A biblioteca do sem-abrigo


jmmcc,

 

Esta ilustração tem o seu quê de estranho e improvável, mas atrai-me. Imagino um sem-abrigo recente, alguém a quem a crise não quis poupar e atirou para uma situação indigente. Imagino o novo pobre, arruinado. Tudo perdido num ápice. Tudo, menos a sua biblioteca. Mesmo na rua, não é coisa que um homem dispense, enquanto for possível.

14 comentários em “A biblioteca do sem-abrigo”

  1. A concretização da ideia romântica: em Berlim há uma árvore estante. Foi criado no espírito do Bookcrossing, portanto é recomendado que quem tire livros os troque por outros, mas não é obrigatório e pode muito bem funcionar no espírito do post. Aqui uma fotografia que encontrei num blogue: http://gutenachrichtenreporter.files.wordpress.com/2008/07/img_1957_klein.jpg

  2. Tenho ideia do António Barreto ter fotografado algo semelhante, real, em Londres. A branco e preto.
    Não era de um sem abrigo, mas era uma biblioteca de rua, conceito deveras interessante.
    Pena que tenham praticamente acabado as bibliotecas itinerantes, que desenvolveram em muita gente o gosto da leitura!

  3. De beleza e arrepios. Não tem só um quê de improvável – tem vários. Estive não há muito no solar de uma família de pergaminhos perto de Aveiro. E dentro de duas salas literalmente forradas de milhares de livros do século XVIII aos nossos dias e de musgo entre as estantes. Um solar guardado pelo último sobrevivente da estirpe. Que já tinha 90 anos. Isto foi há dois anos.

  4. É triste ver casas arruinadas, especialemente as maiores, como palacetes e quintas. Há várias na área de Sintra só com paredes. Quando se passa é inevitável pensar quem lá esteve, existiram herdeiros? banquestes, crianças? tragédia, ruína?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *