A degenerescência de Belém


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Cada um terá a sua perspectiva sobre a política portuguesa e sobre o actual PR. A este nunca apreciei, e entendo o seu projecto como o da despolitização da sociedade.  Assente num frenético exercício de relações públicas mimoso, centrado na sua “imagem”. Trata-se de uma mimetização daquilo que seu pai fez, com garbo e dignidade mas num outro cenário e, portanto, com outra fundamentação política, quando foi governador-geral de Moçambique. Procura uma despolitização que é também uma “despartidarização”, no reforço do esvaziar do conteúdo dos partidos. Estes estão em modo autofágico mas a pessoalização presidencial impulsiona essa decadência. Sousa pode aparecer sorridente – quem o conhece sabe que é um maledicente compulsivo, pouco fiável e assim o inverso desta simpática “personalidade” pública – mas é, de facto, apenas um populista antidemocrático.

Num país estruturalmente amarfanhado, como os grandes indicadores socioeconómicos deste XXI o mostram, que vive uma crise enorme potenciada pelo Covid-19, e diante de decisões fundamentais a tratar no quadro do macro-financiamento europeu, é assustador o estado do regime. O velho CDS inane, sem quadros nem roque, e o PSD também sem quadros e com um presidente totalmente desadequado, ambos debatendo a pertinência de uma aproximação a um partido com um deputado, 60000 votos e sem programa – a rábula do programa eleitoral do CHEGA deveria encher de vergonha a direitalhada que se meneia com o prof. Ventura. O PCP insepulto, o BE a perder votos e influência urbana (a rapaziada cresce …). O PS a gerir o poder de modo patrimonialista, e impregnado de figuras absurdas – a tontice do ex-ministro da defesa, esta ministra que quer as universidades a controlar a opinião pública, a outra ministra que chama “criminosos” a grevistas, um Galamba com extrema relevância no condução de parte substancial do recente pacote de financiamentos europeus … 45 anos de democracia e o regime não está nada bem, nem se recomenda. E segue neste momento sob este “compromisso histórico”, o PS e o PR coligados para preservar o regime do ataque judicial ao execrável “estado da arte”.

No topo disto este Sousa, num bamboleio histriónico. A degenerescência do exercício presidencial, a sua abstenção substantiva, é notória. E a médio prazo também é letal a imagem do que é a política, desprovida de qualquer densidade (gravitas), a qual não obriga a uma postura hierática mas não se compadece com este abandalhamento. Muito deste disparatado percurso advirá de questões psicológicas, não pode haver só outras explicações. E muito também de um autocentramento, avesso a quaisquer assessorias críticas. 

Mas este rumo proto-demencial, e tão prejudicial ao país, é potenciado pela abstenção crítica. Um dia, há 25 anos, Cavaco Silva afrontou a imprensa comendo bolo-rei. Foi zurzido e a imagem persegue-o até hoje. Este Sousa faz um show-off patético, constante. Muda de calções em público, passeia-se nas praias, toma sol de máscara, fala com sotaque brasileiro – como neste segundo filme que partilho? Ninguém, à esquerda ou à direita, o abocanha neste desvario. Principalmente à esquerda, pois bem sabem qual a agenda prioritária de Sousa. 

E agora, no reality show em que transformou as suas férias, trinca um bolo e depois reparte-o, manualmente, pelos petizes circundantes, e isto em plena era de cuidados sanitários. Tudo ao invés do que as instituições de saúde nos dizem. Nem pensa!, o homem já nem pensa, encerrado no seu papel, o qual julga ser um monólogo. Esta “bola de Berlim de Sousa” será brandida e celebrizada como o foi o “bolo-rei de Cavaco”? Não. Não porque Sousa seja simpático. Mas porque a amálgama Salgado, Sócrates e magma circundante tem que ser preservada. Porque e plurisbus unum …

18 comentários em “A degenerescência de Belém”

  1. Cuidado quando diz que o Marcelo discursou em brasileiro.
    O video é uma montagem.
    É por estas que qualquer pessoa inteligente quando fala com os media, o faz sem mascara,
    Não seja populista, ao divulgar FAKES videos.

