Ler os jornais e os portais é uma forma muito bizarra de ver a vida. Hoje o mundo gira à volta da enfermeira, com apelido português, descendente de indianos, porventura de Goa, que se suicidou depois de uma brincadeira de uns tipos de uma rádio. Os mesmos tipos que já foram à televisão de lágrimas pedir desculpa e explicar que tudo não passou de uma brincadeira.
Eu cá tenho carteira profissional de jornalista, portanto vamos às coisas básicas: se a senhora caiu para o lado, porquê a teoria de suicídio? Se a senhora atendeu o telefone da estação de rádio com tendência para brincadeiras e passou para a chefe ficou muito abalada? A senhora teria uma relação de proximidade tão grande com a Princesa de Gales e a putativa gravidez que ficou transtornada pelo assunto ser comentado? Irra. Outra vez. Há quem esteja na fase dos porquês, eu estou na fase do Irra.

Essa tal Princesa das Galés não conheço.
Caro, o defeito é meu, é uma gralha obviamente, mas se lhe deu um enorme prazer esta chamada de atenção, fico contente, uma das coisas que me faz feliz é contribuir para satisfação de terceiros. Um resto de boa semana.
” já foram à televisão de lágrimas ” também é giro. Mas não sou eu que tenho carteira profisional de jornalista.
E porque raio andarão destroçados (sic) os autores de tão divertida e inofensiva brincadeira? Deviam mas era comemorar abrindo umas garrafitas de champanhe australiano, que também o há.
Eu cá acho triste, mas isto sou eu.
com apelido português, descendente de indianos, porventura de Goa
Há milhões de indianos com apelidos e também com nomes próprios portugueses que não são de Goa nem têm qualquer ligação a Goa. Milhões, literalmente. Vá a qualquer lista telefónica da Índia e encontra apelidos portugueses a dar com um pau. E a imensa maioria dessas pessoas não tem absolutamente nada a ver com Goa.
Segundo me foi explicado uma vez por um indiano (mas não sei se é verdade ou não), era costume os padres católicos portugueses, quando convertiam um indiano, batizarem-no com um apelido português. E eles faziam em toda a parte da Índia. O resultado é que os apelidos portugueses estão espalhados por todo o lado.
Também há muitos nomes próprios portugueses na Índia, fora de Goa. O antigo campeão indiano de ténis, já não me lembro como se chamava mas tinha nome próprio e apelido portugueses, apesar de ser bengali.
Tem toda a razão, Luís, e ainda se podiam acrescentar outras coisas, mas quando escrevi saiu assim, é um blogue, não é um livro. Há uma tendência para corrigir e eu vivo bem com ela. Até agradeço quando aprendo. Ao contrário de muitos não me ralam os comentários menos simpáticos e publicam-se todos, a todos dou aprovação, as pessoas têm direito à sua opinião e têm todo o direito em discordar de mim.
Tem toda a razão, Luís
Por acaso não tenho assim tanta razão… o campeão indiano de ténis que referi, Leandro Pais (eles escrevem Leander Paes), vive na Bengala mas é de facto originário de Goa.
Luís, digamos que tem toda a razão quando diz que existem nomes e apelidos em várias zonas do país. Assim fica melhor, certo? Uma boa semana.
A autora do post, Patrícia Reis, sabe que ainda existem pessoas com valores como honra, brio e vergonha?
É normal que não esteja habituada a ver isso frequentemente mas existem pessoas que levam a sua ética profissional muito a sério e para quem a deontologia não é apenas uma palavra banal…
O relativismo acerca dalguns valores não deixa nunca de me espantar e ainda mais, sendo jornalista, não se tenha perguntado que género de valores algumas classes profissionais advogam, assim como do porquê desta situação ter ocorrido…
Se para uns isto não passa duma brincadeira, outros levam bem a sério o seu desempenho profissional…
Pergunte-se que género de pressões não deve ela ter sentido ou então interrogue-se ( se virmos isto doutro prisma)… como é que alguém é encontrado morto no meio duma rua… Suicídio? Estranho local para cometê-lo…
Mas acima de tudo… não torne ridícula a seriedade…
Caro Mauro Germano, não era minha intenção torna ridícula a seriedade, talvez o post não tenha cumprido a sua função. Explico melhor: estando de molho, em casa, percorri os diferentes jornais e portais e deparei-me com as versões que, de forma, sucinta escrevi: a senhora atendeu o telefone, passou à chefe, a pergunta era sobre a gravidez da princesa de Gales (peço desculpa pela putativa gralha neste ou em qualquer texto, não sou purista no que toque à escrita em blogues, o que me leva a muitos comentários ofensivos, mas eu faço por não ligar), a senhora enfermeira saiu e caiu e morreu. Os senhores que ligaram eram de uma rádio e já pediram desculpa na televisão. A senhora tem um nome português e terá descendência indiana, o que não é surpreende no caso da geografia em questão. Pronto. Não quis de forma alguma gozar com a morte da senhora, não é o meu género. Não quis tão pouco desvalorizar a investigação que terá de ser feita, a senhora pode ter morrido de ataque cardíaco. Se algumas das minhas questões colocam questões do foro deontológico, pois eu não as entendo assim e peço desculpa teremos de concordar que discordamos. Aproveito para lhe dizer que não sendo novata nas coisas dos jornais, sei como se fazem e como funcionam as informações que, de repente, podem parecer mais do que são. Posto isto, tenho que lhe dizer que lamento profundamente o tom do seu comentário, eu nunca o escreveria. Por uma questão de delicadeza? Não sei, o que sei é que tudo pode ser escrito sem ser uma agressão e também sei que ando há anos a defender o código deontológico e a pagar o sindicato. E, ao contrário de muitos, acho que são sempre precisas três fontes para confirmar uma notícia. Desejo-lhe uma boa semana.
