A César o que é de César


cronicasnofeminino,

Se há coisas que não entendo é esta mania da Igreja Católica meter o bedelho em tudo. Nesta questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo é bom não esquecer que se fala de casamento e não de matrimónio. Já se sabe que se o objectivo do matrimónio é a procriação, a união entre pessoas do mesmo sexo não tem cabimento e é portanto excluída. Assim sendo, não percebo porque têm de opinar tendo em conta que não é assunto da Igreja, uma vez que o casamento não é reconhecido e que quem se casa pelo civil continua a arcar com as repsonsabilidades do acto ímpio. Se querem trazer luz às ovelhas tresmalhadas façam-no em local próprio. O Estado não se rege pelas leis da igreja, graças a deus. Por acaso a sociedade civil exige um referendo ao celibato dos padres?

40 comentários em “A César o que é de César”

      1. Vamos ver se nos entendemos, Ana.
        Dirigir-se a uma senhora – que é uma das autoras do DO e é uma cidadã com toda a legitimidade para expor o que pensa (e em que não deve ser caso exótico pela singularidade, seguramente) – a sugerir ignorância é pouco próprio.
        Tem a Ana aqui todo o espaço que entender para contrapor, para expor o que entender sobre este assunto (e outros) e sabe que pode fazê-lo sem que isso lhe custe qualquer preço. Faça-o com elevação, que jamais algum de nós a desiludirá no tom com que nos dirigi(r)mos a si.
        Creio que agora estamos entendidos, não é?

  1. Bom, cara Leonor, eu não diria que se trata de “meter o bedelho”, mas sim de expressar uma posição. Como qualquer instituição poderá fazê-lo, dado que ainda vivemos num país livre, pelo menos tanto quanto sei. Creio que são duas coisas diferentes. Já viu o que seria se, por vivermos num estado laico, as confissões religiões não pudessem expressar publicamente as suas opiniões? E os monárquicos, também teriam de ser silenciados? Afinal, vivemos numa república…

    1. Todos sem excepção temos direito a uma opinião, mas não temos o direito de nos imiscuir se não nos disser respeito. Prezo muitíssimo a liberdade de expressão, se não nunca poderia exercer esse direito também ao escrever num blogue.

    2. Bem visto. Vivemos em democracia e a democracia preza a liberdade de expressão. Felizmente até dos que desejariam controlar (ainda mais) a dita.

      Isso não quer dizer é que se vá já a correr fazer um referendo.Trata-se dum assunto do foro privado, entre dois seres humanos adultos e livres a quem é negado um direito elementar. Ora, isso é discriminatório, eventualmente, até inconstitucional; referendar o quê?

      1. Carlos, também não sou apologista do referendo; aliás, este tema a mim interessa-me rigorosamente nada. Se querem casar, casem-se; se não se querem casar, não se casem. Sinceramente: quero lá saber. Se houvesse referendo, votaria nulo, ou nem sequer me daria ao trabalho de fazer mais de duas centenas de quilómetros para ir votar.

        Leonor, com o devido respeito, não tem razão. Se seguirmos esse seu argumento à risca, então ninguém fala de coisa nenhuma. Goste ou não, a Igreja Católica é uma instituição com importância na sociedade portuguesa. E por isso tem o direito de falar, tal como os monárquicos têm o direito de defender o regresso da Monarquia, tal como a Associação Animal tem o direito de defender que todos devíamos comer só saladas, tal como a Associação República e Laicidade, ou lá como se chama, tem o direito a querer ver os crucifixos retirados (mas não a eliminação dos feriados religiosos, curiosamente…). Olhe, eu também acho que na Animal ou na República e Laicidade só existem idiotas, e nem por isso acho que se deviam calar. Defendam lá o que quiserem. Se concordar com eles (o que seria muito, muito raro), aplaudo. Quando não concordar, ou fico calado, ou rio-me. Mas eles que falem. Faz bem falar. A opinião da Igreja tenha de ser seguida, ou até escutada, porque não tem; mas ninguém tem o direito de a silenciar. Seja ou não um assunto que “lhe diga respeito”.

