![mw-860[1].jpg mw-860[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2017/20492708_v9l8D.jpeg)
Foto Miguel A. Lopes/Expresso
Há a impreparação, claro: muitos desses jornalistas atirados por caprichos da agenda “a cobrir o incêndio lá para as Beiras” numa redacção de Lisboa não fazem a menor ideia onde fica Pedrógão Grande. Os órgãos de informação para os quais trabalham – muitos com vínculos precários – também não fazem, nem querem saber: ao longo do ano o pobre Portugal do interior só surge na notícia quando lá ocorre uma desgraça.
Há o uso e abuso dos lugares-comuns, como é óbvio. “O ar é irrespirável”; “o cenário é indescritível”; “as chamas lavram” – não é possível encontrarem outro verbo sem recorrerem a esta pobre metáfora tão mal aplicada? Nada que admire: a exigência é cada vez menor também a este nível. Como podia ser de outra forma quando tantas chefias exercem o primado da incompetência?
Há o inevitável estrelato da profissão, que nesta fugaz incursão pelo País esquecido chega a ser obsceno ao fazer da tragédia um espectáculo para cativar audiências: ei-lo há dois dias a disparar redundâncias junto às cinzas ainda fumegantes com o mesmo alvoroço e a mesma incontinência verbal de quem cobre uma campanha política ou um “evento” social.
Mas o pior é a incapacidade revelada por tantos jornalistas de descolarem da agenda política. Muitos – felizmente não todos – estão ali mais preocupados com “a chegada a qualquer momento” do Presidente da República, do primeiro-ministro ou da ministra da Administração Interna. Indiferentes à desgraça alheia, como se deambulassem pelos Passos Perdidos do Palácio de São Bento. Oiço-os neste frenesim institucionalista e logo me vêm à memória aqueles versos da cantiga do Chico Buarque, que hoje faz 73 anos: “A dor da gente não sai no jornal”.

Criaturas obscenas, para além do primarismo ignorante e de uma imbecilidade que raia o patológico – marca da(s) casa(s).
Sinto-me envergonhado com muito do que tenho visto, ouvido e lido nas últimas 48 horas.
Judite de Sousa fez um “trabalho” lastimável. Realmente algo vai muito mal no jornalismo Nacional . Gostava de ver mais jornalistas como Ana Lourenço, Rodrigo Guedes de Carvalho, ou Pedro Correia, Anselmo Crespo….enfim…
Lastimável é pouco. A cobertura dos incêndios é má há muitos anos, mas esta “reportagem” conseguiu escavar um pouco mais um buraco que já era bem fundo.
Mais miserável, são os textos poético-palermas da SIC Notícias a descrever a estrada que já não é estrada, do dia transformado em noite e mais não-sei-quê. Como é possível tanta estupidez? E podem parar de chamar à estrada 236 a Estrada da Morte? Nunca lá passaram, sequer. Vão chamar morte à vossa tia.
Thanks.
Isso nem vi-li. Mas tenho visto-lido muita coisa lamentável. Que se diz jornalismo mas nada tem a ver com jornalismo.
Não consigo encontrar o link. Mas era um texto surreal, naquele tom reportagem-hino-anúncio dos separadores da estação. Só faltou aparecer o Balsemão a meio a dizer que trabalharam muito.
Uma vergonha fazerem da dor da tragédia sensacionalismo.
A reportagem de Judite de Sousa… nem tenho palavras para a sua falta de empatia e solidariedade.
Montaram um circo, onde eles são uns palhaços tristes e sem graça.
Poucas coisas me chocam tanto como a feira das vaidades montada à custa da desgraça alheia.
Os grandes acontecimentos como a tragédia de Pedrógão lamentavelmente foi e continua a ser, podem tornar-se pelos piores motivos a rampa de lançamento do melhor pivô de todos os tempos, ou de um prémio Pulitzer, quem sabe?
Não houve um bom desempenho nem por parte dos mais novos, nem por parte dos veteranos, mas isso é normal, tão normal, que até já deixámos de prestar muita atenção.
A dor saí no jornal sim, em textos dramátcos onde o horror impera e em imagens comoventes e repetidas ad nauseam, mas é tão oca que sinceramente dói.
Se tiver tempo e paciência quero destacar exemplos pela positiva. Para variar.
Do resto, nem vale a pena falar mais do que isto.