A “crise” vista de longe


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Vim à Colômbia, minha estreia em país apaixonante. Algumas palestras em Bogotá e esplêndidos passeios, coisas de ser ombreado por magnífico amigo feito mestre cicerone. Nisso, semana após semana, me vou afastando das majordências pátrias – mesmo que essas insistam em aterrar por via das incessantes “notificações” telefónicas, algumas delas também já escalpadas pelos cruéis bisturis arrolados neste Delito de Opinião… Sim, apesar dessa canga informativa, a distância havida, a complexidade local, a urbe Bogotá, a diversidade enfrentada, o peso dos Andes, a mata pós-amazónica, e o belo convívio continuado, tudo isto me refresca, até me acalenta aquela serôdia utopia do “ah, se eu voltasse a ser assim, que já o fui mesmo…”, em tudo isso algo desprendendo-me da Pátria (sempre) Amada. Mas não por completo, que ainda me assomam laivos…

Nos últimos dias descemos um pouco, até a histórica Vila de Leyva, zona de gargantas agora pejadas de estufas, mas sede onde os coriáceos e de ouro sequiosos espanhóis se incrustaram desde finais de XVI, exactamente enquanto outros deles se nos uniam e mais outros se deixavam afogar na Mancha, afinal não Invencíveis. Enfim, gente que seria (muito) rude mas – e tanto dá para o perceber quando agora aqui os imaginamos nestas altitudes e naquelas eras – “antes de quebrar do que de torcer”. 

Segue hoje esta província de Ricaurte mais plácida, entre a tal agro-indústria, o turismo local, para além do aparente remanso dos reformados bogotenhos… tudo isto pois apaziguadas as guerrilhas comunistas e seus opositores fascistas, e entretidos os decadentes “narcos” em recônditas ruralidades e trepidantes tiroteios urbanos. Nesse aconchego calcorreamos as redondezas da turística Leyva, e nisso passamos pela vizinha vilória Santa Sofia, pequena instalação recente, de gente gentil e também com anseios turísticos, a reboque das “belezas naturais” e em torno de uma patusca grande recente igreja, assinalada como “oferta de cacique”.

E será essa placa que – ainda que sabedor das semânticas que por vezes nos afastam dos “nuestros hermanos” e demais hispânicos – me faz regressar, em breve ápice, por via desses incontroláveis fluxos, moles ditas “associações de ideias”, ao ainda não saudoso rincão. Pois logo de seguida enfrento está entrada do cemitério. E assoma-me tudo isso que venho recebendo, a inepta malvadez, vergonhosa, desse Galamba, a que associo toda aquela tropa fandanga, a dos “jugulares”, “câmaras corporativas” e quejandos, socratistas abjectos, esses galambas e adões, uns agora no governo, outros aos restos…

Rio-me, num “deixa-me fotografar!”. Depois arrancamos. Pararemos numa venda para comprar batatas andinas e abóboras que me parecem gigantes, eu comerei uma arepa (bolo de milho) de queijo. Enrolo um cigarro e fumo-o na estrada, esta dos montes e vales. Em silêncio penso “tenho quase 60 anos!” , “”ela” está aí a chegar!”. E “Que Se Foda o Galamba! E os Outros!”. Apago a prisca, reentro no carro. Volto à Colômbia. A mim?

7 comentários em “A “crise” vista de longe”

  1. Volta a si?
    Porque não fica para sempre aí, jpt? Você parece que cá em Portugal não se sente lá muito bem, ainda está com idade de iniciar uma vida alhures, e a Colômbia, o segundo país mais biodiverso do mundo, terá certamente um lugar para si.

  2. E o que diz ao novo Presidente da Colômbia?
    Pela primeira vez um Presidente de esquerda e que até já foi guerrilheiro contra governos da
    direita colombiana.

    1. Do que percebo deste país, das semanas aqui e das algumas leituras, é que é um país demasiado complexo para um breve turista se meter a botar “eu acho que…” sobre a política local.

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