A extraordinária experiência governativa de Franquelim Alves


Rui Rocha,

Franquelim Alves foi nomeado Secretário de Estado da Inovação e mais não sei bem o quê em Fevereiro de 2013. O feliz contemplado tinha um percurso profissional em que sobressaíam funções de gestão e responsabilidade no BPN. Pelo visto, em dez milhões de residentes em Portugal e mais uns quantos espalhados por esse mundo fora, e também em Vancouver, não havia mais ninguém qualificado para a função. Tinha de ser ele. Só Franquelim era inovador, brilhante, criativo e um par de botas com os respectivos cordões. Tinha, aliás, cara disso. Do alto da incompreensão da situação portuguesa que Passos Coelho foi demonstrando em diversas ocasiões (a referência aos piegas, à emigração dos professores e outras passitudes de que não me quero lembrar) e com a proverbial e exacerbada teimosia que se diz ser frequentemente sinal de um razoável e incrustado défice de inteligência, o então primeiro-ministro pregava com tal nomeação mais um valente sopapo na carranca dos portugueses. A mensagem era clara: os portugueses deviam pagar o BPN; e deviam ainda tolerar como governante alguém que, com dolo, negligência ou por simples acaso esteve ligado a um dos mais vergonhosos casos de delapidação de património público e privado. Chama-se a isto dobrar a espinha. Pois bem. Pouco mais de 6 meses passados, Franquelim Alves, o único, o inigualável, o extraordinário, o inimitável, sai do governo na remodelação em curso sem que se lhe conheça qualquer façanha ou facto meritório. Ficará para a história, todavia e apenas, mais um episódio de profunda falta de respeito do então e ainda primeiro-ministro. É como se diz. Portugal está tão cheio de imbecis que, se tivermos o azar de entrar mais um, caímos todos ao mar. Com Passos Coelho à frente.

10 comentários em “A extraordinária experiência governativa de Franquelim Alves”

  1. Também acho um piadão a o Tozé ter chegado ao governo sem lá estar. Ninguém adora austeridade, obviamente, mas é a política que tem sido seguida com empenho ao longo de 2 anos e agora, por milagre, sem eleições nem nada, entrámos num novo ciclo de crescimento e emprego. E não se descortinam eventos fenomenais que tal tenham permitido. A execução orçamental é o que se sabe, os cortes dos 4.7 mil milhões estão contratados, a Europa não desatou a crescer em flecha, não foi noticiada nenhuma nova Auto-Europa, não se descobriu petróleo, houve apenas, ao que parece, um leve ameaço de crescimento.

    Até um que queria por os funcionários públicos a trabalhar 40 horas semanais (que brutalidade!) já veio dizer que é só até o escurinho se ir embora e depois se voltará alegremente às 35 horas semanais. Vamos longe, vamos.

  2. O propósito do Franklin foi lançamento de papagaio, para ver se com raios e coriscos tiravam de lá o Álvaro.
    Saindo o Álvaro pela pedreirada livre, o Franklin já não serve propósito nenhum, até porque entra outro notável da SLN, com um CV de trapaças que fede muito mais.

  3. Não concordo com a parte em que diz que isto se chama dobrar e espinha. Se esta gente tivesse espinha as coisas não estariam assim.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *