O Metropolitano de Lisboa está hoje todo o dia parado, devido a mais uma “greve dos trabalhadores”. É a oitava que se realiza este ano, que ainda nem vai a meio – atingimos portanto uma média superior a mais de uma por mês.
Oito dias de greve, que paralisam este imprescindível serviço de transportes públicos da capital, porquê? Não por questões de carácter laboral: os funcionários do Metro têm um nível salarial muito acima da média nacional, regalias de que nenhum outro trabalhador dispõe, vínculos contratuais sólidos, estabilidade profissional e uma carreira bem definida.
O motivo destas greves é protestar contra a subconcessão do Metro a entidades privadas – uma decisão já assumida pelo Governo, com plena legitimidade, tanto mais que constava do seu programa eleitoral, sufragado em 2011.
Dizem os sindicatos do sector que as paralisações se destinam a “defender o serviço público”. Mas, por amarga ironia, cada greve constitui um argumento suplementar contra a estatização dos transportes urbanos junto das centenas de milhares de portugueses que os utilizam. Porque são eles – em larga medida pertencentes aos segmentos mais desfavorecidos da população – os principais afectados por estas paralisações.
Direi mesmo mais: são os únicos. As direcções das empresas até beneficiam, pois poupam em custos de energia e pagamentos de salários. E o Governo vê o seu argumentário reforçado: nas empresas privadas de transportes não existem greves. Essas sim, defendem os desfavorecidos.
Só na Área Metropolitana de Lisboa, 43% dos residentes utiliza regularmente os transportes públicos. Mas, em vez de servirem a população, empresas como o Metro servem interesses políticos – em estreita convergência com o Partido Comunista, que encontra hoje no segmento dos transportes urbanos o seu principal reduto de apoio sindical. Hipocritamente, dizem defender os mais pobres enquanto lhes negam o direito constitucional ao transporte. Roubando-lhes dias que foram antecipadamente pagos no momento da aquisição dos passes sociais. Abusando da posição dominante, num arremedo de darwinismo social.
Hoje todos nós – e somos, só os utentes do Metro, quase meio milhão por dia – tivemos de inventar meios alternativos para nos deslocarmos rumo ao local de trabalho, ao centro de emprego ou ao centro de saúde. Sem carro ou sem gasolina para o pagar. Sem dinheiro para gastar em táxis. Com passes tornados inúteis pelo oitava vez em 2015.
Em 2014, as três empresas públicas de transportes que servem a capital (Metro, Transtejo e Carris) apresentaram um défice de natureza operacional superior a 110 milhões de euros – quantia paga pelo Orçamento do Estado, ou seja pelos contribuintes. Muitos deles pagam três vezes estes prejuízos: através dos impostos, dos títulos de transporte adquiridos por antecipação e dos meios alternativos que têm de inventar para deslocações nos dias como hoje.
Indiferente a tudo isto, a casta sindical já planeia novas paralisações. Aniquilando o transporte público enquanto proclama defendê-lo. À custa de todos nós.

![greve-no-metro-de-lisboa[1].jpg greve-no-metro-de-lisboa[1].jpg](http://7.fotos.web.sapo.io/i/B6506a3eb/18571557_Z5HdQ.jpeg)
eu tenho passe social. Medicaram-me com passeios tranquilos. Comprei o passe, para sair da rotina e ” andar mais a pé” , como se eu costumasse a andar sentada.
Pior a cura do que a doença… CP, Metro , LT… E o descanso redobrou o cansaço, como menos horas de repouso e mais correrias que de passeios tranquilos têm muito pouco.
É que para além do passe social, poucas são as vezes que consigo chegar ao meu destino sem atrasos se não apanhar um raio de um Táxi ( criaturas mecânicas míticas, que ao contráio da Sala Precisa, nunca aparecem quando necessário)
Excelente texto o seu, Pedro.
Para passeios tranquilos, recomendo a linha da CP Lagos – Vila Real de Santo António.
Estimo as melhoras…
Isso enquanto não fizerem um TGV nesse percurso. Já esteve no papel, qualquer dia regressa.
E um túnel submarino a ligar Lisboa à Margem Sul… perdão, à Lisbon South Bay.
E um teleférico entre o Castelo de São Jorge e o Cristo-Rei. Para dinamizar o sector da construção e fomentar a “procura interna”.
Obrigado, Dulce. Falarei deste tema as vezes que forem necessárias. É inacreditável que haja tão pouca gente a dizer coisas como estas.
Na escala do que se consegue temos o Brasil em que greves sempre “justas” levaram a uma inversão das perspectivas de crescimento.
