A falta de hospitalidade


cadernoelastico,

Vaclav Klaus comportou-se pessimamente, naquela cerimónia com Cavaco Silva. Imaginem que tenho uma amiga endividada até ao pescoço. Sei perfeitamente que ela estoirou o cartão de crédito, e é uma perfeita irresponsável. Eu sei disso, mas, felizmente, a vida em sociedade não é regida pela sinceridade impulsiva. Se a convido para minha casa, trato-a bem. Em minha casa, tenho o dever da hospitalidade. Caso contrário, não valia a pena convidar. Simples, certo? Pelos vistos, o presidente da República Checa pode ter imensas virtudes, que as tem, mas a educação não é uma delas. A sinceridade, caros leitores, não é sempre uma virtude. E então a vergonha não está do lado de quem ouve as supostas “verdades” (não é isso que está em causa), mas de quem as profere.

14 comentários em “A falta de hospitalidade”

  1. Caríssima,
    Decerto quis dizer Vaclav Klaus – Vaclav Havel já não é presidente checo.
    No essencial concordo com o seu post – o sr. Klaus tem muita falta de chá e sai mal nesta fotografia.
    Cavaco saiu-se razoavelmente, minimizando a boca do seu homónimo checo.

  2. Cavaco desapontou-me: não os tem no sítio, ao contrário do que se esperaria de um Presidente da República. Há ocasiões em que se deve mandar a diplomacia ao diabo. Devia, em bom português, tê-lo mandado à merda e vindo imediatamente embora. Criar um incidente diplomático. Não consigo imaginar Mário Soares, nos seus tempos de presidente, a passar por enxovalho idêntico. Ou Eanes. Enfim, convenço-me de que somos cada vez mais uma república de bananas. Que sacrifica a dignidade às bananas.

  3. De acordo com o que diz, simplesmente neste caso não se trata de vida em sociedade. Trata-se de uma visita de Estado, o que agrava a situação.
    Como diz antes de mim josé-catarino Cavaco “não os tem no sítio, ao contrário do que se esperaria de um Presidente da República”. Só que ao contrário dele, não estou decepcionada, porque nunca esperei nada dele. Ele é assim mesmo, esta pobreza franciscana, sem golpe de asa, sem estatura, sem nervo político, sem capacidade de reagir na hora a uma desconsideração e enxovalho. Uma desgraça.

  4. gostei de ver aqui abordado este tema. O que o presidente checo disse teve um impacto maior que a nuvem islandesa, mas penso que não se trat dum problema de hospitalidade, mais sim de sinceridade. Tratam-se de culturas diferentes, e nestas não há rodriguinhos nem assobiadelas para o lado, normalmente

  5. Comecei por indignar-me e pensar exactamente como tu. Mas depois, ao ouvir Cavaco sublinhar que estava ali “como presidente” do seu país (ou, como quem diz, sem responsabilidades directas na governação), fiquei a pensar se o puxão de orelhas ao governo português não teria sido encomendado pelo próprio Cavaco numa conversa anterior, em privado. São ambos economistas e ex primeiros-ministros, falam a mesma língua e valorizam os números acima de tudo. Hummm, não sei… achei-o estranhamente contente com tudo isto.
    🙂

  6. A questão principal não é Klaus ser um grosseirão sem nível para presidente da república de seja o que for (isso é um problema checo…), é o nosso presidente não ter diginidade para responder à altura (abandonando imediatamente a visita à República Checa). Cavaco Silva envergonhou-me profundamnete e mais uma vez demonstrou que não tem um pingo de nível, não passa de um reles arrivista. Espero que a direita encontre outro candidato que ao menos tenha capacidade para defender a nação quando é preciso, a bem do debate e da honra de Portugal. Ainda bem que eu não votei nesse zero à esquerda eleito pela direita…

    1. A sinceridade, caros leitores, não é sempre uma virtude.

      Só se for numa sociedade de madames bovaries. A sociedade burguesa é de facto um mundo lindo. E aqui vai um pouco de sinceridade, esse grande pecado: que nojo de pensamento o seu.

  7. Concordo em absoluto consigo Ana, de facto foi um momento muito disparatado deste senhor Vaclav , mas contra isso não podemos fazer nada, já a resposta do nosso presidente deveria ter sido mais apropriada ao comentário, mas esta mania estúpida de nos estarmos sempre a ” ajoelhar “…
    Aqui não se trata de sinceridade, mas é o mesmo que se um ” pai ” não defende os ” filhos “, quem se vai importar com eles? Pode ser que a Rep.Checa nunca venha a ter problemas…nem de défice nem de outra coisa.
    Não gosto de ver quando algum arrogante metido a gozão cospe para o ar, é quase provável que o cuspo lhe caia em cima.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *