Pedro Correia fala mais abaixo.

  6. Isto é terrivelmente assustador.
    As imagens que chegam de Itália e Espanha são dilacerantes.
    É o horror absoluto.

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