Sabíamos, enfim sabia quem sabia, que em Marrocos há três coisas que convém não discutir para não incorrer na ira do regime, que são Maomé, o rei e o Sara Ocidental, o que não sabíamos, e passámos a saber, é que o longo braço de Mohammed VI chegou à Covilhã, aparentemente através de uma cartinha, e levou a direcção da Universidade da Beira Interior a proibir a realização nas instalações da escola da conferência “Sahara Ocidental: a luta pela autodeterminação de um povo, promovida por estudantes de Ciência Política e Relações Internacionais. Isto em resumo do que os jovens fizeram saber pelos próprios meios uma vez que a comunicação social passou mais um dia às voltas com a puta da Caixa. A iniciativa acabou por realizar-se, nas instalações da Assembleia Municipal, mas ficou em muitos de nós, de outras épocas e memórias, a vergonha de ver abandonados à ocupação marroquina aqueles que há anos estiveram ao nosso lado contra a indonésia de Timor-Leste. Dixit.
O longo braço de Mohammed VI
modosdever,

Segundo entendo do comunicado lincado, o “longo braço” do rei de Marrocos ter-se-á resumido a uma carta na qual não terá sido solicitado o cancelamento da conferência. Aparentemente foi a direção da universidade quem decidiu, por seu livre arbítrio, cancelá-la. Nenhuma culpa por esse cancelamento pode ser atribuída ao “longo braço”.
Ah, claro que não, claro que não, Luís Lavoura, a carta da embaixada marroquina foi só de explicação e cumprimentos… Ora, por favor!…
Eu não li a carta, Fernando Sousa. Só li o comunicado lincado neste texto. E nesse comunicado diz que “em momento algum nesta carta estava explícito que se tinha como objectivo proibir ou censurar a conferência na Universidade”. Portanto: a carta não solicitou que se cancelasse a conferência. Portanto: a direção da Universidade tomou uma decisão que não lhe foi solicitada.
Valha-ma a Santa!… Claro que não estava explícito, claro que não! Alguma embaixada cometeria essa argolada? Bom, estamos a perder tempo.
Errata: não a direcção da UBI, mas sim a direcção da FCSH da UBI.
E ponhamos os nomes aos bois:
Pedro Ferreira Guedes de Carvalho, Presidente
Helena Maria Batista Alves, Vice-Presidente
Aldo Filipe Matos Moreira Carvalho da Costa, Vice-Presidente
Aguardemos agora pela versão deles.
Muito bem, venha lá a versão.
Por questão de justiça: note-se que o comunicado do NE omite o nome da pessoa (ou pessoas) que supostamente o deveria assinar, em representação do mesmo Núcleo.
Porque provavelmente quiseram com isso isso mostrar unanimidade, sei lá!…
Nova errata: afinal, no comunicado, o acto de proibição é atribuído somente à Presidência da FCSH-UBI.
Fica a errata.
Vejamos as coisas pelo lado positivo: aqueles alunos tiveram direito a uma aula prática de Ciência Política que vale por cem cursos teóricos.
O que aprenderam e o que vão fazer com isso, mais tarde se verá.
Concordo, Anónimo. E, sim, mais tarde se verá o que vão fazer com isso. Mas para já parece-me positivo que uma geração tão pouco mobilizada como a actual se interesse por um caso tão antigo e esquecido.
É o Sara Ocidental e Olivença. Por cá também tentaram impedir uma festa castelhana celebrativa da tomada de Olivença.
Não me parecem casos nem semelhantes, Conde.
Tem razão. Isto de estar sempre do contra baralha.
E por que razão tem o título de ser faccioso numa conferência universitária? Dá entender que o conteúdo também é politicamente anquilosado, à boa maneira comunista ou islâmico-comunista dado o alinhamento da Frente Polisário. Querem universidades tendenciosas com programinhas à PSR o melhor é irem para Cuba.
O título tem de ser faccioso porque exprime a opinião de alguém.
Não entendo.
Ui, estamos muito agressivos!… Não, eu não acho nada disso, não vejo porque é que uma reivindicação absolutamente coberta pelo direito internacional não há-de ser objecto de interesse de uma escola onde se estudam relações internacionais…
Garanto que não tem nada de agressivo — creio que nestas questões o espaço de debate numa universidade deve tentar permanecer neutro porque nestas coisas só existem lados e a instituição como espaço aberto de conhecimento deve fazer o esforço para não ser feita refém por nenhum deles.
Percebo o seu ponto e partilho da sua preocupação. Porém e com disse antes entendo que a questão saraui quanto mais falada e discutida melhor, como outrora defendi sobre Timor-Leste. E esta para mim só tem um lado: o direito dos sarauis a pronunciarem-se livremente e sem quaisquer demoras dilatórias e outros constrangimentos à autodeterminação.
OK, direito a pronunciar-se toda a gente tem. Mas para restabelecer “autonomias” naquelas paragens já vimos o que vem depois. Como Português, Europeu, Ocidental e anti-Islâmico, acho que o Reino de Marrocos nos serve melhor do que uma nova rua árabe.
Mas para mais conheço mal a história da ideia do “Saara Ocidental”. Vou investigar melhor.
Investigue, V., investigue. Talvez venha a descobrir que os sarauis não são tão islâmicos como pensa, que não representam ameaça para ninguém e que têm o mesmo direito à vida do que outro povo qualquer.
“O homem é o único culpado da sua própria perdição.”
Maomé
A perdição das oposições e não da aceitações.
É habitual hipocrisia, Fernando. Ou a coerência dos dois pesos e duas medidas na hora da verdade.
Uffffff!… Obrigado, Sérgio, estava a sentir-me só. Sim, é isso. Um abraço
É um absurdo desmedido a interferencia do reino feldal do Marrocos numa atividade acadêmica, de estudantes de uma Universidade de um país soberano. O que o rei marroquino teme é que o mundo tenha conhecimento da ocupação ilegal, do muro da vergonha de 2700km, das mais de 10 milhões de minas terrestres e das violações diárias dos direitos humanos dos saharauis. O rei Mohamad VI teme que o mundo saiba que ele age igualmente aos sionistas de Israel, que lhe prestam apoio e “cooperação técnica” para a repressão aos saharauis. Enquanto o rei gasta milhões de Euros em suas viagens e orgias pelas ilhas gregas, o povo marroquino passa do faculdades de moradia, alimentação e assistência à saúde. O Sahara precisa ter o seu território de volta e construir seu país livre e soberano!
É como diz, Marcos. Obrigado.