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EMMANUELLE (1959)
Autora: Emmanuelle Arsan
Realizador: Just Jaeckin (1974)
Poucos géneros cinematográficos envelheceram tão mal como o soft porno, que na década de 70 seduziu multidões. O filme é uma curiosa relíquia desse tempo em que se mitificava a liberdade sexual como prelúdio ou complemento da revolução social. Superior, ainda assim, ao livro – pedante e pretensioso, nos limites do ridículo.

Foi o meu segundo filme “para adultos”. O primeiro foi “Fritz, the Cat”.
Penso que em Portugal Emmanuelle marcou toda uma geração pós 25. A sensualidade e o erotismo eram gritantes ao longo de toda a película, estava por todo o lado, nos gestos, no ambiente, na paisagem,nos silêncios…
A beleza inocente da protagonista extrapola sensações. O filme todo ele é um poema belo, morno, sedutor.
Claro que comparado com o que veio a seguir em catadupa, a beleza do corpo humano e dos seus sentidos perdeu-se naquele cisqueiro incontrolável de luxúria podre que tomou tudo e todos de assalto.
Filme irrepetível, época irrepetível.
‘Fritz, the Cat’ nunca vi. Nem ‘Tarzoon, a Vergonha da Selva’.
Lembro-me perfeitamente dos anúncios na imprensa. “Este filme contém cenas eventualmente chocantes” era a frase dominante.
Desses filmes que esgotaram lotações durante meses a fio só vi (não à época mas depois) ‘O Último Tango em Paris’, ‘A Última Farra’ e este. Todos vistos já na década de 80, quando a moda do ‘soft porno’ ou ‘porno chic’ chegara ao fim.
Vi o “Ultimo Tango em Paris ” e gostei. Devo ser condenada ao pelourinho por dizer isto, já que a protagonista se confessou violada pelo Marlon Brando – na altura ainda um pedaço de homem, que lhe deu o mediatismo que procurava – mas enfim… A” Grande Farra” tem um excelente elenco, mas é um filme bruto demais.
Já revi Emmanuelle, que como tudo o que é novidade poderia ter emplolgado a minha falta de visão erótica, mas está tudo lá. Principalmente o que não se vê.
‘O Último Tango em Paris’ é o melhor dos filmes eróticos. Um filme de poucas palavras, como é de bom tom nas convenções do género.
Maria Dulce, eu sou da geração que era legalmente demasiado nova para ver Emanuelle na década de 80, o que não quer dizer que não o tenha visto antes dos 21 e até antes dos 18.
Talvez porque o hard core era já livre, a subtileza do erotismo escapou à maior parte dos amigos e amigas dessa geração. Tal como escaparam outras subtilezas em que o filme é pródigo.
O filme não é sequer comparável ao livro. Ainda assim aconselho a leitura, caso desconheça.
Teria muito gosto em ouvir a sua opinião acerca do mesmo, caso queira partilhar.
viva Sarin. Não li Livro, mas vou seguramente remediar apesar de as críticas não Serem as Melhores
Acredito que só se consegue dizer verdadeiramente mal do kitsch depois de se apreciar toda a sua magnitude (lembrei-me de um conto do Fernando Veríssimo, agora :))
O livro parece… nem sei! Tantas abordagens possíveis em cento e poucas páginas…
Aos olhos de hoje trata-se de um filme medíocre, mas quem não o viu que levante o braço.
Eheheh. Eu vi-o pela primeira vez em vídeo-cassete alugada num vídeo-clube de que era sócio quando vivi em Macau.
Numa versão delirante, só com 50 e poucos minutos de duração, com todas as cenas em que se viam maminhas ferozmente cortadas pela censura chinesa – híper-sensível a essa componente anatómica do corpo feminino.
Resultado: não percebi quase nada daquilo. Tornou-se um filme inesquecível para mim por causa disso.
Pedante e pretensioso e paradoxalmente machista, nem parece um livro escrito por uma mulher sobre a liberdade sexual de outra mulher.
Mas é um belo retrato da mentalidade burguesa ocidental – libertas de medos ou vergonhas no que ao sexo respeita, as personagens continuam a franzir o nariz aos orientais, o que não as impede de os usar a seu bel-prazer.
O primeiro livro quase gráfico que li – e que aconselho vivamente: um estranho casamento entre a excitação provocada pelas imagens evocadas e o balde de água fria das filosofias extemporâneas e absolutamente idiotizantes declamadas em capítulos alternados. Ou de alterne? Spoiler alert: Só surpreende à primeira leitura.
O filme… conta como clássico do género e conta com a presença quase etérea de Sylvia Kristel que, encarnando uma personagem seduzida pela procura do prazer, parece procurar a personagem que lhe foge em cada momento filmado.
Sem dúvida, filmado para homens – mas também seria pedir muito que a revolução sexual tivesse acontecido em simultâneo para ambos os géneros.
Prefiro o porno ao erótico. Detesto o fingimento
Andas a perder muito na vida.
Falo de Arte 🙂
O erotismo não é fingimento, é envolvimento dos sentidos. De todos.
Erotismo é toda a viagem. Porno é um mero destino.
Arte é tornar o difícil em facilidade aparente. Não é fácil fazê -lo contra uma parede, ou fazendo-o num pino…daí a arte no porno.😈
Confundes ginástica com arte, herege!!!!
Ohh, siimmm, isssooo, no porno nada se finge.
Sugestão de filme: When Harry met Sally, 1989
Sugestão :
Garganta Funda (1972)
Wilbur Wang: [on the telephone with Dr. Young] You gotta help me. I’m in love with Linda. We want to get married… thank you. There’s only one problem – she needs a nine inch cock.
Wilbur Wang: I’m only 4 inches away from happiness
Desengane-se, vil senhor, se acha que a anatomia é o pilar da felicidade. Até porque o esófago nada tem de especial excepto a submissão. Suave veludo, quente envolvência, palpitante aperto… não precisa de ir tão longe, senhor.
Nem a conversa, a bem dizer.
Para mim, o comentário da semana!
Desconheço qualquer dos dois, mas ouvi falar qb do filme.
When Harry met Sally, 1989
Muito mal fingido.