Vencendo a intempérie do clima em Lisboa, lá estive na Feira do Livro na sexta, sábado e Domingo e lá estarei todos os próximos fins de semana, à excepção do 8 de Junho, em que irei ao Porto receber um prémio.
Muita gente me pergunta porque é que ali estou tantos dias, quando se sabe que é uma tarefa cansativa, sobretudo para quem, como eu, trabalha com três editoras. Respondo sempre que é o mínimo que eu posso fazer por quem compra os meus livros e vai àquele espaço para me ver e dar um abraço.
De um ponto de vista pessoal, quem publica deve ter uma componente de proximidade e de acessibilidade face aos seus leitores. Eu sei que os “intelectuais” não pensam assim e até há muitos que nunca foram à Feira. Mas eu não sou intelectual, não escrevo para intelectuais. Sou, sim, alguém que tem prazer em partilhar “estórias” e pedaços de si com aqueles que se identificam com as suas palavras. Por isso, estar com essas pessoas e conversar um bocadinho com elas, é uma forma humanizada de lhes dizer “muito obrigada”!
De um ponto de vista pessoal, quem publica deve ter uma componente de proximidade e de acessibilidade face aos seus leitores. Eu sei que os “intelectuais” não pensam assim e até há muitos que nunca foram à Feira. Mas eu não sou intelectual, não escrevo para intelectuais. Sou, sim, alguém que tem prazer em partilhar “estórias” e pedaços de si com aqueles que se identificam com as suas palavras. Por isso, estar com essas pessoas e conversar um bocadinho com elas, é uma forma humanizada de lhes dizer “muito obrigada”!


Bem, parece-me que ando por aqui a “trocar galhardetes” com a Helena, mas quando diz que “tem prazer em partilhar estórias ‘ e pedaços de si com aqueles que se identificam com as suas palavras”, não podia estar mais de acordo. As nossas estórias valem o que valem e para nós são lasquinhas da nossa alma que temos gosto em dar a conhecer, partilhar, em contar, por redenção, por terapia, por procura de identificação ou, muito simplesmente, por prazer de escrever, de palavrar . A primeira pessoa do plural, utilizo-a, porque eu também gosto de alinhar umas linhas, não sou escritora, mas quando me dizem que gostam do que eu escrevo, cresço logo um bocadinho mais. ( “- Mãe, ficas tão feliz, quando nos lês um texto teu!”) Adiante, também me parece que concordará se disser que a escrita só tem sentido (leia-se também legitimidade, validade, utilidade…) se do outro lado estiver quem a receba e, sim, o escritor tem de lhes agradecer e de dizer a quem os lê, que sofre as mesmas dores e ri as mesmas gargalhadas. Deixemo-nos de intelectualidades, de poses muito entendidas. Já não se usam e fazem mal à saúde. Quem é que não gosta de falar, conversar com o escritor, escritora que pela mão os (nos) levou por aí. Eu gostaria de ter dado um abraço à Simone de Beauvoir , à Marguerite Duras, à Virginia Wolf , ao Somerset Maughm , ao Vergílio Ferreira e até à Louisa May Alcott , entre tantos outros. Contentar-me-ia com um autógrafo, é claro. A feira do livro é uma feira, um mercado, uma exposição, o momento em que as editoras dão o seu melhor – estratégias de mercado incluídas – para vender os seus autores, todos sabemos isso e temos de compreender e perceber que quando o livro não vende, todo o trabalho é pouco. Mas o melhor da feira, para mim, que já sou crescidinha, gosto muito de ler e de livros, o melhor, dizia é poder observar, conversar com os escritores que tanto aprecio. E, sejamos honestos, parece-me que não há nenhum escritor que não goste de ouvir. ” Gosto muito dos seus livros, importa-se de mo assinar?” Haverá?
Já agora, se não humanizarmos os nossos actos, somos o quê?!
Se calhar, ao escrever, não lhe passa nada disto pela cabeça, mas de certeza que tem um grande respeito pela escrita, pela sua língua e por tudo aquilo que escreve. Respeito pelos seus leitores já percebi que tem. Bem haja, Helena e continue a escrever.
(o Mia Couto virá à Feira do Livro?)
Nem mais, Linda. Bem haja pelas suas palavras, porque são delas que aqueles que escrevinham se alimentam também!
É o respeito pelo público que os lê. Podem gostar ou não dos seus livros, mas que essa sua maneira de pensar e essa simpatia de aproximação ao ” povo ” merece-lhe os mais rasgados elogios. Os intelectuais não ligam nenhuma a isso, ” atiram-nos ” com os seus livros antecipadamente vendidos por força do nome e promoção e que se lixem quem os compram.
A Helena escreve para partilhar, e estar presente em alguns momentos junto aos leitores é uma forma de partilha importante. Viva muitos anos escritora não intelectual!
Obrigada CR!
sim, nunca é demais realçar que uma feira serve para vender / comprar produtos e a literatura é uma produto para vender / comprar.
tal como a água e a electricidade (necessidades básicas, afinal, das pessoas civilizadas) temos a leitura do consumo, que neste caso, no final da feira, alguém apresentará a leitura do consumo da leitura, perdão: literatura.
Helena, muito obrigada por ser assim capaz de partilhar “estórias” com quem as quer ler, assim como por estar presente na feira do livro para que a possamos cumprimentar. Um bem haja para si
Maria do carmo
Obrigada Maria do Carmo!
Esta Grande Senhora esteve na feira do livro do ano passado apesar da morte do seu Filho Miguel… Prova que esta Grande Senhora é genuína, autentica…
Bem haja, Miguel, pelas suas palavras. Fiz aquilo que eu sabia que o meu filho gostaria que eu fizesse!
Ainda não foi este ano que consegui estar lá ao mesmo tempo, mas eu não desisto de um livro autografado, lá terá de ser 2014 🙂