Do outro lado temos a Alemanha em que as greves(poucas) têm ajudado a que os salarios sejam os mais altos e a pujança da industria continue.
Os clientes dos sindicalistas portugueses não têm opção de escolha; mas os trabalhadores sindicalizados têm. Que estão a espera? que os impede de serem responsaveis? espero que não tenha sido uma lavagem ao cerebro mais forte que queimou os neuronios.
Nos transportes públicos urbanos, a CGTP limita-se a aplicar sobre os utentes a lei do mais forte. Puro darwinismo sindical. Os cidadãos de mais fracos recursos económicos saem prejudicados, mas isso não interessa ao sindicalismo comunista. Os pobres, na perspectiva deles, servem só para a demagogia política.
“Não haverá necessidade de mais greves de comboios ou de quaisquer outros transportes, incluindo a TAP que, com o PS, não será privatizada”.
Oxalá tenha razão!
Por vontade do PS a TAP já tinha sido privatizada em 1999.
Isso já foi há muito. As vontades mudam, ao longo dos tempos e ainda bem.
Essa vontade voou. Mas não logo. Quando inscreveu a privatização da TAP no memorando de entendimento, em 2011, ainda não tinha mudado de ideias.
Se voou é porque alguém pensou no erro. O memorando dizia para a venda ser parcial e não como foi feita. O memorando também não dizia para darem a TAP. O memorando não dizia, para dizerem que a TAP estava de rastos. Quem quer vender algo nunca diz mal do que quer vender. Foi uma venda vergonhosa, duma companhia aérea de referência em todo o mundo e que nos orgulhava a todos.
Ponto de ordem: este meu texto é sobre o metro, não é sobre a TAP.
A CGTP caminha a passos largos para o fim das greves politicas…
É assim na EDP / REN / PT /CTT & Chinesices SA
Resta-lhe a FRENPROF…. para gáudio dos alunos!
No sector dos transportes a CGTP engatou a marcha-atrás.
o direito constitucional ao transporte
Que eu saiba, esse direito não existe, e muito menos está na Constituição.
Se esse direito existir, será um direito muito curioso: fora das cidades, tem que ser cada cidadão a garantir, individualmente, o seu direito ao transporte. Nas aldeias, há camionetas para as sedes de concelho para levar as crianças para a escola, e pouco mais.
Vê-lo logo que o do costume NÃO É POBRE E SE ESTÁ MARIMBANDO PARA QUEM O É e não tem popó com motorista…
Não costumo concordar com o Lavoura mas agora acho que está cheio de razão: as patetices constitucionais e direitos absolutos levam a contradições e segmentação ideológica inaceitáveis numa verdadeira democracia e são fundamentalmente receios estúpidos.
2. Para assegurar o direito à habitação, incumbe ao Estado:
a) Programar e executar uma política de habitação inserida em planos de ordenamento geral do território e apoiada em planos de urbanização que garantam a existência de uma rede adequada de transportes e de equipamento social;
Artigo 65º, nº 2, da Constituição da República:
«Para assegurar o direito à habitação, incumbe ao Estado:
a) Programar e executar uma política de habitação inserida em planos de ordenamento geral do território e apoiada em planos de urbanização que garantam a existência de uma rede adequada de transportes e de equipamento social.»
Convém notar ainda que isso deriva da sucessiva “pouca vergonha” relativamente aos direitos dos consumidores.
Enquanto na TAP, a greve prejudicou a empresa, na Carris/Metro esse tipo de prejuízo não ocorre porque os consumidores não têm mecanismos eficazes para actuar contra a quebra de contrato.
Assim, conforme diz, para a direcção desses monopólios uma greve é um dia de grande lucro, já que nesta bandalheira de terceira república nunca foi criado nenhum organismo que defenda os consumidores.
A DECO é apenas um dos muitos membros franchising da organização privada “Consumers International”: International
https://en.wikipedia.org/wiki/Consumers_
Na prática este tipo de organizações privadas são os principais interessados em angariar sócios, que é o seu negócio, e não lhe interessa nenhuma outra estrutura que faça o serviço.
Por isso, quanto mais desprotegidos estiverem os consumidores, mais candidatos a sócios podem ganhar.
Uma das suas eficácias é na implementação de normas da treta (tal como outra fachada de lóbis que é a Quer-cus), já que normalmente há normas ou detalhes que favorecem um produto X relativamente ao Y.
