A Finlândia é um país com cerca de 57% do PIB em despesa pública. Nos tempos que correm, pouquíssimas economias suportam valores destes (a Alemanha anda nos 44%, a Holanda nos 46%, a Suécia nos 50%), ainda por cima quando acabaram de sofrer golpes significativos (por exemplo: as sanções à Rússia fizeram cair as exportações, a Nokia entrou em queda e a sua divisão de telemóveis é hoje da Microsoft). Apesar disto, o défice público finlandês tem-se mantido abaixo dos 3%, a dívida pública está razoavelmente controlada (em 2014 deverá ter ficado em torno dos 60%) e os números do desemprego, não sendo brilhantes, não podem ainda ser considerados catastróficos (abaixo de 9%). Também o nível de poupança dos finlandeses (cerca de 19,5% do PIB) é razoável, apesar de ter vindo a descer. (Em Portugal, o trajecto é o inverso: a poupança subiu de 9% do PIB em 2009/10 para mais de 15% em 2014.) Ou seja: a Finlândia tem margem para reformas e, mais coligação, menos coligação decorrente das eleições de ontem, provavelmente os finlandeses tratarão de as implementar, como fizeram no início da década de 1990. Em Portugal, com um sistema político menos fragmentado, elas têm-se revelado impossíveis – algo que não deixará de irritar os finlandeses, se alguma vez voltarem a ter de enviar dinheiro para cá.

Como o do link costuma bloquear o que lhe desagrada, recordo aqui que o licenciado a um domingo, um rapaz muito humilde e amigo de reconhecer os seus erros, admitiu que errou ao formar um governo minoritário. Mas o Costa nem o conhece de lado nenhum.
Afinal para que serve o BCE? Para cobrar juros? Para que serve a UE? E esta globalização onde os países de mão de obra barata e infantil, estão a competir com esta UE, cheia de regras, para os seus, mas para os outros é o que se vê? Que queremos nós, UE?
José, a forma como apresenta os dados dão-nos a ideia que o paraíso existe ali por aquelas bandas e nada de mal lhes pode tocar.
Acontece que o os números revelam uma subida constante, desde 2011, nos aspectos que indica como sendo positivos; e mesmo a taxa de desemprego situa-se em 10.1%, com dados de Fevereiro deste ano, e o défice reportado é de 3,2%. Desemprego este que tem vindo a ser compensado com admissões no sector público sem alterar a taxa que reporto: _2015_02_2015-03-24_tie_001_en.html
Quadro 1
http://www.stat.fi/til/tyti/2015/02/tyti
Quadro 2 14_2015-03-31_tie_001_en.html
http://www.stat.fi/til/jali/2014/jali_20
Repare agora na atitude contra cíclica relativamente a salários, mesmo com a produção em quebra e com o aumento do desemprego:
Quadro 3 _2015_02_2015-04-13_tie_001_en.html
http://www.stat.fi/til/ktps/2015/02/ktps
Quadros 4 _2015_02_2015-04-10_tie_001_en.html
http://www.stat.fi/til/ttvi/2015/02/ttvi
http://www.stat.fi/til/ktkk/2015/02/ktkk _2015_02_2015-04-15_tie_001_en.html
Tudo isto para lhe revelar que as políticas para tornear a quebra na economia são em tudo diferentes daquelas que nós adoptamos.
Obviamente que estou de acordo consigo, a situação está aí para ser resolvida com inteligência e não com obediência.
Nota: as estatísticas são oficiais e dizem respeito a números cujas datas vão mencionadas.
José, a Finlândia já entrou em défice excessivo. E a partir de agora virá uma autorização para que os défices possam ser ultrapassados (registe este comentário).