  2. Não estou certo de que o matrimónio (religioso) tenha a procriação como objectivo, embora esta seja encarada como resultado natural e, por conseguinte, o matrimónio tenha em vista a consagração de uma família sólida. Mas não é isso que me traz.
    O que ora me move foi ter ficado a pensar no celibato dos padres. Opondo-se este ao matrimónio – logo, à constituição de uma família – como é que aparecem, aqui e ali, tantos procriados? Vou pensar no assunto…

  3. Referendemos o celibato dos ditos, Quanto a ‘meter o bedelho’, felizmente já o meteram mais, a velhice da instituição já não lhes permite tanto coito. E se referendássemos a idoneidade e a legitimidade de acção de uma instituição que tem as mãos sujas de sangue e que durante séculos refreou o desenvolvimento da humanidade (que se levante Giordano Bruno)?

          1. Se assim fosse, até nisso seria humano. Já o meu amigo, estará muito acima do comum dos mortais. Sorte sua (com que a natureza felizmente não me bafejou) ou nem por isso.

          2. Já o conheço, porque já tivemos discussões sobre a matéria. É que V. fala de umas figuras tenebrosas da História e reconhece implicitamente que a maioria das pessoas não se distingue pelo mal. Já a Igreja, para si, é um todo: são todos portadores dos piores dos males.
            Meu caro, a Igreja já fez muito mal, mas está cheia de espalhar o bem junto de quem mais precisa. Não é preciso ser-se crente para o reconhecer. Para si, a Igreja teria de ser perfeita, claro, só que deixaria de ser parte da Humanidade, pela perfeição.
            Estou a repetir-me e parece-me escusado.

          3. Meu caro, está a misturar ‘alhos com bugalhos’ e efectivamente parece que estamos em posições inconciliáveis (pelo menos ao nível do tipo de discussão que esta plataforma permite) mas igualmente respeitáveis (sob o ponto de vista da minha avaliação).

    1. Depende do que se entender por “desenvolvimento da humanidade”. Mas por essa lógica, o caro comentador também deve apoiar alberto João Jardim quando ele defende a ilegalização de partidos comunistas.

  4. Dou-lhe toda a razão, porque raio serão ” eles ” tão abelhudos?
    Fiquem-se lá pelas coisinhas deles…
    Voto em si.

  5. Pelos vistos, o jacobinismo típico da I República continua a ter os seus sequazes, aliás, fiéis – termo mais adequado à circunstância.
    Perdoai-lhes, Senhor, que eles não sabem o que dizem…

  6. Cara Leonor, discordo da sua opinião. É certo que este não é um assunto da Igreja Católica, mas como é sabido, a Igreja é uma organização afecta a muitos milhões de portugueses, está profundamente enraizada na sociedade portuguesa e desde sempre que teve preocupações sociais.
    Assim, parece-me legitimo que possa emitir a sua opinião, pois sente que esta para breve uma alteração da realidade social.

    Cumprimentos

    1. Dar opinião podemos sempre todos, felizmente. Exigir um referendo sobre o assunto é outra, apenas porque o tema é fracturante e vai contra os princípios da Igreja Católica. Quanto ao resto, não acho que a realidade social se vá alterar. Vai apenas haver oportunidade para os indíviduos do mesmo sexo, se assim o desejarem, de legitimar a sua união e de usufruir dos mesmos direitos que os heterossexuais.

  7. Leonor,
    já falta pouco para a mimosearem com o epíteto de amiga dos “aventais”.
    Já vai no jacobinismo e nos fieis da 1ª. República.
    Estou plenamente de acordo consigo, aliás, já referira o assunto no meu próprio blog.
    Saudações.

      1. A propósito de aventais Leonor, estou aqui a comentar com um, acabei agora de fazer o jantar. Quanto à substancia do post , é evidente que subscrevo integralmente.

