«As luvas alegadamente pagas a José Sócrates, Bava, Granadeiro, Bataglia e mesmo Ricardo Salgado foram financiadas por veículos financeiros que usaram dinheiro dos clientes que compraram papel comercial do BES ou do Banque Privée em esquemas semelhantes aos que destruíram as poupanças de tantos.»
Da série de grandes reportagens da SIC que nos tem conduzido aos meandros do maior escândalo político e financeiro da democracia portuguesa.

Desconfio, que por este andar , Portugal há -de ficar sem as suas ” elites” urbanas.
https://www.dn.pt/portugal/interior/soc rates-e-pinho-ps-nao-pode-continuar-a-se r-instrumento-de-corruptos-e-crimininoso s-9276900.html
Seria uma grande reportagem se estivesse a acontecer.
Mas não, já passou. O jornalismo falhou mais uma vez.
Agora é um documentário na melhor das hipóteses, não o narcisismo ou pior, lavagem para limparem-se.
Já a grande reportagem sobre a sempre crescente dívida portuguesa ou como a CGD seria um BES caso os contribuintes não fossem accionistas forçados não existe. Está a acontecer.
E eu a pensar que a sermos accionistas forçados éramos, sobretudo, no BES
A cultura do saque contaminando os processos de decisão política: assim se podem sintetizar o caso BES/GES e o caso Sócrates.
Em poucos anos, estes artistas destruíram o maior grupo financeiro português, puseram fim à PT – uma das principais empresas nacionais e activo estratégico do Estado português – e estiveram a milímetros de lançar a própria Caixa para o abismo.
Dizer que a CGD não foi para o abismo é um eufemismo. Foi para o abismo e foi de lá tirada com vários milhares de milhões (já nem sei quantos ) de impostos dos nossos bolsos. Imagina o que isso significa em pobreza para centenas de milhares de portugueses que, em média, não chegam sequer a ganhar num ano 20 mil euros? E que com uma miséria de um rendimento colectável de 7 mil euros/ano já pagam cerca de 14% de IRS? É um escândalo que os que autorizaram e os que meteram ao bolso os milhares de milhões que pertenciam aos depositantes andem por aí a gozá-los sem serem chamados a prestar contas e a pagar pelo roubo de que são responsáveis.
Um perigo sistémico, a nosssa pobreza !
A CGD esteve à beira do abismo. Faltou apenas dar um passo em frente.
Estaríamos hoje a pagar ainda mais do que indicou, num processo qualquer de viabilização da “Nova Caixa”.
Enquanto uns adquiriam apartamentos em Nova Iorque e outros “acampavam” com luxo e mordomias em Paris.
Cada vez admira menos que esta ‘troupe’ de “corruptos e criminosos” (Ana Gomes ‘dixit’) tenha posto o País à mercê de um resgate financeiro internacional.
Tem razão e o nosso povo não quer ver o que se passou e o que se está a passar. Mesmo muita gente das nossas elites, e alguma que anda pelos governos, não tem a noção da diferença entre sete mil e sete milhões de euros, ou seja entre 7 000 € e 7 000 000 €. Tenho para mim que poucas pessoas serão capazes de imaginar o verdadeiro valor de mil milhões de euros, e já foram injectados na Banca mais de um dezena de mil milhões. Quem saberá quantos camiões de notas de 100 € seriam necessários para transportar mil milhões de euros?
Seria interessante que alguém, competente, fizesse algumas comparações do género: a quantos novos aeroportos de Lisboa correspondem os prejuízos sofridos pela Banca? Quantos anos de salário mínimo receberam os gestores da EDP, em prémios de gestão? E quem diz EDP, diz CGD, diz PT, tudo nacionalizado, nosso.
Aqui fica a sugestão.
Crystal clear.
Simples assim.
Porque não este post (Anónimo 04:28 ) para comentário da semana, Pedro Correia? Quantos portugueses não se sentirão representados nessas poucas linhas?
Lamento, Fátima, mas o Comentário da Semana não contempla anónimos. Por mais coisas acertadas que possam escrever.
E tem toda a razão, Pedro. Obviamente, concordo.
Desculpe, Pedro, mas não gosto do título.
Nem Sócrates é Robert Redford, nem Salgado é Paul Newman – e se isto é uma comédia, será em forma de piada de camarim – apenas para os actores.
Estou a detestar o livro, e o filme parece ter banda sonora de Limahl.
Sócrates lembra-me Lee Marvin, em ‘Point Blank’. Já li o livro e vi o filme.
Salgado lembra-me Brando. Não dirigido por Kazan mas por Coppola.
“Leave the gun, bring the cannolli”
Continua o festim…
E os incêndios: mais um Pinho a arder.
Bem alertavam os especialistas: o pinho é matéria altamente inflamável.
Aqui se percebe a importância da limpeza das matas: retirar os sobrantes e doentes.
Passos do andar de Massamá meteu-se com os DDT das quintas das marinhas e fizeram-lhe a folha.
Se tem acedido a injetar dinheiro nosso nas salsicharias Salgados talvez a quadrilha de moinantes que se fartaram de mamar ainda se movimentasse à solta no labirinto dos cantos sombrios.
