Na Europa Ocidental estamos a assistir a uma transição política que pode até ser o início de uma grande transformação. A mudança é alimentada pelo descontentamento de uma franja assinalável do eleitorado, a metade mais pobre da chamada classe média, que foi a parte derrotada na recente crise. Os motivos da insurreição são complexos e levarão anos a ser compreendidos, mas podem estar relacionados com o impacto de novas tecnologias, a contracção dos generosos sistemas de protecção social, a degradação dos serviços públicos, a insegurança física que muitas pessoas sentem nas próprias cidades e a pressão salarial dos migrantes. É fácil observar que cada um destes fenómenos tem maior efeito sobre pessoas mais pobres, as que vivem em bairros sociais ou as que dependem de empregos menos qualificados, a antiga classe operária, que os partidos de esquerda abandonaram. Em todos os países ocidentais, parte substancial da classe trabalhadora empobreceu, as fábricas mudaram de local e os empregos criados são mal pagos. A revolta que se designa como populista será a resposta dos eleitores à crescente insegurança, mas é também uma reacção a problemas concretos que as chamadas elites se recusam a reconhecer. Quando falo em elites, refiro-me ao conjunto de partidos tradicionais, burocracias e organizações, hierarquias académicas, grupos de influência empresarial, de intelectuais e vedetas mediáticas, ou seja, a bolha do topo, cuja narrativa da realidade rejeita qualquer argumento dos descontentes, desprezados como xenófobos, nacionalistas, irracionais, até como fascistas. É como se o voto destas pessoas já não contasse.
A grande transformação
Luís Naves,

“Os motivos da insurreição são complexos e levarão anos a ser compreendidos”
Luís, não vimos já isto, entre as duas grandes guerras?
Não se pode fazer esta comparação (embora haja autores a fazê-la). A contestação à ordem política nos anos 20 e 30 teve origem nos rancores gerados pela I GM, a violência dos veteranos, a mudança de fronteiras, a destruição dos estados multiculturais e o confronto ideológico entre fascismo e comunismo. As frágeis democracias liberais foram eliminadas com facilidade, mas nenhum destes factores está presente na situação actual.
Luís, acrescentaria ainda a crise financeira de 29.
“…e o confronto ideológico entre fascismo e comunismo…”
Neste belo exemplo temos mais uma demonstração que a Segunda Guerra Mundial continua a ser a maior camuflagem e vigarice ideológica que existiu.
A Segunda Guerra Mundial começou na Europa com a invasão da Polónia onde o Nazismo e Comunismo se aliaram na sua partilha.
No período subsequente até 22 Junho de 1941 o Comunismo atacou a guerra que os Aliados faziam contra os Nazis, defendendo os Nazis ao promover o Pacifismo no Ocidente, acusado os Aliados de fazerem uma guerra imperialista e de lucro pela exploração das classes trabalhadoras para enriquecer os capitalistas.
Em 22 de Junho de 1941 Hitler invadiu a URSS e a partir dai a História foi reescrita…
Só em 10 Junho de 1940 o Fascismo entrou em Guerra. E só entrou porque a França estava praticamente derrotada e Mussolini pensava que a Guerra iria acabar com a conquista da França e queria estar sentado na Conferência de Paz que se seguiria para obter Nice(Nizza) e eventualmente parte da Tunísia…
Ah.. e a URSS encomendou o destroyer Taskhent em 1934 a estaleiro Fascista e foi entregue em 1939, pelo meio tivemos a Guerra Civil de Espanha onde as “ideologias” se “confrontavam” enquanto os engenheiros da Ansaldo continuavam a contribuir para a modernização da Marinha Soviética…
https://en.wikipedia.org/wiki/Italo-Sovi et_Pact
In September 1933, a Soviet military mission visited Rome and Vladimir Petrovich Potemkin who served as Soviet Ambassador to Italy from 1932 until 1934, expressed “gratitude for the exceptional attention devoted to the Soviet mission by the Italian command and government,” while a general from the Italian military stated, “the Italian Army has feelings which go deeper than the usual professional ones toward the Red Army. These feelings have been strengthened as a result of the Italo-Soviet Pact.”[1]
Quem governava a Itália em 1933?
“Em todos os países ocidentais, parte substancial da classe trabalhadora empobreceu, as fábricas mudaram de local e os empregos criados são mal pagos.”
Quem é que andou a defender a globalização e o neoliberalismo desenfreado? Dica: não foi a esquerda.
Há uma dose de cinismo pretender atirar as culpas para a esquerda com afirmações como “… que os partidos de esquerda abandonaram”.
Foi a globalização e o neoliberalismo desenfreado que salvou os trabalhadores da clique estatista de privilégios aristocráticos que foi construída pelo jornalismo que é naturalmente pró mais e mais estado aliado à partidocracia de jobs for the boys.
