Confrontada com um erro, uma falha, peço desculpa com facilidade. Há mesmo quem diga que o faço com demasiada facilidade. Pouco importa.
O problema do erro é apenas um: pode ser deliberado, ocasional, por defeito, por incapacidade, por maldade, por falta de cultura e por aí fora.
Não somos um povo educado para festejar o sucessos dos outros.
Se algo que faço tem um determinado sucesso, prémio, crítica, etc., o telefone permanece no maior silêncio. Se for o contrário, a população virtual ou não, junta-se para partilhar a dor comigo. Tenho sempre a mesma imagem: a ferida aberta e a malta a esburacar para doer mais.
Apontar a falha é português, dizem-me. Pode ser que sim. Passo os meus dias a ver falhas em trabalhos diversos, em sítios diferenciados. Quando um dos meus filhos assume um discurso mais radical, sou sempre a primeira a pôr água na fervura, a procurar ver outro ângulo. Serve este texto para quê? Para vos desejar um bom fim de semana, 24 horas depois de ter chorado a morte de um amigo, alguém que era bajulado e cravado para tudo e por todos e que agora é olimpicamente ignorado. Porque os mortos também morrem. Todos os anos lhe escrevo uma carta e, crime!, a carta deste ano tinha um erro por ter sido escrita de rajada, com o coração. Lamento que algumas almas só tenham o erro a apontar. Que não se recordem do homem que escreveu todos os dias no Público durante dez anos – todos os dias, repito – e que nos deu tanto em tantas circunstâncias. Se era a melhor pessoa do mundo? Não, mas divirtia-se com os erros. Eu não me divirto com os erros, vejo-os e tento perceber como é que surgem. Será por ignorância, por maldade, por cansaço? Talvez seja apenas a dita da falha humana. A partir de hoje agradeço a todos os que me lêem, por uma ou outra razão, que ignorem os meus erros, são decerto fruto de um acaso ou pura ignorância. E quando se é ignorante não se pede desculpa e é-se mais feliz.

Há sempre quem não tenha muito que fazer, Patrícia, e apontar falhas aos outros é a forma de poder de quem não tem mais nenhuma… ora, esquece.
Bom fim-de-semana, minha querida. Sem falhas. 🙂
Adoro-te, Ana, pelo menos tu tens sempre algo de positivo para dizer, escrever, pensar. Eu estou tão cansada de merdas. Bom fim de semana querida. Beijos
Oh, Ana! Não acha útil um “comentador” advertir para o erro de se escrever (e insistir em escrever) “marquesa da lorna” em vez de “marquesa de Alorna”? Considera isso “uma forma de poder”? Francamente…
Útil? Claro que não, ainda mais quando é evidentemente uma gralha. E sim, apontar falhas aos outros pode ser visto como uma forma de poder. Triste, mínima, ridícula, mas ainda assim um poder para quem não tem outros. É como aquelas pessoas que não falham uma reunião de condomínios e levantam sempre imensos problemas. É a única assembleia que alguma vez lhes dará atenção.
Lamento que esteja redondamente enganada e que, com isso, me tenha decepcionado. Mas… é a vida, como dizia o outro. Passe bem!
Pois eu posso dizer exactamente o mesmo.
Como é que pode dizer “exactamente o mesmo”? Porventura sabe quem sou? Mas fiquemos por aqui. É que as nossas “armas” são desiguais: V. pode, a qualquer altura, “calar-me o bico”, coisa que não está ao meu alcance…
Desejo-lhe, claro, as maiores felicidades, a par de alguma capacidade de reconhecer que nem sempre detém o exclusivo da razão.
Vou dar-me ao trabalho de explicar-lhe o que é óbvio: posso dizer exactamente o mesmo porque também você me decepcionou. Uma coisa é ser uma espécie de corrector ortográfico do Delito, o que se tolera perfeitamente e até pode ser útil, outra coisa muito diferente é emendar uma gralha evidente como se fosse um erro por ignorância, e ainda teimar na ironia. Entendeu agora? Não lhe fica bem porque demonstra mesquinhez.
Quanto às armas que temos, não há dúvida de que são muito diferentes: você sabe perfeitamente quem eu sou, porque não me escondo atrás de um cómodo anonimato para dizer o que penso. Já eu, não faço a menor ideia de quem você é. Como vê, a vantagem está a seu favor, até porque eu nunca lhe “calei o bico”. Já devia saber que não censuro comentários.
Não tenho o exclusivo da razão, de facto, mas tenho-a neste caso.
Deixe-se de tretas!
Nem neste caso tem razão. O erro não era apenas ortográfico, uma vez que, alertada para ele, a autora insistiu…
A propósito: no seu texto, há uma vírgula a mais a seguir a “Já eu”.
E esta, hein!?