Há uma série de pretensas “entidades reguladoras”, que normalmente são outro nome para “grandes tachos do partido”, que igualmente nada fazem, e lembro-me de terem arranjado um tacho socialista ao Acácio Barreiros como provedor dos consumidores… O que fez esse grande ex-UDP? Nada!
Pode parecer estranho, mas na prática, pela sua rotunda ineficácia, o sindicalismo de inspiração comunista tem sido um dos, senão o principal, destruidor de toda a estrutura estatal. E não é por acaso… pode ser por ignorância dos militantes e funcionários, mas não é por simples estupidez do “comité central”, é por ortodoxia a um nível, e manipulação a outro.
Uma das principais degradações da sociedade actual está justamente na fragilidade do consumidor. Pressionado para contratos com cláusulas leoninas, desde o consulado de Sócrates que o consumidor passou até a arriscar-se a injunções com penhora, se não pagar logo as contas, por mais astronómicos e injustificados que sejam os valores. Casos vergonhosos são o pão-nosso de empresas de telecomunicações e serviços cabo, exploração de portagens, onde os enganos são sucessivos e sempre à conta do consumidor.
Na injunção há o requinte de ser o consumidor a ter que accionar o tribunal e pagar as despesas (muito aumentadas) se quiser se livrar da penhora. Todo o estado foi recrutado para actuar contra os cidadãos.
Conforme o Pedro bem refere, o Carris/Metro não devolve nos “passes lisboetas” o valor dos dias em que não prestou serviço.
Não precisa, porque todos, desde a DECO até às entidades reguladoras, todos se calam ou ficam apanhados de torpor, como se isso fosse normal. Pior, acresce que a Câmara alfacinha foi penalizando sucessivamente as viaturas, por ter o delírio dos ciclistas de montanha nas colinas lisboetas, e tudo isto se passa como num filme surrealista.
Quando ocorreram os aumentos exorbitantes dos preços dos bilhetes de Metro/Carris, aí não vimos os trabalhadores preocupados com os consumidores. Agora com a privatização é que os sindicatos se lembraram de invocar solidariedade com a penalização dos futuros consumidores… enfim, um espectáculo de retórica numa sociedade decadente.
Subscrevo quase na íntegra o seu comentário. E destaco esta frase certeira, que expressa uma ideia que raras vezes vejo realçada: «Na prática, pela sua rotunda ineficácia, o sindicalismo de inspiração comunista tem sido um dos, senão o principal, destruidor de toda a estrutura estatal.»
O comentário da semana.
E ela ainda nem sequer acabou!
De acordo.
Grato a ambos.
No entanto, lembro que há aqui percepções empoladas sobre essa rubrica. Na gestão de expectativas de grupos, não se deve dar a quem não precisa… nem a quem não merece.
Obrigado.
Já está.
A propósito de greves:
Quando é que a justiceira histérica Ana Gomes, faz greve eterna às queixinhas na PG da Republica? Desta vez a bola calhou ao Sporting!!!
Esta tipa…..é maluca pra caramba!
Parece uma papoila saltitante.
Que belo vocabulário se usa por aqui! Tipa, histérica, maluca?
Alguma coisa contra as papoilas?
Tem razão o Pedro Correia, na esmagadora maioria das empresas privadas não há greves, pelo menos em Portugal e serão menos uns contribuintes líquidos para a CGTP e os clientes irão de certeza agradecer pois vai-se acabar a ditadura de uma minoria sobre a maioria, que bom será daqui para frente, os transportes públicos continuaram a funcionar como até agora quiçá até com mais qualidade.
Quando é que privatizam a RTP ?
Eu próprio respondo, jamais, os outros privados não querem e quem souber o porquê que pense sobre isso e tudo o resto…
Eu até diria que trabalhadores de uma empresa não têm de se pronunciar sobre actos de gestão que transcendem largamente as competências que lhes são conferidas pelo contrato de trabalho. Têm direito a defender as condições de trabalho e as contrapartidas normais correspondentes às suas funções mas se a firma pertence a A ou a B ou como é gerida são questões que ultrapassam aquilo para que foram contratados.
De acordo. Tudo a favor de protestos laborais quando estejam em causa legítimas questões de natureza socio-profissional. Mas tudo contra quando, estando essas questões mais que solucionadas, o protesto afinal se dirige a uma questão que pertence à esfera de competência do Governo e não das direcções sindicais. E sobretudo quando – como é o caso – afecta os elementos mais vulneráveis da sociedade e não o Governo (que neste caso até agradece, pois estas greves contribuem para virar a opinião pública contra a tese dos sindicatos, alinhados com o PCP).