Este quadro explica a mudança nos preços:
http://www.aei.org/publication/the-chart-o f-the-century-makes-the-rounds-at-the-fe deral-reserve/?utm_content=buffer6a555&utm_medium=social&utm_source=twitter
Porque é que um trabalhador que faz produtos que as outras pessoas querem ganha menos que um burocrata que não tem competição?
Porque é que hoje pedir uma licença para fazer qualquer coisa é uma fortuna e comprar um aspirador vale menos mas há 40 anos era o contrário?
Porque a Política tem vindo a ganhar cada vez mais e mais Poder com a ajuda do jornalismo. Que é para isso que existe.
Porque os partidos de esquerda puseram as causas de costumes e “fracturantes” acima das causas sociais e económicas. Além de que tentar impedir a globalização seria muito pouco progressista.
As causas sociais são antagónicas às causas económicas actuais.
a insegurança física que muitas pessoas sentem nas próprias cidades
A insegurança física nas cidades foi no passado muito maior do que é hoje. Hoje em dia o roubo é quase inexistente (até porque quase todas as pessoas não transportam dinheiro consigo) e crimes mais graves são raríssimos. Todas as estatísticas o indicam de forma inelutável.
O Lavoura vive mesmo no paraíso xuxa.
WW
Hoje em dia os meus filhos vão para a escola a pé sem se sentirem minimamente ameaçados.
Eu no eu tempo quando ia para a escola a pé tinha, em certos trajetos, muito medo de ser assaltado por “ciganos” (chamávamos-lhes assim, não sei se eram de facto ciganos ou não). Tinha medo porque algumas vezes fui, e colegas meus também foram.
O facto concreto e indubitável é que hoje em dia há muitíssimo menos insegurança nas cidades do que há umas dezenas de anos.
É um facto que nós experimentamos no dia-a-dia, e que as estatísticas policiais abundantemente confirmam.
O Luís Naves é o único que tem feito as análises correctas á actual situação mas neste seu texto discordo num ponto, que é o facto de pensar que apenas a classe média baixa foi (ou é) atingida pela crise. O impacto da crise foi em larga medida sentido por toda a sociedade tirando os ricos que ficaram ainda mais ricos. Quem tinha tinha um rendimento na ordem dos 1500€ brutos mensais foi bastante atingido e em muitos casos (muitos mesmo) viu-se sem qualquer rede de segurança. A destruição do tecido social contínua, a engenharia social promovida por quem manda (ue e capachos nacionais) ao melhor estilo dos regimes marxistas com a preciosa ajuda das mentes do politicamente correcto está a levar a alternativas que não podem ser desprezadas sob pena de ainda de se tornarem mais fortes e evoluírem para formas mais radicais.
WW
Na Europa Ocidental estamos a assistir a uma transição política
Curiosamente, neste post não se descreve, nem sequer de forma grosseira e geral, em que consiste essa transição política.
Mas eu digo-lhe, é a transição para a Alt Right.
“A antiga classe operária, que os partidos de esquerda abandonaram”, “desprezados como xenófobos, nacionalistas, irracionais, até como fascistas”, “É como se o voto destas pessoas já não contasse.”
Não só abandonaram, como os insultam directamente. São o “basket of deplorables”. Os trumpistas. Os brexiters. Os brancos não-instruídos, vestígios arqueológicos (espera-se) do heteropatriarcado.
Terry Malloy
E agora?.
Muito bem. Lapidar.
O que afirma é correcto. Só falta acrescentar que a situação social ainda não piorou porque existe a vergonha dessa classe, os novos pobres, em reconhecer sua nova condição. Quando isto acontecer, o vira pode acontecer. Adicionalmente, essa mesma classe foi apanhada numa faixa etária demasiado elevada para os padrões actuais; e eles acreditaram nos padrões. Quando a fé regressar, os padrões serão destronados e o vira será maior.
Um pobre que tenha nascido na pobreza em regra acredita que sua condição faz parte da hereditariedade, e, em alguns casos, bastava-lhe ser pilha galinhas. Hoje ser pobre é ser rebelde, e existem muitos meios para os aliciar, pois quem nada tem nada perde. E refiro-me à honra que não se lhes reconhece. O underground acabou por estabelecer uma honra própria que não se vê naqueles que se dizem honrados. O mundo não é assim tão complexo, o que é complexo é como pretendem que se veja o mundo.
No cristianismo afirma-se que as putas precedem os e as “honrado(a)s” no reino dos céus.
Este twit da South Yorkshire Police em Inglaterra demonstra bem a insanidade do Estado hoje e a correspondente fractura entre Estado e População bem demonstrado pelas reacções:
https://twitter.com/syptweet/status/1038 891067381350401?s=19