  2. Análise fundamentada, com um senão: quando a mentira e o faz-de-conta estão institucionalizados a tamanho nível na Política, que uma alteração substantiva não se vislumbra, a um Presidente sem poderes outros que não os tremendos, pouco resta senão normalizar a situação com uns ‘doa a quem doer’ pontuais.
    Quando forçar a mudança traz seguramente mais do mesmo…

  3. O que é isso de ‘populismo antidemocrático’? E que é populismo democrático?
    Afinal quem está a popularichar? Será que ele está feito com as cmstvs ‘venham cá ver as minhas unhas dos pés com areia, para o jtp delirar comentar’.
    Aquela importante notícia ‘INCÊNDIOS EM PORTUGAL Marcelo Rebelo de Sousa passou a manhã na praia’ é uma obra prima. Quem a publicou sabe a data das próximas eleições PR, e assim o mrs não pode passar as férias do próximo ano no quentinho do fogo da serra da malcata.
    Agora só falta o jtp comentar com outro PR, ou com um rei, não haveria fogos em Portugal, e alguém lhe perguntaria, como há anos com as greves na cp e a eleição do eanes, -o quê ele agora vai ser maquinista?- , ‘não me diga que ele agora vai ser bombeiro?’.

    1. Ao comentador Anónimo (apelido?) recordo que este presidente disse, na noite em que umas dezenas de portugueses foram assassinados pela incúria do Estado que (tristemente) representa, que “tudo tinha sido feito” para os proteger. Hoje bolçou a mesma frase, referindo-se à assistência preparada ao piloto morto no Gerês. Inquérito feito em directo… outra vez.. Se for como na anterior, o pessoal da Protecção Civil e do INEM já deve estar à procura de advogado.

      1. Oh jpt, é português? eu cá sou o silva, a maioria dos portugueses são silvas. E ser um anónimo silva ou um escondido em jpt é mesma coisa.
        Então, desata um fogo do caraças e pessoas fugiram, é o que toda a gente faz quando pode, e na fuga foram apanhadas/cercadas pelo fogo porque o jpt em maio ou melhor em janeiro não vá o diabo atear-las colocou em todas, e vamos lá ver se não não me engano que eu só posso estar numa, curas do Estado a evitar que as pessoas em fuga dos fogos passassem por aquela estrada.
        Oh descoberto jpt, isso é qu’era bestial e nem o São Cristóvão, aqui o diabo tem o isqueiro e petróleo não mão e não entra, se lembraria de tal coisa.
        Mas, nada de ter essa ideia em jpt descoberto não vão os governadores de vários estados americanos ou até os da Austrália o meter em tribunal por não os ter lembrado.

  4. Bem, que Portugal não tem pão e também já não tem padeiros, já todos sabíamos. Mas como é uma nação de criativos, conseguimos mamar umas bolas de Berlim via Bruxelas. E o Presidente ofereceu-nos uma lição de como se deve repartir o alimento.
    Tenho dúvidas que o governo e a geringonça saiba como partilhar as bolas que estão colocadas na bazuca. Eu sei que a mira do instrumento aponta sempre para uns determinados alvos.

      1. O seu comentário revela que eu estou a falar verdade. Pois indica que você já sabe para onde vão as bolas da bazuca.

  5. “Um dia, há 25 anos, Cavaco Silva afrontou a imprensa comendo bolo-rei. Foi zurzido e a imagem persegue-o até hoje.”

    Cavaco travou aquela esquerda por isso foi enxovalhado.
    Fosse um deles, a forma como comia o bolo também serviria nesse caso para ser elogiado como “homem do povo”.

    lucklucky

  6. Marcelo safa-se.
    Não tem amantes, e nunca foi caçar elefantes ou qualquer outro bichinho.
    O resto é acessório no que à reeleição diz respeito.

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