De Belém, com afecto


Diogo Novo,

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O conceito “pós-facto” já entrou no léxico diário. Trump é a epítome desse mundo detestável onde a realidade é torcida e retorcida com o intuito de servir agendas próprias, ignorando os interesses nacionais e, por definição, os factos. Cá, em Portugal, não temos disso. Ou se calhar temos, mas a coisa é menos grave porque é feita com abraços, afecto e votos de saudinha a quem passa.

0 comentários em “De Belém, com afecto”

  1. Nas terras fundas da minha meninice, o conceito já era conhecido e integrado no léxico – e estendia-se em frase: “vender água sem caneco”.
    Roubando prosa a Francisco José Viegas, tal conceito implicava que, algumas vezes, na prosápia de adro de igreja (o forum que se perdeu para as profusas difusões electromagnéticas) “as palavras [eram] aquilo que patetas queriam que elas fossem, independentemente do que significassem. O último reduto da verdade – as palavras com que designávamos as coisas e a sua dignidade – (..) tinha (…) sido abatido” para a circunstância que, mais das vezes, era fogacho para iluminar o pateta palrador. Nos tempos de então, porém, o fogacho, mais que iluminar, tisnava. E assim os patetas eram facilmente topados por caracteristica tromba farrusca e pivete de chamusca. Isto releva uma das limitações da mediatização – a maquilhagem desmacula o tisno e, adicionalmente radio, tv, ‘display’, disco e cassete pirata não privilegiam o olfacto e assim permitem liberal confusão entre pegulho e pensador.

  2. Um relógio parado está certo duas vezes por dia.
    Se eu prever a morte de alguém todos os dias e não morrer antes, de certeza que há um dia em que acerto. Resta saber se gosto do facto ou o lamento.

    Faz impressão este anunciar desesperado do crash da dívida portuguesa.
    Há mais de um ano que andam nisto e ninguém lhes faz o gostinho.

    1. Não se impressione… um amigo xuxa, simpatizante do Assis, consegue ser mais acertado no sarcasmo – disse-me contemplando estes trailers do Prof. Rebelo de Sousa de mote “Always look on the bright side of life!” que branqueam a farsa do farsolas xuxa Costa y sus geringonços “Os fins de Março estão a chegar… e, desta vez, já nem há Ti Ricardo para aconselhar nem o gajo de Boliqueime a quem pedir que se interceda junto da Banca; só lhes resta o Constâncio, coitados…”

  3. Marcelo Rebelo de Sousa, já não é o Professor como sempre lhe chamámos, mas tem dado uma lição a todos de como unir, fazer a diferença, sem deixar de ser sério. Muitos criticam o facto de ele falar de tudo. Sempre falou. Deixou claro que seria a mesma pessoa. Mas Presidente”, elogia.

    http://www.msn.com/pt-pt/entretenimento/celebrity/marcelo-rebelo-de-sousa-tem-dado-uma-li%C3%A7%C3%A3o-a-todos/ar-AAmfaXb?li=AA5a2t&ocid=spartandhp

  4. Muito boa tarde.
    Salvo melhor opinião, a coisa é grave. O que o PR fez/ disse é muito grave, mas a “bovinidade” “mansa” dá nisto.
    Antes do AO havia duas palavras que definiam bem isto: mentira, vigarice.
    Se calhar com o novo AO desapareceram. Estou à vontade para escrever isto, pois já escrevi publicamente o que penso de positivo e de negativo do actual titular da Presidência da República. Cumprimentos.
    António Cabral

  5. Há dias vieram-me as lágrimas aos olhos:

    Ver o nosso Papa Marcelo a ajudar uma velhinha a estender a roupa no estendal da varanda…. ”

    Veio-me à memoria o filme : Aldeia da Roupa Branca ( já li o Livro e vamos ver muitos filmes idênticos)

  6. “O conceito “pós-facto” já entrou no léxico diário. Trump é a epítome desse mundo detestável onde a realidade é torcida e retorcida com o intuito de servir agendas próprias, ignorando os interesses nacionais e, por definição, os factos. “

    Nasceu ontem? 1984 foi escrito quando?
    Vamos comparar com Obama e “workplace violence” para designar vários ataques Islamicos. E isto é só um exemplo entre muitos.

    “Cá, em Portugal, não temos disso.”

    Não? O que é que a palavra “austeridade” , o que é que é a palavra “populismo vs social” , o que é a palavra “extremista vs activista” ou “fome vs jejum”

    Comece por se perguntar porque é que o Presidente ainda não foi chamado de “Populista”…

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