A atitude contracíclica é compreensível mas perigosa, uma vez que as contas públicas deles estão no limiar do razoável. Quanto à autorização para défices excessivos, é possível que aconteça – e será ainda mais errado do que foi em 2008/09, quando se acreditou que nada mais interessava excepto ‘estimular’ a economia. Não é com mais dívida que se resolvem os problemas. Nem com mais despesa pública – em 2008, representava 48% do PIB, agora são 57%. ila-admite-formar-governo-os-euroceticos-d o-partido-dos-finlandeses/
Seja como for, o vencedor das eleições não dá a entender ser essa a estratégia:
Sipilä, de 53 anos, viu crescer a sua fortuna no setor da telecomunicação e da bioenergia. Muito crítico das ajudas à Grécia, a sua principal promessa eleitoral foi a criação de 200 mil postos de trabalho no setor privado na próxima década, ao mesmo tempo que prometeu cortar dois mil milhões de euros de despesa no setor público.
“Não há truques de magia”, disse Sipilä numa entrevista à YLE TV1. “É um projeto a 10 anos para tornar a economia novamente competitiva. O equilíbrio das finanças públicas é uma segunda prioridade”, disse o líder do Partido do Centro, citado pela Bloomberg.”
Retirado do Observador: http://observador.pt/2015/04/20/sip
“A atitude contracíclica é compreensível mas perigosa, uma vez que as contas públicas deles estão no limiar do razoável.”
Esta afirmação é profundamente errada em termos económicos. Nada há de perigoso em atitudes contra-cíclicas por parte dos governos da União Europeia nem existe um limiar razoável para a Dívida Pública.
Agora, se está a falar em termos políticos, aí tenho que dar a mão à palmatória. É perigoso afirmar coisas contrárias à austeridade pela austeridade e a “razoabilidade” são os 0,5% do PIB do Tratado Orçamental.
Porém, que ninguém espere que a “razoabilidade” política se traduza numa melhoria das condições económicas: em vez de aliviar a fase descendente do ciclo, está-se a cavar o buraco ainda mais fundo.
Atitudes contracíclicas têm lógica quando o são efectivamente: ou seja, quando os governos garantem folgas para aplicar em momentos de necessidade. (E, por isso, teria alguma lógica na Alemanha, que tem as contas públicas equilibradas – em parte, vem-na aplicando, instituindo um salário mínimo, por exemplo.) Por cá, a lógica tem sido garantir cerca de 3% de défice em momentos de bonança e ‘seja o valor que Deus quiser’ em momentos de aperto económico. Com moeda própria, seria um erro grave; com uma que não se pode desvalorizar, é suicídio – a menos, claro, que alguém pague a conta.
José, não é uma questão de magia. Repare bem, se tem a actividade económica em queda e se perde mercados – e não só os da Rússia – é da mais elementar racionalidade que se estimule a procura interna. O aumento do valor salarial juntamente com a contratação no sector público está aí exactamente para evitar o pânico, aumentar ou manter o consumo interno e contrariar a deflação.
Creio que foi com o José que partilhei que o aumento dos salários na Grécia originaria um aumento de preços e, em consequência, o aumento da inflação. Com esta ocorrência aumentam-se as colectas fiscais.
Além de isto constituir um estímulo económico, por arrasto oferece a oportunidade não só da manutenção dos postos existente como também criar novos.
Repare que eles não avançaram pela diminuição da colecta às empresas, mas forçam o aumento de salários e o aumento da despesa pública pela manutenção dos empregos existentes, que também beneficiam destes aumentos, e por via de novas contratações.
Se Portugal não possui margem para investimento público acabe com a treta da redução fiscal para as empresas e faça o que o bom senso dita: diminuir o IRS e IVA, com indexação obrigatória desta descida nos preços dos produtos, e mantenham-se os postos activos no sector público, e, por cada saída, nova(s) entrada(s).
Acontece que a formação política que nos rege tem enraizada em seu espírito a tradição da miséria, da pedinchice; e o sistema social, e o empresarial em particular, também vê a miséria como uma situação de normalidade. Porque foi assim que eles foram criados e educados. Faz-me lembrar a visão sobre a miséria que existe nos países latino americanos e africanos que é encarada como uma tradição, uma herança, logo algo que deve ser conservado. Em Portugal não estamos longe desta realidade.
