A consciência da idade


fiodeprumo,

Não sei se foi do calamitoso calor que se fez sentir nos dois últimos dias ou se foi do facto de eu estar mais atenta ao que me rodeia – as férias também servem para isso, ao contrário do que muitos pensam -, a verdade é que dei comigo a pensar nas diversas maneiras como cada um encara a idade. E pensei sobretudo nas mulheres. Porque estas, por norma, entendem que pouco nada ganham com o passar dos anos, e porque talvez seja uma realidade que conheço melhor.

À partida começo por confessar que tenho dificuldade em compreender quem esconde a idade. Não considero que seja necessário badala-la de forma sistemática, mas não vejo qual seja o benefício de a não revelar, uma vez que, tal como a filiação consta de um documento público de identificação. Esconder qualquer delas parece-me um contra senso.

Dito isto, a consciência da idade desempenha um papel fundamental na nossa vida. O que se escreve, o que se diz, o que se pensa, a forma como nos olhamos depende de factores vários, cujo enquadramento específico é a nossa experiência vivida e, por isso, também a idade que então temos. Se assim é, porque será que tanta gente sente necessidade de a reduzir ou de a esconder? Alguma razão válida deve haver que eu não descortino.
Ao contrário, pugno para que cada uma de nós tenha consciência dos anos que tem e os enriqueça e embeleze. Que saiba valorizar-se física e intelectualmente, sem jamais cair na tentação ridícula de pretender fazer-se passar por quem já foi, vestindo-se e maquilhando-se em concorrência com as próprias filhas e submetendo-se ao vexame que tal situação sempre representa…

6 comentários em “A consciência da idade”

  1. A Idade é um bem, para que não esqueça-mos os dias que virão, onde o ócio se advinha e a nobreza desperta. Estes são os prazeres de viver e reviver. Mas na verdade os temores que nos faz esconder a idade vem de nós mesmos, quando temos necessidade de esconder as nossas fraquezas. È claro, que as mulheres o sabem fazer em grande estilo. O saber a idade, está no dia a dia de por quem passa e descontina-se um olhar, um sorriso. Mas a multidão não graciosa, e podem vir a ver-se muitos espelos a esconder outras intenções.

    Obrigado, pela representação que nos dá quando pensamos qual a nossa verdadeira face, julgo que o melhor será pedirmos coragem e humildade, perante o incauto, afastar-mos dele é sempre melhor.

    Haja Paz e Saúde.

    Júlio António. Costa Caparica.

  2. Cara Helena
    Concordo plenamente com suas palavras e acrescento que deveríamos, homens e mulheres, ainda quando jovens nos prepararmos para o que “pôr no lugar de coisas temporárias da juventude, como a beleza, por exemplo”.

    Em 2010 escrevi um post sobre este assunto, chama-se “Libertação, confissões de uma envelhecente”, título que faz uma paródia com uma antiga peça de teatro brasileira chamada Confissões de uma adolescente. Lá falo da Libertação que o envelhecer pode nos suprir.

    Um grande abraço
    Bete

  3. Eu, como mulher, e “já” com 42 anos, não sinto necessidade de esconder a minha idade. Digo isto porque na realidade não sinto o peso dos anos, nem física nem mentalmente. Passo a explicar: oficialmente, é a idade que tenho, mas… e mesmo mas, nem tenho aspecto de 42 primaveras, o que me ajuda um bocado pois não tenho que me preocupar em tapar as rugas ou sinais de envelhecimento, e, por outro lado, não me sinto (no aspecto mental) com a minha idade. Tenho muita energia, durmo pouco, como muitas vezes ao dia e já como a minha querida avó dizia tenho “bichinhos carpinteiros”.
    Sou adulta e responsável quando tenho que o ser, mas também tenho ainda alma e coração de criança!! Graças a Deus!
    Claro que não ando na rua de barriga á mostra nem de calções bem curtinhos, mas também não me passeio em tons de cinza ou preto nem sequer beje.
    Desculpem mas assim sou eu.

    1. Ó minha cara Ana Costa eu costumo dizer – é a mais pura das verdades – que a minha vida começou verdadeiramente aos cinquenta. Até lá fui aprendendo a viver.
      Por isso aos 42 anos você é ainda uma mulher jovem. E jamais aconselharia alguém, seja em que idade for, a usar tons de viúva. Eu tenho idade para ser sua mãe e visto qualquer cor desde que goste dela. Mas não uso cabelos pelos ombros, nem destapo joelhos ou abdómen, por mera questão de bom senso. Não se trata de moral, mas sim de sentido estético. É que não serão, seguramente, as melhores zonas para evidenciar…

      1. Minha Cara Helena Sacadura Cabral, quando falei nos tons que não uso (cinza, preto ou beje) não os associem aos ditos “tons de viúva”, mas ao facto de gostar de cores bastantes alegres, como o rosa, os variados tons de azul, branco, verdes, etc. Acho as cores escuras pesadas e tristes e enfadonhas. Como também sou bastante alegre e sorridente, não são tons que me possam atrair. Quanto a usar o cabelo só pelos ombros, desculpe mas discordo de si. tenho-o bastante mais comprimido pelo facto de estar bem tratado, de ser naturalmente ondulado e de ser um motivo de orgulho meu. Quanto a saias ou vestidos acima do joelho, cara Helena, volto a discordar. Uso vestidos pelo joelho ou um pouco acima porque acho que ainda tenho boas pernocas para o fazer, apesar de os joelhos ainda terem cicatrizes profundas das operaçoes a que foram sujeitos. Mas…são as pernas que tenho e quando me apetece visto algo mais fresco e jovial. Estou de acordo consigo quanto á barriguinha á mostra…isso não. apesar se tivesse tempo de fazer uns abdominais, porque não?

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