Sermão ministerial a jornalistas


Pedro Correia,

A política externa deve dar pouco que fazer ao titular da pasta dos Negócios Estrangeiros. Só assim se explica que Augusto Santos Silva tenha assinado um longuíssimo artigo com 17 mil caracteres na Folha de S. Paulo onde, entre alusões ao populismo e às novas plataformas da comunicação, se permite dar sermões, distribuir ralhetes e apregoar deontologia profissional aos profissionais da comunicação social.

Chega ao ponto de assinalar “a culpa do descumprimento ostensivo da deontologia profissional, que tem sido particularmente evidente e grave no jornalismo, onde todos os dias se repetem infracções descaradas a regras básicas de ética e deontologia, como a separação entre factos e opiniões, o respeito pela intimidade e a vida privada, a obrigação do contraditório ou o dever de prova”.

Daqui resultam duas interrogações. Primeira: quem terá investido Santos Silva nesta autoridade de doutrinador e “controleiro” dos jornalistas? Segunda: será por falta de pachorra para ler prosa tão copiosa que ainda não tomei conhecimento de qualquer resposta dos supostos endoutrinados?

30 comentários em “Sermão ministerial a jornalistas”

  1. Pedro, do que estava à espera? Se a própria classe profissional jornalística não consegue regular-se obviamente caberá ao Poder Político fazê -lo. Falta a ordem da Ordem, Pedro!

    Pedro, quantos títulos de primeira página o folheto higiénico Correio da Manhã fez sobre a poluição do Tejo e a Celtejo? Zero, pois a dita empresa é detida pelo proprietário do dito jornal…..e depois falam da interferência do Poder Político na comunicação social….ahahah….e a interferência do Poder Privado na informação? Lembra-se do outro caso do BES? Se a notícia não fosse do seu interesse ameaçavam com retirarem a publicidade do jornal que se atravesse

    1. Não seja tão snob, Vlad. O Correio da Manhã é o jornal que as classes populares preferem ler. Tal como gostam de ouvir Tony Carreira e de espreitar as gordas da Bola.

        1. O Povo é a classe popular mas apenas nas campanhas eleitorais. Entre estas raramente ouve falar no bombo da festa.

          1. Um belo trocadalho, esse 🙂

            (Pedro, isto é só happenings: não sei o que se passa, mas há mesmo comentários meus a serem publicados quase quando os envio e outros a demorar longas, extensíssimas horas. O das 18h23 foi muito antecedido por outros neste mesmo postal que ou não viram a luz do dia ou foram ocultados por este telemóvel traidor… Oh, bem, que se lixe, não são nada de especial, mas torna-se incómodo falar entrecortadamente, posso parecer tonta quando sou apenas louca. Se tiver solução que por mim passe, venham as instruções)

          2. Bobos é o que de nós querem fazer, veremos por quanto mais tempo papas e bolos nos alimentarão a alma sem que a maioria se rebele.

  2. Augusto Santos Silva, tal como qualquer outra pessoa, tem a liberdade de emitir as suas opiniões. A liberdade de expressão assiste-lhe, tal como a qualquer outra pessoa. Ele não precisa de ser “investido na autoridade” de dar a sua opinião. Ele dá a sua opinião no Folha de São Paulo tal como o Pedro Correia dá a sua aqui. Sem ser investido de qualquer autoridade.

  3. Tudo isso sobre os jornalistas?? E sobre os políticos, disse nada??
    Como diriam os leitores brasileiros “Iche Maria! Só Jesus na causa …”

  4. Sobre os políticos é preferível que falem os que não são políticos. Muitas classes profissionais gostam muito de serem eles a falarem sobre si próprios (médicos, jornalistas, etc.). Não gosto, dou mais crédito a quem está de fora.

    1. Eu sobre oftalmologistas, trolhas, ferroviários, padeiros, engenheiros químicos, bancários e toureiros, por exemplo, não me pronuncio. São profissões que mal conheço ou que ignoro por completo.
      Sobre jornalismo e jornalistas, pelo contrário, seria até capaz de escrever um livro. Ou dois.

      1. ” seria até capaz de escrever um livro. Ou dois.” Não tenho a menor dúvida. Escreva que eu compro e … acreditarei em tudo.

  5. Por exemplo, interessa-me muito mais saber se “todos os dias se repetem infracções descaradas a regras básicas de ética e deontologia, como a separação entre factos e opiniões, o respeito pela intimidade e a vida privada, a obrigação do contraditório ou o dever de prova” do que saber que o autor é um político. Se o que ele diz é verdade basta, a profissão do autor ou as suas funções interessam pouco. Se ouvir um jornalistas a criticar opiniões que são desfavoráveis à sua classe dou-lhe menos crédito. Como quando ouço médicos com a ladainha: só protestamos para defender os doentes.

    1. É como eu: já ouvi mil críticas ao governo Sócrates.

