Fala-se muito em populismo e na tensão que o fenómeno está a criar na integração europeia, mas o termo não é definido.
Os populistas tendem a ignorar rótulos ideológicos e procuram simplificar as ideias simples do homem da rua. Em textos anteriores, separei populismo de esquerda e de direita, mas em boa verdade as distinções não são evidentes. O populismo desconfia dos capitalistas, da banca e dos especuladores financeiros, detesta as instituições internacionais e as potências. No caso europeu, há forte retórica eurocéptica e críticas duras aos Estados Unidos e Alemanha, sobretudo quando a opinião pública fica com a percepção de que houve interferência nos assuntos internos. A resistência fictícia ou real a essas pressões garante ganhos imediatos de votos. Podia dar muitos exemplos, mas basta referir que ao longo dos últimos anos a esquerda portuguesa sempre se referiu ao anterior governo como subserviente dos interesses alemães, uma das ideias mais persistentes e negativas que a direita enfrentou.
Os populistas esperneiam antes de aceitar o inevitável, como fez a Grécia, mas acima de tudo seguem uma agenda nacional, são adversários da globalização, preocupam-se com os perdedores deste processo, querem reforçar as funções do estado e as companhias de bandeira, tentam interpretar a todo o momento a sensibilidade do povo, distanciam-se da opinião publicada. Os populistas da direita, por exemplo, erguem trincheiras contra a imigração em massa e o que isso implica de perigos (reais ou imaginários) para a identidade nacional ou para os salários futuros. Os populistas governam por sondagens e desconfiam das elites mediáticas e dos partidos tradicionais, embrulham-se na bandeira, gostam de feiras de enchidos, enchem a boca com as palavras valores e tradição, combatem os privilégios dos ricos e assumem-se como defensores dos mais fracos e como opositores dos piores aspectos das culturas forasteiras.
O discurso é iliberal, repleto de adjectivos e entra facilmente na linguagem. As versões radicais desta estratégia de poder serão suavizadas, para não prejudicar os interesses dos países. É por isso que a ascensão do populismo dificilmente destruirá a União Europeia ou deixará a Alemanha num limbo de isolamento onde esta teria de procurar o seu próprio caminho. E, no entanto, está a ser ultrapassado um ponto de não retorno neste processo de mudança que acabará por criar um mundo diferente.

Por outro lado temos os não populistas que dizem que o povo ainda não está pronto para a democracia e que eles é que sabem a solução melhor para tudo.
Também não são flores que se cheirem.
Governar sem ouvir o povo, contra os interessas da maioria da população não é populista, mas também não é democracia.
O último período/frase do texto surpreende o leitor.
Não sei bem se é um golpe literário ou uma verificação sincera.
O que eu sei é que estou de acordo com ele.
E estou feliz por isso.
…”um mundo diferente”… que tem sido traçado, metodicamente e, há décadas, “a régua e compasso”…
Este texto é mais uma vez a manipulação da linguagem e a destruição do significado natural de uma palavra para um significado maipulatório e falso.
O Estado Social não é Populismo? A Constituição da Republica Portuguesa não é toda ela um monumento ao Populismo? o IRS progressivo não é Populismo?
Ter défices todos os anos e aumentar a divida de 15% do PIB para 130% não é Populismo?
E estes recordes de défice e dívida não é também Extremismo? Ou um recorde não é algo extremo?
O PS o PSD , o PSF , o PSOE, a CDU(da Merkel) , o SPD etc etc. são todos partidos populistas.
E se não fossem não tinham muitos votos. Eles prometem tirar a x para dar a y.
E é assim que funciona a Democracia hoje. Uma organisação de Governo cada vez mais populista uma vez que os limites de poder Constitucionais são cada vez menores.