Fazemo-nos muito condoídos mas é só para inglês ver. Amortizamos nossas consciências com a oferta de um simples cabaz a um qualquer miserável. E como os políticos em geral, em particular os ditos do arco governativo, sabem que têm garantidas as suas posições quer no privado quer no público entendem que pimenta no cu dos outros é refresco.
Repare em algo que é da mais elementar noção de solidariedade e responsabilidade social. Os detentores de RSI não vêem sua prestação aumentada desde 2009, e há muitos deles que recebem do estado uma quantia de 170,00, vivendo sós. E o gás e a electricidade e os transportes aumentaram efectivamente para esses também. Quero com isto chamar sua atenção para o facto de o consumo aumentar precisamente através das bocas de quem precisa e não pela concentração de mais riqueza naqueles que possuem para além do necessário, que é onde se concentra hoje essa riqueza.
Trocando por miúdos: Se muitos dos que têm disponibilidades vissem seus recursos aumentados talvez canalizassem esse dinheiro para poupanças. Mas os que não tivessem e lhes tocasse esse bolo certamente que passariam a fazer 3 refeições por dia. Já reparou no que isto significaria em termos do aumento de receitas para os comerciantes e, em consequência, a colecta arrecadada pelo estado em termos de IVA e IRC.
É básico, é elementar, é visível. Só não se vê isto porque se viveu nisto. E não se esqueça que a taxa de pobreza não se circunscreve a estes que referi, mas também aos que trabalham.
O resto que fez o favor de anexar é matéria para apreciar no futuro. Eu duvido que ele o consiga dessa forma.
Não concordaremos na receita do estímulo (pelo menos, forte) da procura interna quando o país não produz grande parte do que consome. Sócrates tentou-o. Repare-se, aliás, que o ligeiro aumento de actividade económica está a reflectir-se essencialmente em bens duradouros (as vendas de automóveis estão a crescer mais de 30%), poucos dos quais são produzidos em Portugal. O equilíbrio da balança de bens e serviços permanece muito delicado; é fundamental continuar a apostar na competitividade das empresas e (ainda mais difícil) na captação de investimento.
Meu caro José, se a competitividade das empresas for medida através da desregulamentação e da subsidiação legislativa e fiscal por via da contracção do poder de compra de seus clientes, fechem as empresas e regresse-se à permuta de bens.
O que este desgoverno está a fazer é encaixar, por via dos empréstimos bancários às empresas, fluxo na banca retirando-o à economia. Eles subsidiam os empréstimos bancários através da redução e subsidiação fiscal e legislativa e retiram àqueles, que são verdadeiramente os que geram os empregos e a actividade produtiva, isto é, aos consumidores. Este ciclo gera perdas contínuas de produtividade e competitividade, na medida em que menor consumo gera menor produção e, em consequência, a menor produção gera custos ainda maiores.
Somos uma país de cegos a guiar outros cegos.
Aproveito a oportunidade para recomendar-lhe uma visita à página do Eurostat e aí colher dados sobre o LCI – Labour Cost Index. Verificará também, pela semântica e números, um sem fim de contradições. Acontece que o que temos em Portugal, em matéria de governação e empresarial, é um conjunto de seguidores e não de líderes capazes de fazer um esforço para pensar objectivamente como sair deste enredo em que as instituições políticas e financeiras dos países, da Europa e do Mundo, incluindo FMI e ONU, nos meteram.
“Não haverá necessidade de mais greves de comboios ou de quaisquer outros transportes, incluindo a TAP que, com o PS, não será privatizada” (Mário Soares)
Já que mencionou a TAP porque tanta pressa na ptivatização quando o governo está em fim de legislatura? Esta greve é inadmissível e incompreensível porque não uma requisição civil? É tudo muito esquisito e muito mal governado.
A iliteracia provoca confusões entre Mário Soares e o comum dos mortais…