A EDP afinal vai para os chineses.


Luís Menezes Leitão,

 

Confesso que não me consigo congratular com o facto de uma grande empresa estratégica como a EDP ir parar às mãos dos chineses, quando havia candidatos europeus e brasileiros. Diga-se o que se disser, isso só significa a confirmação da decadência da Europa, o que, como disse Passos Coelho, é preocupante. E demonstra também que o Brasil não constitui ainda uma alternativa suficientemente forte onde Portugal possa ir buscar apoio nos tempos mais próximos. Assim a EDP no futuro vai falar chinês. A China assume-se como a grande potência do séc. XXI, podendo comprar todas as empresas estratégicas que existem nos diversos continentes e assim assumir uma posição dominante à escala mundial. Como se refere neste vídeo, tudo isto é consequência da política de despesismo irresponsável em que o Ocidente se envolveu. Porque, ao contrário dos ocidentais, os chineses não gastam irresponsavelmente. Os chineses trabalham. É por isso que neste momento se tornam donos de tudo o que os ocidentais possuiam.

14 comentários em “A EDP afinal vai para os chineses.”

  1. “…o Brasil não constitui ainda uma alternativa suficientemente forte onde Portugal possa ir buscar apoio nos tempos mais próximos.”

    O Brasil é sim uma alternativa forte – e a Eletrobras mais ainda… Agora, se o governo português entendeu não haver riscos de entregar tal poder a um governo de uma ditadura totalitária e de decisões secretas, paciência. Mas isso não tem nada a ver com “alternativa”, que existe, mas com uma decisão do atual governo português. De que vai haver arrependimento em algum momento das próximas décadas, tenho certeza…

    1. Eu disse que não me congratulava com a decisão. E obviamente teria preferido que o Governo vendesse ao Brasil, mas parece-me que não apresentou uma proposta tão forte como a da China. Quanto ao facto de nos irmos arrepender, é bem capaz de ter razão…

  2. Não faz sentido o que você disse e mais. é preocupante. Implicitamente culpa todos nós por uma vida decente, democrática,livre! Nem lhe ocorre os financeiros corruptos,os empresários míopes…

    Se não é ironia,emigre!

    1. Emigre você e de preferência pela fronteira ocidental. Eu não critiquei as pessoas por uma vida decente, democrática e livre. Critiquei os gastos excessivos. Quanto à capacidade de trabalho, é óbvio que a produtividade chinesa é muito maior. E isso numa época de crise faz toda a diferença.

  3. Isto é uma inversão no mínimo um pouco estranha. Se a EDP vale o que vale é em larga medida devido ao trabalho dos portugueses que a construiram. Qua haja uns que a tenham alienado irresponsavelmente, isso é outra história.

    Quanto a gastar irresponsavelmente, os chineses inventaram o fogo de artifício. Ok?

    1. A verdade é que foi necessário arranjar dinheiro, e nessa altura tem que se vender as jóias. Vão-se os anéis para ficarem os dedos. Quanto ao fogo de artifício, se foram os chineses que o inventaram, são os portugueses que continuam a gastar dinheiro em foguetórios.

  4. Todas as grandes empresas multinacionais que se “piraram” de Portugal, eram oriundas de paises ditos democráticos… ganhamos muito com a democracia do capital!!!!

    Se fosse para os alemães… daqui D’el Rei… “baixámos as calças à tia Merkell…

    A China que venha por bem!

  5. É a velha fábula da cigarra e da formiga, Luís. Sempre assim foi, e este ocidente de alegres e inconscientes cigarras bate agora à porta das diligentes formigas chinesas. Parece que temos sorte, apesar de tudo: não nos mandaram dançar.

      1. Miserável é a sua, Luís Rodrigues, se não é capaz de entender uma ironia. Além de que eu me referia ao ocidente em geral, e não a este negócio em concreto.

        1. LR critica a venda de 21% da EDP à China. Como criticaria a venda à Alemanha. Como criticaria a venda ao Brasil. Como criticaria se os chineses não injectassem 8,7 mil milhões de euros na economia portuguesa. Como criticaria se os chineses não viessem criar mil postos de trabalho. Como criticaria se Portugal não fosse um país capaz de atrair capital estrangeiro. Como criticaria se Portugal não fosse uma economia aberta. Como criticaria se não fosse feita alguma coisa para estancar a crise. Como critaria se. E se. E se.

          1. Pois. A criticar sempre fomos excelentes. Já a produzir…
            Ao contrário de ambos os Luíses (Menezes Leitão e Rodrigues) não vejo nenhum mal nesta venda de acções aos chineses desde que fiquem salvaguardados os interesses de funcionários e consumidores da EDP. Alienou-se 20% do capital do Estado numa empresa em que o Estado já não era accionista maioritário. As negociações foram demoradas e obtiveram o acordo dos outros accionistas, e ao que sabemos tudo foi feito com grande transparência. Foi um bom negócio para o país, na situação actual do país e da Europa, e ganhou quem apresentou a melhor proposta. Além disso, só é viável fazer bons negócios com empresas prósperas e em boa situação financeira, como é o caso da EDP.

  6. “Os chineses trabalham. É por isso que neste momento se tornam donos de tudo o que os ocidentais possuíam.”

    Acho que a questão não é tanto a produtividade do trabalho, mas as condições desumanas em que esse trabalho é realizado. A única “virtude” da China neste processo de crescimento económico, é ter milhões de miseráveis dispostos a trabalhar por um naco de pão. Tal como “a virtude” de Angola é ser um país sem lei.

    1. “Acho que a questão não é tanto a produtividade do trabalho, mas as condições desumanas em que esse trabalho é realizado. A única “virtude” da China neste processo de crescimento económico, é ter milhões de miseráveis dispostos a trabalhar por um naco de pão.

      Quem não entende o mercado dá nisto.
      Não percebe a evolução e julga que tudo fica na mesma.
      A pobreza chinesa está no interior onde não há “fábricas exploradoras”. Xangai é mais rica que Lisboa.
      A China comprou mais veículos da General Motors do que os EUA, o dobro dos Audi que os EUA, o triplo dos Buick que os EUA(estes últimos têm uma reputação especial na China).
      Quem compra? extraterrestres?

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