
A Carris Metropolitana é uma complexa iniciativa, agregando transportes rodoviários em torno da grande Lisboa. Ao que me constou foi atribuída por um concurso público, ficou nas mãos de empresa espanhola que terá adjudicado este negócio a uns israelitas – talvez seja verdade, talvez não. Consta que importaram dezenas de motoristas caboverdianos, por défice de profissionais habilitados que para esta nova empresa quisessem trabalhar. Enfim, depois de uma longa gestação, na articulação inter-municipal, a empresa (julgo que criada para o efeito) começou a operar. De imediato surgiram inúmeras queixas da população sobre o seu funcionamento e planificação de trajectos – ou seja, e em linguagem mais apropriada à Margem Sul do Tejo, a mão-de-obra contestou como os municípios os conduziam até à labuta diária ao serviço do patronato, público ou privado.
Dito isto: passado um ano de funcionamento abeiro-me de um autocarro que me leve a sul do Tejo. Na página da empresa os horários estão afixados. Tal como estão nas paragens da linha do autocarro 4710. Mas a empresa alterou os horários sem que tenha modificado a informação digital e física, descurando-nos. Assim em vez do anunciado transporte das 12.30 agora há um às… 14.30! Duas horas de espera.
Eu perco assim uma, consabidamente excelente cachupa, à qual me dirigia. Outros perderão o que bem sabem. Todos perdemos algo. Tempo, pelo menos.
Os autarcas, diante desta inaceitável arrogância da empresa a quem adjudicaram este serviço, protestarão que nós clientes (e não utentes, como nos querem desvalorizar) temos a mania de protestar por tudo e por nada. Os donos da empresa continuarão a lucrar, os administradores a serem tonificados com bons bónus.
E nós, povo, que nos lixemos. Em 2023. Como sempre até agora.

Neste fim do mês de Maio há avisos de muitas mudanças de horário da Carris Metropolitana, que não sabemos se por ser espanhola e israelita com motoristas caboverdianos assim acontece. Deveria haver um CPI para se saber como é que estes estrangeiros ganharam este concurso de serviço público.
Deveria haver um CPI para se saber como é que estes estrangeiros ganharam este concurso de serviço público.
Pergunta ao porco lampião Neres. Ele tem resposta para tudo e todos como tu.
Crítica muito acertada e oportuna.
Há quem chame a isto «serviço público». Só pode ser a gozar.
Mais uma para o Montenegro corrigir e brilhar.
O projecto rodoviário avançou com pompa e circunstância. Mas coxo – algo denunciado inclusive por alguns presidentes da câmara. Ao fim de um ano diz-se que vai melhorando mas com coisas destas…
A meu ver só mudou o nome de rodoviária de Lisboa para carris metropolitana pois na zona de loures os horários praticados são os mesmos e muitas vezes há sempre um motorista que decide não aparecer. O que faz com que a seguinte venha a abarrotar e toda a gente a reclamar. Pior ainda é ao fim de semana.
Não conheço os transportes nessa zona, apenas posso lamentar o que me narra.
A empresa é outra, mas é uma cassete riscada a todos os horários e linhas das empresas que funcionavam na área metropolitana de Lisboa.
A Rodoviária de Lisboa deixou de existir, os motoristas são da empresa que contratou mas respondem ordens a carris metropolitana.
Por exemplo as câmaras que tem as escolas, é tudo da câmara excepto os professores, é a mesma coisa, são tudo carris metropolitana excepto os autocarros (que tem o nome da empresa carris metropolitana) e os motoristas quem contratou foi a rodoviária de Lisboa mas respondem a carris metropolitana. Outra coisa Carris e Carris Metropolitana são empresas diferentes. Incluindo a nova empresa que funciona na margem sul, que tem uma ou nova linha feita por eles.
Acertou em algumas coisas, falhou em muitas.
Sendo investigador, podia ter investigado mais um bocadinho antes de mandar cá para fora o que lhe ia na alma e o que ouviu dizer… Nem sempre o que se ouve dizer está certo…
msf, 1) acertei, decerto, em mais do que “ouvi dizer”, acertei nos factos que narrei – em 2023 uma empresa rodoviária tem afixada informação errada sobre os seus horários; 2) quanto ao resto “acertei” ao explicitar que foram sentidos no início desta “complexa iniciativa” e na contratação in extremis de motoristas estrangeiros (nada contra isso, apenas denotando a ausência de condições laborais atractivas para os já instalados) – https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/t ransportes-alsa-todi-esta-a-melhorar-mas-a inda-ha-muitas-reclamacoes-em-setubal. Em que não “acertei” eu? Nas bandeiras dos detentores do capital das empresas a quem foi adjudicado este trabalho? De que se trata de uma nova empresa? São essas “muitas” coisas que me vem cobrar?