  8. Tão naturalmente como qualquer indíviduo ou instituição se pode manifestar ou emitir opinião. O que parece é que nunca é bem aceite quando se trata de ser a Igreja Católica a falar!
    Não se trata de meter o bedelho, mas de manifestar a sua opinião sobre um assunto demasiado controverso e onde as pessoas obviamente se dividem.
    Também essa confusão do casamento ter como objectivo a procriação não tem cabimento, senão não haveria tantos casamentos sem filhos por opção. Se falasse na constituição de uma família, já que é essencial a qualquer ser humano, como sabemos, e o que buscamos toda a vida, não meteria eu o bedelho.
    Mas eu sou a favor do referendo, sim. Independente de tudo o mais,
    E espero que seja feito. Principalmente quando este assunto se torna uma das prioridades do governo, o que me deixa particularmente intranquila.

    1. Em momento algum disse que não devem emitir uma opinião, não devem é imiscuir-se em assuntos que são do foro da sociedade civil e não religiosa. O que está em causa é o casamento, não o matrimónio. Quanto à procriação, que me conste é um dos fins do matrimónio.

      1. Correndo o risco de me repetir, a Igreja Católica não está a imiscuir-se e muito menos em assuntos de sociedade civil. É um assunto de todos e que a todos diz respeito.
        Emitiu uma opinião, como eu emiti a minha.
        De há uns tempos para cá, a palavra procriação tem aparecido muito na ribalta, mas não é um dos fins do matrimónio ou casamento. O seu fim é mesmo a cosntituição de uma família, base de uma sociedade.

    2. Desculpe lá MARCARVALHO, mas que referendo?
      Será que ainda ninguém reparou que os portugueses estão-se nas tintas para os referendos?
      Se lhes perguntam, que acham dos referendos respondem logo,que sim, que venham eles…mas depois de gastar rios de dinheiro para os realizar, a malta simplesmente borrifa-se e não quer saber…
      Quando fizerem referendos deveriam dizer que vão sortear uns carritos de compras, uns automóveis, viagens, assim talvez a malta se mexesse.
      O referendo é uma ideia péssima a executar neste País de preguiçosos, que levantar o rabinho do sofá, das ” chuvas de estrelas ” é que não, e depois dizem eles, para assuntos destes tão parvos….querem eles lá saber…
      Ninguém pensa em ninguém , o egoísmo impera!
      SOU COMPLETAMENTE CONTRA OS REFERENDOS, porque aqui em Portugal eles não vingam…só por isso.
      Acho que os programas eleitorais devem ser cumpridos e por conseguinte os temas fracturantes ou não, irão vingando na sociedade ditado pela vontade do povo que elegeu as forças politicas…
      E pronto, mais não digo

      1. Curiosamente, os temas fracturante são exactamente os que têm maior afluência às urnas, já que são particularmente sensíveis.
        Muito mais sensíveis que eleições, pois todos temos consciência que apenas alternam líderes e não se expressam ideias individuais.
        Apesar do seu grito, continuo a ser a favor dos referendos em matérias sensíveis, uma vez que não podemos nem temos deputados que possam defender as nossas ideias.
        Infelizmente, parece que o nosso PM já nos pôs à vontade, afirmando hoje mesmo que não haverá nunca referendo e que é perfeitamente autónomo para seguir o seu programa eleitoral.
        Qual programa eleitoral, agora pergunto eu? O da criação de postos de trabalho? O do fim da corrupção? Corro o risco de me estender por uma infinidade de temas.
        Mas, está visto, prioridade é mesmo para o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
        Todos viveremos melhor, descerá a inflação e estaremos na frente da Europa.

        1. Parece até que o dito cujo tinha prometido um referendo em programa de governo anterior. Acho que era sobre o novo tratado europeu e acho que faltou à promessa.
          Quanto à prioridade dessa coisa dos casamentos monocromáticos (como se não chegassem as gravatuchas dele), o caso está a pedir um ‘post’ a propósito.
          Até.

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