A Cultura é uma merda, desculpem o termo. Isto, claro, na cabeça dos nossos políticos que não a sabem definir ou o que fazer com ela. Talvez não sejam cultos. Azarinho (que é um azar pequenino). Pedro Passos Coelho diz que vai chamar a Cultura ao seu gabinete de putativo primeiro-ministro. Para quê, pergunto? Para ter um ou dois assessores? Para acabar de vez com a Cultura?
Esta pequena palavra é que nos define enquanto povo, faz parte da nossa identidade nacional e não é por mero acaso que temos as fronteiras mais antigas da Europa (e não, não é um recado para a Finlândia, não moro em Cascais). Em crise pensamos em empregos, em pagar as contas, em vestir os filhos, em cuidar dos mais velhos? Sim. É prioritário? Sim, mas sem uma educação eficaz e uma noção de Cultura abrangente o que é que estamos a dar às novas gerações? Um legado de contas, dívidas e muitas folhas com ideias? E quem vai assessorar o Dr Passos Coelho nestas coisas da cultura que vão dos livros ao cinema, do teatro à dança, da música ao canto, etc? Um tio? Primo? Um especialista? Um curador, como agora se diz? Um cirurgião tipo Dr Fernando Nobre? E pachorra? Há? Culturalmente eu não tenho, lamento. Fico triste quando festejo o Prémio Camões entregue a uma grande figura e perguntam: quem é? Fico triste porque o Eduardo Prado Coelho escreveu durante 10 anos – repito, 10 anos – todos os dias, no jornal Público, e parece que ninguém se lembra. Como ninguém se lembra da Natália Correia, do Vergílio Ferreira, do José Cardoso Pires e tantos actores que por andam, bailarinos, músicos, gente nova, média, velha, que quer expressar-se. Diz o Woody Allen que as pessoas boas dormem bem e que as más se divertem mais. Tem graça, mas quando a questão é a herança cultural que estamos a deixar às novas gerações, pergunto-me: estamos no bom caminho? Quando se juntam vários institutos na Fil para uma coisa chamada Futurália, um evento que permite aos jovens perceber novas oportunidades de carreira que, porventura, nunca lhes tinha ocorrido, as Jotas (de todos os partidos) correm como moscas a pedir assinaturas, dizendo que os pais nem precisam de saber. Porque o que contam são os números. Francamente? Uma merda, é o que é.

Nesta pequena frase resume-se tudo, Patrícia: “sem uma educação eficaz e uma noção de Cultura abrangente o que é que estamos a dar às novas gerações?”.
E, já agora, bem-vinda, que foi coisa que ainda não tido oportunidade de dizer.
Obrigada, Sérgio. É bom estar aqui. Beijo
Só hoje li este post. Concordo totalmente contigo, e acrescento: temo o pior desta ideia centralizante da cultura, que prenuncia uma mistura perigosa com a tecnocracia. A merda do costume. Pasmo como não se tem a noção de que a única coisa que pode diferenciar os países da Europa, neste panorama de uniformização da UE, é a sua identidade cultural. E só preserva bem a cultura quem lhe pertence por direito, porque lhe dá valor.