Já li o livro e vi o filme (222)


Pedro Correia,

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     EMMANUELLE (1959)

Autora: Emmanuelle Arsan

Realizador: Just Jaeckin (1974)

Poucos géneros cinematográficos envelheceram tão mal como o soft porno, que na década de 70 seduziu multidões. O filme é uma curiosa relíquia desse tempo em que se mitificava a liberdade sexual como prelúdio ou complemento da revolução social. Superior, ainda assim, ao livro – pedante e pretensioso, nos limites do ridículo.

20 comentários em “Já li o livro e vi o filme (222)”

  1. Foi o meu segundo filme “para adultos”. O primeiro foi “Fritz, the Cat”.
    Penso que em Portugal Emmanuelle marcou toda uma geração pós 25. A sensualidade e o erotismo eram gritantes ao longo de toda a película, estava por todo o lado, nos gestos, no ambiente, na paisagem,nos silêncios…
    A beleza inocente da protagonista extrapola sensações. O filme todo ele é um poema belo, morno, sedutor.
    Claro que comparado com o que veio a seguir em catadupa, a beleza do corpo humano e dos seus sentidos perdeu-se naquele cisqueiro incontrolável de luxúria podre que tomou tudo e todos de assalto.

    1. Filme irrepetível, época irrepetível.
      ‘Fritz, the Cat’ nunca vi. Nem ‘Tarzoon, a Vergonha da Selva’.

      Lembro-me perfeitamente dos anúncios na imprensa. “Este filme contém cenas eventualmente chocantes” era a frase dominante.
      Desses filmes que esgotaram lotações durante meses a fio só vi (não à época mas depois) ‘O Último Tango em Paris’, ‘A Última Farra’ e este. Todos vistos já na década de 80, quando a moda do ‘soft porno’ ou ‘porno chic’ chegara ao fim.

      1. Vi o “Ultimo Tango em Paris ” e gostei. Devo ser condenada ao pelourinho por dizer isto, já que a protagonista se confessou violada pelo Marlon Brando – na altura ainda um pedaço de homem, que lhe deu o mediatismo que procurava – mas enfim… A” Grande Farra” tem um excelente elenco, mas é um filme bruto demais.
        Já revi Emmanuelle, que como tudo o que é novidade poderia ter emplolgado a minha falta de visão erótica, mas está tudo lá. Principalmente o que não se vê.

    2. Maria Dulce, eu sou da geração que era legalmente demasiado nova para ver Emanuelle na década de 80, o que não quer dizer que não o tenha visto antes dos 21 e até antes dos 18.
      Talvez porque o hard core era já livre, a subtileza do erotismo escapou à maior parte dos amigos e amigas dessa geração. Tal como escaparam outras subtilezas em que o filme é pródigo.

      O filme não é sequer comparável ao livro. Ainda assim aconselho a leitura, caso desconheça.

      Teria muito gosto em ouvir a sua opinião acerca do mesmo, caso queira partilhar.

        1. Acredito que só se consegue dizer verdadeiramente mal do kitsch depois de se apreciar toda a sua magnitude (lembrei-me de um conto do Fernando Veríssimo, agora :))

          O livro parece… nem sei! Tantas abordagens possíveis em cento e poucas páginas…

    1. Eheheh. Eu vi-o pela primeira vez em vídeo-cassete alugada num vídeo-clube de que era sócio quando vivi em Macau.
      Numa versão delirante, só com 50 e poucos minutos de duração, com todas as cenas em que se viam maminhas ferozmente cortadas pela censura chinesa – híper-sensível a essa componente anatómica do corpo feminino.
      Resultado: não percebi quase nada daquilo. Tornou-se um filme inesquecível para mim por causa disso.

  2. Pedante e pretensioso e paradoxalmente machista, nem parece um livro escrito por uma mulher sobre a liberdade sexual de outra mulher.
    Mas é um belo retrato da mentalidade burguesa ocidental – libertas de medos ou vergonhas no que ao sexo respeita, as personagens continuam a franzir o nariz aos orientais, o que não as impede de os usar a seu bel-prazer.

    O primeiro livro quase gráfico que li – e que aconselho vivamente: um estranho casamento entre a excitação provocada pelas imagens evocadas e o balde de água fria das filosofias extemporâneas e absolutamente idiotizantes declamadas em capítulos alternados. Ou de alterne? Spoiler alert: Só surpreende à primeira leitura.

    O filme… conta como clássico do género e conta com a presença quase etérea de Sylvia Kristel que, encarnando uma personagem seduzida pela procura do prazer, parece procurar a personagem que lhe foge em cada momento filmado.
    Sem dúvida, filmado para homens – mas também seria pedir muito que a revolução sexual tivesse acontecido em simultâneo para ambos os géneros.

    1. Andas a perder muito na vida.
      Falo de Arte 🙂

      O erotismo não é fingimento, é envolvimento dos sentidos. De todos.
      Erotismo é toda a viagem. Porno é um mero destino.

      1. Arte é tornar o difícil em facilidade aparente. Não é fácil fazê -lo contra uma parede, ou fazendo-o num pino…daí a arte no porno.😈

      1. Sugestão :
        Garganta Funda (1972)

        Wilbur Wang: [on the telephone with Dr. Young] You gotta help me. I’m in love with Linda. We want to get married… thank you. There’s only one problem – she needs a nine inch cock.

        Wilbur Wang: I’m only 4 inches away from happiness

        1. Desengane-se, vil senhor, se acha que a anatomia é o pilar da felicidade. Até porque o esófago nada tem de especial excepto a submissão. Suave veludo, quente envolvência, palpitante aperto… não precisa de ir tão longe, senhor.

          Nem a conversa, a bem dizer.

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