Pedro, até que ponto a literatura e toda a cultura é uma forma de escapismo? Uma fuga da realidade. Da nossa. Modesta. Inútil. Insignificante e sem significado. Tornámo-nos, por ela, viciados em emoções estrangeiras. A realidade já não chega. Mas, afinal quando foi que ela nos bastou?
A cultura, a suprema arte do esquecimento. Esquecimento das planuras. Embrulhamo-nos nela, amodorrados, e fechamos as janelas do nosso quarto. E perguntamo-nos no sobressalto de um sono acordado – É isto a Vida? Não há mais? Onde se esconde o mentiroso?
Preferimos a melodia palavrosa e fria que nos canta o Sol e esquecemo-nos de ir lá fora espreitá-lo – recordar como ele aquece. Cuidado aos que se esconderam tapados. Ele queima!
Deitemos os livros fora, ou agarremos apenas num, escrito a sangue e não a tinta. Decoremo-lo do principio ao fim, como antigamente (em que linha navega o barco de Ulisses? Se faz ouvir o choro de José? Em que circulo, surge Beatriz?) Saibamos pelo coração em que página está escrito : em verdade vos digo. Essa verdade velha e por isso verdadeira – O progresso será sempre pródigo nas maquilhagens da mentira.
Façamos como o Califa Omar. Arrasemos as bibliotecas. Queimemos os livros.
O dia amanheceu hoje frio para si, amigo Jeremias. Talvez para fazer jus ao seu pseudónimo. Não importa em que direcção sopra o Vento, importa que não nos traga mais labaredas. Bem bastam as que já andam por aí a incendiar o mundo.
Aleluia! Tardou mas chegou. Jeremias, o purificador das almas, dissipador das Trevas e Farol Iluminador da Existência. A Suprema Inteligência o guarde.
Amem amem.
O problema meu caro Jeremias é que a realidade não é para todos, pelo menos a que nos não está próxima. Ainda nos fica mais barato, e por vezes mais bem criada a imagem da realidade por nós através de um texto bem escrito, do que o conhecimento da realidade no meio de uns milhares de turistas acotovelados por “sticks” de “sélfie”. Arre que isto são só estrangeirismos! Refiro-me claro ao género literário aqui citado, embora este livro não configure a viagem típica do turista actual. A massificação do turismo, ao nível da civilização que financeiramente lhe chega, tornou as zonas de visita em locais verdadeiramente insuportáveis. A massificação do turismo para a população portuguesa não existe (existe só para um sector bem específico da sociedade). Vale bem a pena seguir o senhor Lawrence por 17€, afinal sempre é um pouco menos do que um bilhete para o futebol.
Pedro, até que ponto a literatura e toda a cultura é uma forma de escapismo? Uma fuga da realidade. Da nossa. Modesta. Inútil. Insignificante e sem significado. Tornámo-nos, por ela, viciados em emoções estrangeiras. A realidade já não chega. Mas, afinal quando foi que ela nos bastou?
A cultura, a suprema arte do esquecimento. Esquecimento das planuras. Embrulhamo-nos nela, amodorrados, e fechamos as janelas do nosso quarto. E perguntamo-nos no sobressalto de um sono acordado – É isto a Vida? Não há mais? Onde se esconde o mentiroso?
Preferimos a melodia palavrosa e fria que nos canta o Sol e esquecemo-nos de ir lá fora espreitá-lo – recordar como ele aquece. Cuidado aos que se esconderam tapados. Ele queima!
Deitemos os livros fora, ou agarremos apenas num, escrito a sangue e não a tinta. Decoremo-lo do principio ao fim, como antigamente (em que linha navega o barco de Ulisses? Se faz ouvir o choro de José? Em que circulo, surge Beatriz?) Saibamos pelo coração em que página está escrito : em verdade vos digo. Essa verdade velha e por isso verdadeira – O progresso será sempre pródigo nas maquilhagens da mentira.
Façamos como o Califa Omar. Arrasemos as bibliotecas. Queimemos os livros.
O dia amanheceu hoje frio para si, amigo Jeremias. Talvez para fazer jus ao seu pseudónimo.
Não importa em que direcção sopra o Vento, importa que não nos traga mais labaredas. Bem bastam as que já andam por aí a incendiar o mundo.
Para alguns baptismos a água não basta. É necessário o fogo.
Já ouvi falar na “purificação pelo fogo”. ‘Vade retro’.
Aleluia! Tardou mas chegou.
Jeremias, o purificador das almas, dissipador das Trevas e Farol Iluminador da Existência.
A Suprema Inteligência o guarde.
Amem amem.
O problema meu caro Jeremias é que a realidade não é para todos, pelo menos a que nos não está próxima. Ainda nos fica mais barato, e por vezes mais bem criada a imagem da realidade por nós através de um texto bem escrito, do que o conhecimento da realidade no meio de uns milhares de turistas acotovelados por “sticks” de “sélfie”. Arre que isto são só estrangeirismos! Refiro-me claro ao género literário aqui citado, embora este livro não configure a viagem típica do turista actual. A massificação do turismo, ao nível da civilização que financeiramente lhe chega, tornou as zonas de visita em locais verdadeiramente insuportáveis. A massificação do turismo para a população portuguesa não existe (existe só para um sector bem específico da sociedade). Vale bem a pena seguir o senhor Lawrence por 17€, afinal sempre é um pouco menos do que um bilhete para o futebol.
Nunca se deve fazer nada como um árabe ou qualquer outra criatura mono-lógica do Médio Oriente. É gente mínima que odeia a liberdade.