Quantas de nós, ao longo da vida, não ouvimos já perguntas do género: “Então, quando é que te casas?” Ou a variante: “Então quando é que te casas novamente?” E a questão eterna: “Então quando é que resolves ter um bebé?”
Apesar de as expectativas acerca do papel da mulher na sociedade terem vindo a sofrer alterações ao longo do tempo, ainda se assume, com frequência, que a realização plena das aspirações femininas se prende com a vida familiar estável à volta de um casamento “feliz” e dos filhos que dele resultarem.
Cansada de ouvir as tais perguntas, a artista Suzanne Heintz resolveu brincar com o assunto e criar, artificialmente, uma família que responda ao estereótipo da mulher feliz americana. Para tal, comprou dois manequins que interpretam, nas fotografias encenadas, o marido e a filha “perfeitos”.
O projecto “Life once removed” (que podem acompanhar aqui) inclui fotografias do quotidiano, dos momentos festivos, de férias familiares.
Pelo humor que demonstra e pelo seu significado parece-me um trabalho muito interessante. Claro que uma interpretação mais psicanalítica da obra poderá dar-lhe uma outra perspectiva. Mas fico-me apenas pela ideia e pela sua concretização que, só por si, já têm uma grande força.


UMA ATITUDE DE JUSTIÇA E UMA ADAPTAÇÃO VÁLIDA: o Direito à Monoparentalidade em Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas
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É errado estar a dizer «a Europa precisa de crianças, não de homossexuais»… isto é, ou seja… a Europa precisa de pessoas (homossexuais e heterossexuais) com disponibilidade para criar crianças!
É UMA MUDANÇA ESTRUTURAL HISTÓRICA DA SOCIEDADE: os homens poderão vir a ter filhos… sem repressão dos Direitos das mulheres; leia-se: o acesso a barrigas de aluguer.
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Obs: Quando se fala em Direitos das crianças… há que ver o seguinte: muitas crianças (de boa saúde) hão-de querer ter a oportunidade de vir a ser pais… oportunidade essa que lhes é negada pela ‘via normal’.
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P.S.
Existem muitos homens sem filhos [‘por isto ou por aquilo’ não agradam ás mulheres; adiante] que devidamente motivados/acompanhados… poderiam ser óptimos pais solteiros!!!
A ausência de tal motivação/acompanhamento não só é uma MÁ GESTÃO DOS RECURSOS HUMANOS da sociedade… como também, um INJUSTIÇA HISTÓRICA que está grassando nas Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas.
[ ver blog http://tabusexo.blogspot.com/ ]
as expectativas acerca do papel da mulher na sociedade
que a realização plena das aspirações femininas se prende com a vida familiar estável à volta de um casamento “feliz” e dos filhos que dele resultarem
São coisas diferentes. As aspirações de cada mulher são distintas, e muitas mulheres não aspiram a vida familiar nem a filhos. Já quanto ao papel das mulheres (em geral) na sociedade, parece-me indubitável que esse papel é, de forma crucial, a reprodução.
Cara Ana Lima,
Muito interessante o projecto e mais interessante por ser capturado num meio estático (fotografia). A verdade é que a grande maioria das fotografias são encenações (olh’ó passarinho!), à volta das quais construímos uma narrativa ou moldamos as nossas memórias. O ideal da família feliz – especialmente para quem tem uma “das normais” – não passa disso, de um ideal. As fotografias raramente mostram o resto (as noites mal-dormidas, as birras, as preocupações) e cria-se, à custa disso, um ideal (demasiado) desfasado da realidade.
Portanto, o uso do manequim como substituto de um ser humano real acaba por representar isso mesmo – uma substituição que, na maioria dos casos, representa a realidade por completo. Uma fotografia – ou uma simplificação por via do estereótipo – é isso mesmo: a redução da complexidade humana a um momento, a uma impressão. E nessa redução, tanto vale carne e osso ou plásticos moldados.
Sou homem. A realização das aspirações de grande parte dos homens que conheço prende-se com a vida familiar estável à volta de um casamento feliz e dos filhos que dele resultarem. O trabalho e a carreira é uma seca que é preciso aguentar para sustentar a família, coisa impossível sem a contribuição da mulher, que tinha sido dispensada no meio burguês. (no campo sempre assim foi ao longo de séculos. O homem e a mulher sempre trabalharam em equipe para o sustento do núcleo familiar). Julgar que a mulher é uma vítima deste estereótipo é coisa que me escapa da compreensão. Sempre vi o trabalho e a carreira como um meio para atingir um fim: A estabilidade, o bem estar e o prazer da vida em família.
Que haja outras aspirações, tudo bem. Mas não digam que estas eram ou são atribuídas, unicamente às mulheres.