Já agora, onde “ouviu dizer” que eu sou um “investigador” e que isso me deve cercear o “que me vai na alma”?
A Carris Metropolitana é uma marca da TML, Transportes Metropolitanos de Lisboa, uma empresa metropolitana. Esta marca é usada pelos 4 operadores que ganharam os 4 lotes num concurso público obrigatoriamente internacional. A falta de recursos, nomeadamente de motoristas, é de há bastante tempo, só durante a pancemia é que não se notou (com a suspensão dos serviços ocasionais para o turismo). Com a entrada em funcionamento da Carris Metropolitana, apesar de faseada (os lotes 1 e 2 apenas começaram em 2023), houve uma tempestade perfeita: necessidade de aumento da oferta (definida em caderno de encargos) mas redução dos recursos disponíveis (porque houve retoma do turismo).
Em suma, falhou porque deveria ter começado por dizer que não se tinha informado mais do que vê na paragem que costuma usar. Tem todo o direito à sua opinião, mas faltou dizer que era apenas em relação ao lote 4 da Carris Metropolitana (linhas 4xxx) e que em todo o período em que esteve a decorrer o concurso público até ao anúncio da entrada em funcionamento da Carris Metropolitana não ligou às notícias sobre o assunto.
msf (presumo que o último comentário seja seu), face ao meu postal você que entende que o problema fundamental é a exactidão quanto à propriedade da empresa. É via interpretativa – eu vejo duas hipóteses para a fundamentar, uma prévia antipatia para comigo ou com o colectivo do blog (há vários comentadores nesse registo); uma extrema simpatia para com o conglomerado Carris Metropolitana. Ou mesmo ambas.
Há alguns pontos a salientar (mesmo prevendo que a sua reacção venha a ser baseada na minha primeira hipótese, mesmo que não apenas nela): 1) o que você leu aqui não é nem relatório, nem ensaio (sobre transportes urbanos), nem notícia (que isto não é um órgão de informação). É uma opinião (típica de blog). Pode padecer de erro, incompletude ou dolo. Se for imbuída de dolo perde pertinência (mesmo que aflore factos certeiros), nos outros casos não – será pelo sintoma de opinião de cidadão. 2) você tem razão – a “complexa iniciativa” está adjudicada a 4 empresas (presumo que tenha havido quatro concursos públicos, matéria pouco relevante para este assunto), cada uma responsável por cada lote (está na página da wikipedia). 3) você tem razão, não acompanhei o fluxo noticioso sobre a preparação do assunto – não entra nas minhas matérias profissionais (talvez nas suas), não tenho com hóbi a questão dos transportes urbanos, não sou grande cliente desta iniciativa abrangente. Mas não deixo de notar que não foram exactamente manchetes as notícias sobre este assunto. O que li fundamentalmente foi na imprensa regional (sadina) – como há um ano aqui dei eco (https://delitodeopiniao.blogs.sapo.p t/a-carris-metropolitana-14414628 ) em postal que ligou notícia (https://osetubalense.com/ultimas/2022/0 7/28/servico-carris-metropolitana-transp orta-revolta-e-tristeza-pelas-cinco-freg uesias-de-almada/).
4) E você não tem razão: o postal, que tem o erro (nem digo imprecisão, para não me acusar de retóricas) sobre a unicidade empresarial, tem explícito que não estou seguro sobre os conteúdos do processo empresarial. E, repito, não estou consignado à completude, é um texto de blog. 5) Também não tem razão ao deixar implícito (até mesmo quase explícito) que o cidadão que não acompanha os processos constitutivos de empresas, públicas ou privadas, não tem pertinência opinativa. 6) E, finalmente, não tem razão em duas coisas – o fundamental do postal não é, e julgo ser isso óbvio, a composição do capital empresarial , mas sim o facto dos horários não estarem a ser devidamente comunicados aos passageiros. E não tem razão mesmo, e sabe-o, ao torcer aquilo que eu disse. Afirma você, com evidente desfaçatez, na volúpia da contraposição (ou trabalhando, e se for esse caso até posso compreender a verrina), que falhei eu “porque deveria ter começado por dizer que não se tinha informado mais do que vê na paragem que costuma usar”. Ora está escarrapachado no postal que eu colho a informação na página digital, e comprovei-a não só a posteriori na paragem que ali usava como também a priori numa foto guardada em telemóvel que tinha tirado 3/4 antes num posto de venda. A qual me serve de muleta mas, exactamente porque “nunca fiando”, sempre consulto a “página” (ou precisa que eu diga “site”?).