Vá arejar, criatura. Vai fazer-lhe bem às vírgulas.
E chega de conversas consigo. A partir de agora, vírgula, por mim, vírgula, vai ficar a falar sozinho.
Além de parvinha, V. gostava de ser o quê?
Santa. Mas não sou, por isso vou deixar de publicar os seus comentários. Só para não ter a tentação de responder-lhe, percebe? E era só isto. Boa noite.
Olha…. eu gostava de te chegar aos calcanhares….. até nos erros 🙂
Patrícia, quem, perante um texto, não sabe dizer nada tem um particular talento para encontrar a virgulazinha mal arrumada, a concordância verbal fora do sítio, o erro ortográfico. Sempre foi assim e sempre será.
Acha que escrever (e insistir em escrever) “marquesa da lorna” em vez de “marquesa de Alorna” é uma “virgulazinha mal arrumada”, um “erro ortográfico”?
Parabéns por tanta clarividência.
Obrigada, minha senhora. Nunca me imaginei dotada de tal dom. É sempre agradável quando os outros descobrem em nós qualidades que desconhecíamos existir.
Tens toda a razão, Patrícia: «Não somos um povo educado para festejar o sucessos dos outros.» Isso percebe-se todos os dias à nossa volta, a propósito dos mais diversos temas.
E tens razão de novo quando sublinhas que «os mortos também morrem». Por vezes esta segunda morte – a morte por esquecimento, a morte civil após a morte fisica – é ainda mais cruel do que a primeira.
Bom fim de semana. Um beijinho.
Malta, tenham um bom fim de semana. Como diz a minha mãe, o texto é sobre a ausência, a falta, a saudade de Eduardo Prado Coelho. A vírgula, o poder, a Marquesa de Alorna só têm a importância que lhe queiram dar. Algumas pessoas:) Sim, não somos educados para festejar o sucesso dos outros e esquecemos depressa. Ora depressa e bem… Um beijo e quanto ao senhor ou senhora, não faço ideia, que tanta importância dá a à senhora dona Marquesa aconselho vivamente a leitura de Luzes de Leonor, tem mais de mil páginas, é de Maria Teresa Horta, Publicações Dom Quixote, levou treze anos a ser escrito e tive o privilégio de ler antes de muitos. Não é uma leitura fácil ou para todos? Não, mas o mundo também não é de todos:) bom fim de semana
Ai Jesus, vírgula aparece sem acento. Peço imensa desculpa.
Meus amigos, com erros ou sem erros, eu gosto muito de vos visitar e, é saudável haver aqui tantas opiniões diferentes que falam das mais diversas facetas da vida e da sociedade – o resto são balelas.
Metendo-me onde não fui chamada, mas uma vez que sou uma espécie de Suiça neste mal entendido, vejo tudo isto, precisamente, como um mal entendido. O comentador A Pau corrigiu um erro. A Patrícia Reis estaria num dia mais sensível, como é perfeitamente compreensível, e talvez tenha colocado uma conotação mais negativa no comentário do que aquela que teria. Ninguém gosta de ser corrigido em público, muito menos num texto com uma carga emocional como aquela se coloca num texto sobre um falecido amigo.
Se eu fosse o/a A Pau teria optado por não corrigir, dada a situação. Mas o A Pau não tinha de “recordar o homem” com o sentimento com que a Patrícia o recorda. Talvez não o conhecesse, talvez tenha lido apenas um texto. Talvez tenha demonstrado alguma insensibilidade ao fazer uma correcção num texto tão pessoal e especial. Mas também há imensos posts no Delito dedicados especialmente a apontar os erros de português de outras pessoas.
Não vale a pena perder tempo com aquilo que pode ser apenas uma má leitura de intenções, típica da escrita cibernética. As minhas condolências pela perda de um amigo, cara Patrícia. Foi uma bonita homenagem.
Inteiramente de acordo.
Note, por favor: fui amigo do Eduardo (que nada tem a ver com isto) desde a juventude de ambos.
É preciso dizer mais alguma coisa?
Sara, só para encerrar este desagradável assunto: não foi a correcção, foi o tom. E a insistência.
Irra!
