A diplomacia segundo Machete.


Luís Menezes Leitão,

 

Eu sempre achei que Passos Coelho tinha imenso jeito para escolher ministros. Aliás, a escolha da Ministra das Finanças ia conseguindo só por si deitar abaixo o Governo, o que teria sido um alívio. Só é por isso de louvar a escolha de Rui Machete para Ministro dos Negócios Estrangeiros. Com Machete à frente da nossa diplomacia, os Estados Unidos — ou qualquer outro país — não precisam de fazer escutas aos nossos governantes pois o Ministro dos Negócios Estrangeiros se encarrega de dizer publicamente tudo o que se passa. Houve uma investigação do Ministério Público a dirigentes angolanos? O Ministro dos Negócios Estrangeiros esclarece em Angola que vai ser tudo rapidamente arquivado, como se verificou, pedindo antecipadamente desculpas diplomáticas. Portugal está em dúvida quanto a ter um segundo resgate ou um programa cautelar? O Ministro dos Negócios Estrangeiros esclarece na Índia que cairemos inevitavelmente no segundo resgate se os juros não baixarem abaixo dos 4,5%. É claro que os nossos credores já sabem há muito que o segundo resgate e uma reestruturação da dívida são inevitáveis, pelo que fogem da dívida portuguesa como o diabo da cruz. Mas podia dar-se o caso de algum investidor indiano mais distraído acreditar que Portugal afinal ia pagar isto. Machete não quer enganar esses investidores pelo que esclarece logo que olhem para os juros antes de se porem a comprar títulos.

 

Quem pode criticar Machete por dizer a verdade no estrangeiro? Bem podem Henrique Monteiro e José Sócrates andarem a discutir no Expresso a filosofia kantiana sobre a mentira e as suas consequências morais. Machete dá-lhes um exemplo prático do respeito pela verdade. Como dizia o Apóstolo João (João 8:32) “veritas vos liberabit” (a verdade vos libertará). Portugal está salvo.

8 comentários em “A diplomacia segundo Machete.”

  1. Não podia dizer nem melhor nem mais. Acabo de ler no jornal este episódio das viagens do ministro e nem queria acreditar. Está tudo louco, aí? (ou é só na Índia?)

    1. Depois do protectorado, de 1640 lá para junho/2014 só nos faltava mais este. Será que não se pode RESGATÁ-LO(S)?

  2. Este (des)governo é como os cães (salvo seja) que rodam sobre si mesmos e mordem a cauda. Eles não necessitam de ninguém para os prejudicar e prejudicar o país, pois eles sabem como fazer isto. Tenho pena do ministro da saúde e da ministra da justiça, há mais um ou dois. O da economia chegou tarde, a este só lhe resta comportar-se como um gestor de falências e não como um soldadinho de chumbo.
    O Portas, para salvar o país, devia ter-se posto a milhas naquela decisão “irrevogável”.

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