Pagou cara fatura, desde a vingança dos nobres até à ingratidão dos pobres.
https://www.dn.pt/portugal/interior/soc rates-e-pinho-ps-nao-pode-continuar-a-se r-instrumento-de-corruptos-e-crimininoso s-9276900.html
Mas acredita mesmo que a massa de que é feito Passos é pura e impoluta?
Um governante nascido e criado no universo das Jotas que entre ser deputado e deputado foi consultor de empresas financiadas para fazerem nada e sobre cuja profissão apenas descobriu as obrigações fiscais quando surgiram nos jornais?
“Não foi o único”, poderá dizer, “nem foi tão grave”.
Não, aparentemente não foi tão grave, e não, nitidamente não foi o único.
Mas esperava que todas estas notícias, entre suspeitas e certezas, todas estas consequências que ainda mal sofremos, que todas estas ignobilidades levassem os meus concidadãos a exigirem muito mais daqueles que nos representam.
Afinal, servem apenas para enaltecer os prevaricadores de terceira linha.
Um drama, nada aprendermos.
Não, não acredito que é puro e impoluto.
Não confundir quem se distrai com uns trocos tipo gorjeta, com quem se vende para atafulhar a própria gaveta.
Ainda bem que não considera.
Não foram apenas trocos, tal como não foi apenas a Segurança Social – mas nem é esse o meu foco.
Acima de tudo, foram os princípios inerentes à coisa.
No pelotão dos abusadores, a terceira linha é muito menos agressiva. Mas o pelotão continua a ser o dos abusadores.
Quem nunca esteve nesse pelotão ainda que de passo trocado, seja o primeiro a levantar a mão.
Pessimismo ou confissão?! 🙂
Repare, eu só peço competência e idoneidade.
E se a competência ou incompetência dificilmente podem ser provadas antes do exercício, tenham ou não fortes currículos (gerir a coisa pública não é gerir uma empresa, mas só servir no aparelho partidário também não é grande augúrio), já a idoneidade é mais fácil de apurar – embora o passado não seja garante do futuro.
Uma pessoa que, entre ser legislador e ser legislador, ignorou ou fingiu ignorar leis que ajudou a criar e que não são propriamente obscuras e secretas;
Uma pessoa que, entre ser legislador e ser legislador, colaborou em fraudes e no uso indevido de fundos comunitários;
Uma pessoa que, entre ser legislador e ser legislador lesou o Estado que assumiu representar, chega ao mais alto cargo do Executivo e alega desconhecimento das obrigações contributivas? Mantém-se mudo sobre a aplicação de fundos que deveriam ser estruturais?
Para mim não é uma questão de trocos, mas de falta de ética.
“Mas acredita mesmo que a massa de que é feito Passos é pura e impoluta?”
Penso que ninguém é “puro e impoluto”, eu, pelo menos, não espero isso de ninguém. Somos humanos, a “massa” de que somos feitos teve (tem) a mesma origem. Mas que há diferenças abissais entre os níveis de libertinagem moral e ética, e outros, que nos caracterizam como humanos, parece-me indiscutível. E sim, há níveis intoleráveis, sórdidos, tóxicos, perigosos demais. E são tantos os exemplos por esse mundo fora, que só não vê quem não quer.
Realmente, mas é só a minha opinião, não me parece que Passos seja um desses.
Passos não tem responsabilidades nas habilidades de Relvas, Macedo, Portas, seja de quem for – apenas nas dele.
Mas nas dele encontram-se muitas eticamente reprováveis.
E certamente tem responsabilidades por defender aqueles que, ao seu lado, demonstraram incongruência e abuso.
Por não o achar dos com mais mácula o coloquei na terceira linha dos prevaricadores.
Mas a terceira linha ainda é muito má para parir chefes de governo.
Tem razão, não é sério comparar a gestão do Sócrates com a gestão do Passos, nem a relação de ambos com a honestidade.
Não é séria qualquer comparação que sirva para avaliar o menos mau.
As avaliações resultam mais claras e mais saudáveis quando comparamos os nossos governantes e as suas acções com as qualidades que lhes exigimos, e só depois com as políticas que deles esperamos.
O problema é que exigimos pouco.
Sim, também penso que devemos ser exigentes, muito exigentes, para com os nossos governantes, a todos os níveis, desde os autarcas, até aos ministros, sem esquecer aqueles que dirigem instituições que prestam serviços públicos financiados com os nossos impostos
O que me custa é que estas coisas venham à baila quando censuramos políticos desonestos, mais parecendo uma forma de reduzir a culpa dessa gente corrupta. Acho desprezível aquela ideia de que “rouba mas faz” ou “são todos iguais”.
Também lamento que, em termos de seriedade, se exija tão pouco aos nossos eleitos, como, escandalosamente, aconteceu em Oeiras.
Caro Tiro ao Alvo, plenamente de acordo!
Só que Passos não foi chamado para desculpar Sócrates, mas a inversa: usaram Sócrates para enaltecer e lamentar Passos.
Os nossos dirigentes deveriam valer por si mesmos e não pelo resultado de comparações.