Fustigado impiedosamente nos últimos dias (circunstância para a qual, reconheça-se, muito contribuiu), sempre apontado como o elo mais fraco do Governo, candidato permanente ao sacrifício numa eventual remodelação, o Álvaro obteve, ao princípio do dia de hoje, uma importante vitória pessoal. O acordo obtido na Concertação Social marca uma nova etapa nas relações do trabalho em Portugal. Não acompanho os que falam numa revolução por dois motivos: o imperativo constitucional da justa causa permanece e a interpretação que os Tribunais farão das novas normas em matéria de inadaptação será sempre limitada por esta e pela tendência de protecção da posição do trabalhador que é maioritária em termos de jurisprudência. Todavia, o acordo introduz, de facto, um novo equilíbrio no mundo do trabalho, diminuindo de forma significativa a esfera de protecção dos direitos dos trabalhadores. Numa primeira análise, o acordo permitirá efectivamente reforçar a flexibilidade do factor trabalho e diminuir o seu custo (veja-se, a título de exemplo, a redução do preço directo e indirecto do trabalho suplementar). A partir de hoje, o ónus da prova da competitividade passa definitivamente para a órbita da entidade patronal. Os álibis para o défice de gestão das empresas portuguesas são cada vez menos credíveis. Para além disso, a solução final envolve a UGT, isolando a CGTP e reduzindo o potencial de conflitualidade social. Num país que precisa cada vez mais de medir o sucesso pelos resultados, o Álvaro ganhou, desta vez, por goleada. Duvido que o futuro do país passe pela exportação de pasteis de nata. Mas, deve reconhecer-se que o Álvaro fez a sua parte para facilitar a vida aos empresários que queiram investir no negócio.


“o Álvaro fez a sua parte para facilitar a vida aos empresários que queiram investir no negócio.” À custa dos trabalhadores: por acaso neste contrato os trabalhadores beneficiaram em algo?Não – depois insistem que não há luta de classes e que a empresa é uma família a remar para o mesmo lado.
Parece-me claro que o acordo se fez à custa da redução dos direitos dos trabalhadores, JMVFaria. Outra discussão é se isso é ou não benéfico para o mercado de trabalho e, numa perspectiva mais ampla, para a economia.
Como acabei de escrever sobre o tema, permito-me convidá-lo a ler a minha opinião que não é especialmente coincidente com a sua:
http://umjeitomanso.blogspot.com/2012/01/c oncertacao-social-legislacao-laboral.htm l
17 horas de negociação e, no fim, acordo firmado. Ora toma… e aprendamos com quantos paus se faz uma canoa. Chapéus há muitos…
Sempre disse que se deixarem o homem respirar podemos ter grandes surpresas com seu ministério. Esta é a primeira prova.
Agora venha de lá o fim da justa da causa e do salário minímo.
boa! e a escravatura de volta?!
Pois, deve ser preferível mais desemprego e mais impostos.
QUALQUER coisa é preferível à escravatura. Ponto.
A não ser, claro, que o meu amigo esteja a ver do ponto de vista do senhor feudal, ou do negreiro.
Mais, da maneira como as coisas estão, e tendo em conta o passado recente, o meu amigo está em condições de afirmar categoricamente que estas medidas concorrerão para a recuperação económica? Ou é fézada? Ou, mais uma vez, é questão de interesse?
Não não e não. O Álvaro só criou ainda mais leizinhas, e assim mais Estado.
Demonstrou mais uma vez às empresas e aos trabalhadores que devem fazer os possíveis por manobrar dentro do Estado.
Pois é o Estado que determina os vencedores.
Isto explica mais uma vez se fosse preciso porque é que a EDP nomeou políticos.
Desejo o máximo de sorte e de resultados evidentes ao Álvaro. Eu simpatizo com ele e até com as coisas que dão azo a tanto comentário lúbrico dos do costume.
ASPereira fez, tanto quanto julgo saber, o mais completo retracto da economia portuguesa dos ultimos anos. Que evidentemente não é lisonjeiro nem para quem a tem gerido e influenciado ou dela tem beneficiado, nem para os que nos media os têm apoiado. Isso criou logo uma serie de anticorpos, porque algumas vacas sagradas cá da paroquia se sentiram atingidas.
Quando foi nomeado ministro de um super ministerio, pôs-se logo a jeito para toda a especie criticas que começaram logo no 2º dia. E ao fim de um mes, já lhe estavam a pedir resultados, quando o Expresso e outros apoiantes das politicas socretinas começaram a fazer” balanços” do 1º mes de actividade do governo em geral e do ministro da economia em particular. E a partir daí não há cão nem gato que vá às tvs ou escreva nos jornais, já para não falar do PS, que não se atire ao homem como gato a bofe. Até porque ASPereira, tem uma profissão no estrangeiro, e como ele disse ontem na TVI não quer fazer carreira na politica, e quando quiserem, ele vai-se embora porque tem para aonde ir.
Quanto ao acordo, é isso mesmo, um acordo o que implica cedencias de quem está a negociar. Eu tambem acho que se podia ter ido mais longe, mas não foi possivel.
PS O aval que Teixeira dos Santos deu ontem à politica do governo, devia envergonhar o Seguro e os mabecos da 1ª fila do grupo parlamentar do PS. Mas para isso seria preciso que eles tivessem um pingo de vergonha.
“O aval que Teixeira dos Santos deu ontem à politica do governo, devia envergonhar o Seguro”
Há cada uma…
É como achar relevante e significativo o apoio do comandante do Costa Concordia.
O “técnico competente” levou o país à ruína mas pelos vistos para alguns ainda tem reputação. Pergunto-me porquê.
Teixeira dos Santos foi o pior ministro das finanças do pós 25/4. Mas negociou e assinou o memorando da troika, e não renega o que assinou, ao contrario dos apaniguados do ex 1º ministro no Parlamento, e da generalidade dos socialistas com o Seguro à cabeça. Foi tão só isso que eu quiz dizer. Não defendi a reputação de TdosS, e muito menos do seu papel no descalabro que estamos a viver, isso são contas de outro rosario.
Uma vitória pessoal? Não era um imperativo da Troika?
Até simpatizo com o ministro, mas isto foi determinado pelos nossos credores.