Já agora, deixe-me dizer que o texto tem uma gralha, o texto anterior, e peço desculpa por isso. Quando escrevi o post a maioria das notícias ainda não tinham muitos pormenores. Isso é que eu considero mau jornalismo, atirar com uma história às pessoas sobre outras pessoas sem ter todas as informações reunidas. Boa semana
Do artigo, só mesmo os tags se adequam (jornalismo de merda)
Obrigada, Miguel. Um resto de boa semana.
A Senhora que se diz jornalista devia era informar-se melhor antes de escrever tantos disparates … «a Princesa de Galés»…. «suícidio»…. «caiu para o lado» … «putativa gravidez» ….
«jornalismo de merda» ……..
Caro Gastão, todas as palavras que coloca entre aspas, com excepção óbvia da gralha que é uma gralha não é o fim do mundo, são retiradas das diferentes notícias que li em diferentes sites, portais, jornais on line: “Princesa de Gales”, “suicídio”, “caiu para o lado”, “putativa gravidez”. O meu post, pelos vistos, incomodou muitos e peço desculpa pelo disparate que é incomodar as pessoas com uma história que é apenas triste. E que foi mal contada, pela manhã, em vários órgãos de comunicação social. É certo que tenho carteira profissional e tal e que sou muito crítica quanto à forma como se fazem as coisas nos jornais de hoje, mas limitei-me a reproduzir, lamentavelmente não coloquei as aspas, não indiquei as fontes. Se o tivesse feito os comentários, o seu e outros, seriam menos agressivos? Não faço ideia. Seja como for, da mesma forma que acho que isto é mau jornalismo ou merda de jornalismo, também considero que o temos de qualidade e sempre que acontece digo, informo, divulgo. Não tenho a mania que a vizinha da galinha é melhor do que a minha ou a nossa e temos excelentes profissionais. Dito isto, lamento o tom do seu email, mas fazer o quê? Desejo-lhe uma boa semana.
Concordo, Patrícia. A falta de informação é gritante, a extrapolação excessiva. Já tenho perguntado: Jacintha tinha dívidas impagáveis? Andava deprimida? Tinha problemas de saúde? Não fazemos ideia. Ainda que demos de barato o suicídio (e um jornalista não poderia fazê-lo), até o estabelecimento da relação causa-efeito é prematuro, para já não falar da responsabilização dos radialistas. O assunto nem me parece assim tão interessante mas, se alguém o aborda como jornalista, deve fazer um trabalho melhor do que vi até agora.
Pois era esse o meu ponto. Obrigada. Boa semana
” 4. O jornalista deve utilizar meios leais para obter informações, imagens ou documentos e proibir-se de abusar da boa-fé de quem quer que seja. A identificação como jornalista é a regra e outros processos só podem justificar-se por razões de incontestável interesse público”
do Código Deontológico dos Jornalistas portugueses
Precisamente, Francisco, por isso é que me parece que, de manhã, ao ver as notícias o mundo está do avesso e o jornalismo – de que gosto tanto – não é o que deveria ser. Precisamente por questões deontológicas e éticas. Escreve-se de forma leviana. Talvez não seja esse o seu ponto, mas é o meu. Fui ensinada que devemos confirmar as notícias junto de três fontes e, objectivamente, naquela manhã os diferentes portais e blogues agarraram uma notícia de televisão estrangeira e, na minha opinião, da pior maneira. Um resto de boa semana