      Mas quando ouvir o primeiro ‘mea culpa’ aos portugueses oriundo de um ex-membro do governo Sócrates dar-lhe-ei muito mais valor.

      Nestes 17 mil caracteres de texto, Santos Silva desperdiçou essa excelente oportunidade.

      1. Já saiu a sentença do Sócrates? Passou-me ao lado!

        Antes de pedirem perdão por Sócrates, o PS deverá pedi-lo pelo psicopata que tiveram no governo e na UNESCO.

        1. A sentença da governação Sócrates foi divulgada vai fazer sete anos. A 17 de Maio de 2011, quando foi assinado o documento que determinou a perda de soberania financeira portuguesa e a intervenção externa de emergência do País, em pré-bancarrota.

          1. Não foi esse que foi assinado depois daquele que não sei quem não quis assinar?

            Pedro, Sócrates governou o País e, aparentemente, governou-se a ele – e sobre esta matéria manifesto-me tanto como sobre os processos colocados a outros dirigentes de vários quadrantes: é matéria da Justiça, falarei de minha justiça depois daquela se pronunciar, pois abomino falar de matéria cujos factos não detenho, e mais ainda de tal foro.

            Mas sobre a governação do País, pede o rigor que se relembre que: os governos de Sócrates deixaram obra edificada e funcional- e não duvido que Sócrates tinha uma visão integrada de gestão, o que não me lembro de alguma vez ter visto num PM português (ok, as minhas memórias são todas pós-25 e esta é uma opinião, mas mantenho-a e mais firmemente do que em 2010); Sócrates poderá até ser culpado de tudo o que o acusam em tribunal e na praça pública, mas alguns dos problemas foram herdados – tal como os vícios – pelo que Sócrates afundou um país que já estava abaixo da linha-de-água, no que teve ajuda de algumas figuras de proa do País e do PSD.

            Sublinho que nunca votei nele e que não gostei de algumas das suas políticas, menos ainda de várias das suas estratégias ou de toda a sua arrogância mesclada de condescendência; mas isso apenas reforça a minha isenção na apreciação. Vale o que vale, é óbvio; mas nunca acreditei em deuses e demónios, na política como no desporto ou na cultura. Enfim, na vida. Talvez que, como cidadãos, pudéssemos aprender a atribuir aos cães danados os méritos que possam ter – responsabilizar pelo mal causado sem negar responsabilidade pelo bem alcançado? Ou talvez seja verdade que as massas perdem objectividade perante o espectáculo do fogo.

        2. Vlad, Vlad, meu caro é mister ler com os olhos, como recomendam os francese. Por cause das coisas da responsabilidade!! Sim o Carrilho é que ha-de, de haver, pagar a coisa jasao do socrates e de outros tais da mitologia grega. Faça como aquele central do alpendorada, chute pra canto!! 😎

  6. Caro Pedro, também tinhas visto, no público. Nao liguei, esta coisa de zurzir no mau jornalismo e nas fake news não terá em mim um delator. Prefiro que a coisa esboroe!! O Santos Silva é peecisamente o que em 75 se designava por PMI. Hoje é catedrático, está tudo certo!! Não sei como o País aguenta. SS aguenta!! Trágico, digo eu!! O problema não reside no objecto da prosa, reside nas dioptrias. Não ve um boi, e isto é que trágico para um pretendente a intelectual!!

    PS recomendo o artigo, de hoje, no pasquim público do Santana Castilho

  7. à parte encontrar o texto um bocado elaborado, até parece artigo do jornal de letras, mas quem sabe os leitores da folha de S. Paulo são todos para cima de doutor e o senhor tem que caprichar no fraseado. Pois à parte isso, que até é desculpável, julgo que tem razão no que afirmou. E quem quiser saber por que o disse, experimenta perguntar-lhe.

  8. De facto, é preciso descaramento!

    É absolutamente inaceitável que alguém emita alguma opinião sobre jornalistas, sem obter prévia autorização da própria classe, através de qualquer um dos seus representantes auto-nomeados.

    Para um politico se pronunciar sobre jornalistas, o mínimo exigível é garantir que o texto é previamente revisto e ajustado à realidade por um pequeno comité de representantes da classe.

    Para agravar a infâmia…um politico duplamente manchado pela sua pertença ao PS e, imagine-se, pela sua participação num governo Sócrates.
    Como se sabe, são seres sub-humanos que perderam o direito a existir, opinar ou, Deus nos livre, intervir.

    Caro Pedro Correia, considerando que não sou politico, do PS, de um governo Sócrates ou alvo de alguma fatwa pessoal sobre mim lançada por ilustres jornalistas, pedia-lhe que submetesse este texto a aprovação prévia por um grupo de colegas seus. Dos mais ilustres, como por ex. o José Manuel Fernandes.

    Em caso de parecer positivo, que muito me honraria, seria para mim motivo de enorme alegria que fosse publicado no seu blogue.

    Deste seu servo intelectual,
    Miguel

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