E de facto a questão é só essa: pode a empresa mudar os horários? Pode. Deverá ter em atenção as necessidades dos clientes (a procura) mas tem essa possibilidade. Pode-se atrasar na alteração dos horários afixados nas múltiplas paragens? Pode. Não deve, é um bocado incúria, mas é compreensível… ainda que criticável, pois muito provavelmente vai atingir os sectores mais frágeis (os idosos menos informatizados, por exemplo). Mas pode mudar os horários sem o sinalizar na informação digital? Em 2023?
Enfim, prefere vocÊ criticar o bloguista porque não estudou o “dossier”? Ok. Boa sorte aí no emprego. Mas confesso, espero que perca a próxima camioneta…
Agradeço esta verdadeira opinião sobre este assunto. Desde o seu início na margem sul, nunca entendi como operavam, nem os horários estavam certos, nem eram frequentes e ao fim de semana quase não existem…Doente, com tratamentos diários em Lisboa durante 1 mês em Out/Nov.2022, passei a utilizar táxi, à saída do comboio. Pensei em reclamar, mas faltou o ânimo para lutar contra os poderosos, são forças tão desiguais. As pessoas mais novas que trabalham sujeitam-se, os reformados/pensionistas sujeitam-se.
Chega-se a casa com o desespero de 2 horas num transporte só de ida, porque ida e volta serão 4.
O desconforto é enorme, os comboios estão sobrelotados, volto para a origem de onde partem para poder vir sentada.
Continuamos no terceiro mundo ou na cauda da Europa, com uma tristeza enorme para quem sente que no sec. XXI, se estaria a caminhar para um futuro melhor.
Obrigada por ter trazido este tema, este facto, principalmente para o utilizador fragilizado.
Lamento esses seus padecimentos, obrigado pelo testemunho que aqui deixa.
Eu sou um passageiro irregular da Carris Metropolitana, farei uma ou duas viagens por mês. Escrevi o que passei neste passado fim-de-semana. Como me apareceu aqui um veemente comentador a defender a empresa (de facto é esse o sentido dos seus comentários) aqui reproduzo o que um conhecido meu, habitante em Palmela, escreveu no meu mural de FB (no qual coloco a ligação aos postais de blog): “Pois sem bem como é. Tenho sido bastante critico e os meus filhos como utilizadores reclamam no site da empresa quase todos os dias, porque quase todos os dias há problemas. (…) No caso da nossa zona o serviço piorou consideravelmente..”
Quando a nova empresa começou a operar a confusão e falhas foram e são tantas que neste momento já desisti de comprar o passe às minhas filhas que, ao fim de esperarem imenso tempo por um autocarro, quando finalmente aparecia um vinha demasiado cheio e nem parava. Acabavam por ir a pé… Lamentável…
A AML foi dividida em 4 lotes ou zonas.
No lote 1 ficou a Alvorada, no 2 a RL, na 3 a TST que pertencia ao Grupo Arriva que por sua vez pertencia ao Grupo Deutsch Bhan que vendeu a TST ao Grupo Dan, este sim Israelita, no lote 4 ficou a Alsa Todi, esta sim, Espanhola, tudo é gerido pela TML criada para gerir os contratos de concessão e que criou a marca carris metropolitana sobre a qual operam todos os vencedores dos contratos de concessão por lotes e também criou um tarifário único com vista à simplificação do mesmo.
Este sistema é usado há décadas na Europa.
Cá se não fosse pela força da lei europeia ainda estávamos no sistema herdado do estado novo, menos transparente.
Todos reclamam, mas deviam reclamar era com governo que dedecidiu prorrogar de forma unilateral por 2 anos as concessões anteriores gerando desinvestimento no sector, talvez hoje não existisse uma falta tão grande motoristas.
Victor Bravo, obrigado pelos esclarecimentos relativo ao funcionamento da Carris Metropolitana. Fico com uma dúvida face ao que me diz: no complexo empresarial que conduz este projecto reina a ineficiência (que eu chamo de soberba empresarial, para não a reduzir a mera incompetência) na comunicação dos horários dos transportes. Como eu constatei e outros clientes reclamam. Nesta situação devo protestar com o governo? O presente ou um qualquer anterior que tenha tomado quaisquer decisões sobre o assunto? É isso?
De facto a comunicação é um dos calcanhares de aquiles deste Projeto, devem reclamar no livro de reclamações, TML ou Câmara municipal a que pertencem ou até no nos pseudo-sites dos operadores.
Os horários nem vale apena ver por muito tempo, mais vale ir ao site da Carris metropolitana.
Victor Bravo, obrigado. Mas o problema é que, como digo no postal, nem no “site” a informação estava actualizada. É inenarrável.