Para todos e para que não haja confusões inúteis: vamos morrer e não sabemos quando, não somos iogurtes, não temos prazo de validade. Às vezes erramos e há quem só veja isso. Não será por mal, nem por bem. É o que é. As pessoas são diferentes. O que importa para mim, e acredito que para muitas outras pessoas, é o que nos liga, a memória, o sentimento de pertencer ou não a determinado espaço. Fui convidada para estar no Delito pela Ana Vidal – que não se esconde atrás de um pseudónimo, tal como eu não o faço – e aceitei com agrado. Gosto de ler todos os dias, gosto do Rui, da Leonor, do Pedro, da Ivone, do Sérgio e todos os que aqui partilham gostos, experiências, emoções, fotografias, músicas. A maioria não conheço, mas há um afecto que se vai criando com a leitura dos textos e com a respectiva partilha. A correcção e a insistência – como se eu tivesse feito algo deliberadamente ou fosse ignorante – pode incomodar e pode ferir num momento menos simpático da nossa vida, mas terá assim tanta importância? Terá o nosso corrector de serviço lido o excelente livro de Maria Teresa Horta? Terá visitado o Eduardo Prado Coelho quando estava em baixo, doente, pouco dado a alegrias? Terá partilhado com alguém uma amizade cheia de risos e choros? Para mim, a amizade é a melhor forma de amor e aqui, no Delito, sem conhecer ninguém na intimidade sinto-me bem e em casa. O resto pouco importa. Todos os dias, no Facebook, dou os parabéns a quem faz anos, mesmo que não faça ideia quem seja a pessoa. Perguntarão porquê? Simples: por ser a coisa educada a fazer, por ter sido ensinada assim. Abri a conta do Facebook e mantenho um blogue por insistência das editoras com quem trabalho que consideram que são boas formas de promoção. Aceito todos os convites, é uma ferramenta de trabalho, não é para contar a vidinha, como escreveu O’Neil (espero que esteja escrito correctamente). Podia dar menos de mim e não postar nada diariamente? Sim. Podia não recordar os amigos publicamente? Sim. Mas se o fiz e cometi um erro de escrito, pois o erro que se foda, peço desculpa pelo verbo. Agradeço a vossa solidariedade e esta coisa de diversão virtual que é ver quem diz mais o quê, mas acredito que o Eduardo, esteja onde esteja, já se divertiu o suficientemente com tudo isto e ele sabe que eu sei quem é a Marquesa de Alorna e outras tantas coisas. Também sabe as coisas que eu não sei. Muitas delas nem eu suspeito não saber. Vou aprendendo. Com tudo isto aprendi a dar razão à minha mãe: não desperdiçar energias com coisas que não valem um caracol. O que é um caracol? Tanta coisa. O que importa? Dar os parabéns a quem os celebra, mandar a biografia da Clarice Lispector a quem se suspeitar adorar, ouvir a Alanis e não escrever o apelido porque me posso enganar e brincar com a ideia de que o mundo se divide entre as pessoas que apoiariam o Hitler em 1933 (altura em que ganhou a maioria para o lugar de chanceler alemão) e as pessoas que não o apoiariam (desculpem a lição de História, mas sempre é a minha formação e como tal…). Eu não apoiaria. Tenho a certeza. Deve ser o meu lado judeu:)
Não preciso de dizer-te uma vez mais que aqui estás em tua casa, Patrícia.
No que me toca pessoalmente, há pessoas que entram na minha vida quase por acaso e ficam nela para sempre, por direito próprio. Aconteceu-me recentemente uma amizade espontânea e inesperada com duas mulheres de mão cheia, e tu és uma delas. São coisas que não se explicam, porque nem tudo tem de ter uma explicação. Explica-se a cumplicidade, a confiança intuitiva? Acho que não. Aceita-se, agradece-se, usufrui-se dessa dádiva rara. Mas para que isso nos aconteça é preciso estarmos abertos à possibilidade do milagre. O que implica estarmos abertos à vida, abertos aos outros.
Reconheço, mea culpa, que tenho uma natureza crítica que me faz descobrir em tudo a caricatura, o ridículo. E embora o sentido de humor seja um património importante, pode ser tramado ser-se assim porque nos pode levar a grandes injustiças com as pessoas e nos impede muitas vezes de conhecê-las como realmente são, por causa de um qualquer pormenor irritante. Mas há uma diferença, apesar de tudo, entre brincar e magoar deliberadamente. E aprendi à minha custa (há outra forma?) de há uns anos para cá e por razões que não interessa agora, a procurar ver nos outros o que têm de melhor e não o contrário. Agradeço à vida essa preciosa lição e aconselho a todos o exercício. É muito, muito libertador. E a vida é curta de mais para nos enredarmos em menoridades que só nos diminuem.
🙂 é tudo isso e um pouco mais, Ana. Quando nos toca à porta algo de grave as prioridades mudam, o sentido da vida é outro e, surpreendentemente, é curto. Sim, é preciso valorizar o que temos, quem encontramos, o que se faz de bom. O humor é maravilhoso, mas é tantas vezes feito apenas para dar cabo, destruir, que me pasmo todos os dias. Até coisas que estão em jornais, revistas, blogues, FB, televisão. Deve ser por esta e por outras e deixo os ténis no frio! beijos amiga, bom domingo
No fundo, o que me parece é que há muita gente por aí com vidas tristes, vazias. E depois azeda, claro.
Um bom domingo para ti também.