Chego ao multibanco para levantar dinheiro, já com o cartão na mão. Da direcção oposta surge uma senhora quase ao mesmo tempo. Cedo-lhe a vez, estendendo o braço na direcção dela.
Sem o menor gesto de agradecimento, abre a mala, tira de lá a carteira, abre-a e recolhe o cartão acompanhado de um papel. Depois põe os óculos de ver ao perto e contempla o papel com meticulosa atenção.
Enfia o cartão na ranhura e tecla uns números que me parecem intermináveis. Algo falha na operação, que volta ao princípio. Sai cartão, entra cartão, novo exame minucioso ao papel.
E tudo falha outra vez. A senhora pega então no telemóvel, numa aparente tentativa de falar para alguém. Arrisco então perguntar-lhe:
– Não se importa que eu avance? Preciso apenas de levantar dinheiro, são só alguns segundos.
Mostra enfim ter-se apercebido da minha presença. Sem me olhar limita-se a dizer, em tom ríspido:
– Vai ter de aguardar pela sua vez.
Depois de falar, mirou-me enfim, de sobrolho franzido, como se pensasse: “Já não há cavalheiros.”
E se calhar pensou mesmo.

![2016-01-12-Caixa-multibanco[1].jpg 2016-01-12-Caixa-multibanco[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2016/20053284_s49LK.jpeg)
Desculpe-me o insulto, mas o senhor fez figura de parvo (como eu às vezes faço).
As culpadas são as “blocas”. A sua cruzada para a igualdade dá nisto.
Haja também igualdade na má-educação.
Para a próxima já sabe. Mete o cartão à pressa à frente da “gaja” e ela que espere.
Leu-me os pensamentos, António Maria.
“As culpadas são as “blocas”.” A observação é muito inteligente mas eu discordo.As culpadas são as do partido que eu não gramo.
Vocês metem (ou “introduzem”) a política em tudo, caramba.
Que idiota! pensou a pessoa do sexo feminino. Não a posso chamar de senhora, pois isso seria elevá-la a uma categoria à qual dificilmente ascenderá.
Quanto a si, meu caro senhor, um bem haja por ser tão cavalheiro. Tomara eu ter a sorte de me cruzar com gente tão educada, para ter o prazer de responder: “agradeço a atenção, mas vou demorar.”
Maria Lopes
pessoa do sexo feminino
Em português diz-se “mulher”.
Mesmo assim, é respeito a mais para coisinha a menos.
Integramos uma espécie em vias de extinção, Maria Lopes.
No good deed goes unpunished.
Caro Marco
Prefiro o acordo ortográfico…. ” Já não há portugueses”
Não há mesmo, Pedro.
E só temos o que merecemos quando nos armamos nessa coisa extinta. 🙂
Eu aprendi a lição, Luís. Desta vez aprendi.
Ela tem razão:
Já não há cavalheiros: — ” Introduzir o Cartão” ?! ?!
A que isto chegou!
Eu quando vejo gajas à minha frente, introduzo logo.
A mim acontecem coisas parecidas tanto com velhas como com novas. Uma que me irrita é nas portas. Paro e a mulher, nova ou velha, passa sem dizer obrigada ou fazer uma ligeira vénia ou, pelo menos, olhar para mim. Chego a abrir a porta (por exemplo em restaurantes) e elas entram como se eu não existisse.
Ultimamente tenho usado outra táctica: paro, obstruindo o caminho, e a gaja ou me contorna ou choca comigo (qualquer contacto físico com mulheres, mesmo mal educadas e desconhecidas, agrada-me muito). Se houver contacto a responsabilidade é dela pois eu estou parado. Geralmente contornam-me, por vezes com um olhar (este caso já olham) furibundo. Eu sorrio.
Nas portas já não reparo. Cedo sempre passagem, abro a porta, se for preciso recuo – e na maioria das vezes nem um grunhido de agradecimento.
Infelizmente, tenho com muita frequência de esperar mais tempo do que gostaria, em caixas de supermercado, devido à mania que muitas pessoas, sobretudo as mulheres, têm de pagar tudo com multibanco. Perco muito mais tempo da minha vida aí do que nas caixas multibanco propriamente ditas. O problema é que, para além do tempo que as próprias transações multibanco demoram, há ainda os enganos com os cartões e os códigos. Um pagamento que em notas e moedas se faz num minuto, com multibanco pode demorar dois ou três.
É boa, eu com Multibanco pago com muito maior rapidez do que com moedas. Não há que procurar, que contar nem há trocos. Já nem falo no pay wave.
Caro Marco
Prefiro o acordo ortográfico….
A mim já me aconteceu coisa similar uma vez, mas foi com uma mulher que tinha uma data de cartões multibanco com ela e estava a fazer operações sucessivas com eles. Tirava um cartão da máquina, arrumava-o na carteira, da qual tirava outro cartão, e assim sucessivamente.
O multibanco é uma coisa muito boa, mas usada em excesso torna-se um horror.
Já me aconteceu várias vezes. Interrogo-me sempre por que motivo as pessoas só no preciso instante em que vão pagar se lembram de abrir a carteira e tirar de lá o cartão.
Quando acontece comigo tenho sempre o cartão na mão no momento de pagar. Poupo tempo. E não faço mais ninguém perder tempo também.
O problema nem é tanto, a meu ver, o só abrirem a carteira no momento em que vão pagar. O problema é que, além disso, têm que escolher qual o cartão com que vão pagar e têm que se esforçar por se lembrar se esse cartão está ativo ou não e qual o seu código PIN. Frequentemente vejo pessoas a tentar pagar com um qualquer cartão e depois a terem que o substituir por outro, ocasionalmente por um terceiro ou quarto.
Um teste ao nervos de aço de quem se segue na fila. É sempre mais gente do que devia.
Tempos modernos Meu Caro, tempos modernos.
Forte abraço
Muita sorte, ela não me ter chamado “porco machista” ou algo do género.
Parece mais um dia normal nas Beiras
“What a fucking day”, como escreveu um célebre poeta francês.
Credo! Malcriadona… sem noção! Não suporto gente mal educada.
É o que mais há agora, Fátima.
Talvez com a vinda do Papa, isto melhor!
Será D. Fatu?
Isso não sei. Sei que olhou para mim como se eu fosse o Donald Trump e ela fosse eleitora da Hillary Clinton.
Fiquei à seca. Não me passou cartão.
Acontece-me amiúde no trânsito, ceder passagem quando não era obrigado e nem um cumprimento. Por outro lado, quando me cedem a mim a passagem muito mais vezes acontece com homens do que com mulheres, mas isto provavelmente porque a % de homens a conduzir será superior à das mulheres.
Quanto maior o comprimento, menor o cumprimento. Lá diz o velho provérbio popular que acabo de inventar agora.
A má educação não tem género.
Mas está cada vez mais generalizada.
É por estas e por outras que eu sou contra as quotas.
Ou serão as cotas?!
Sim, neste caso concreto, aposto que é duma cota que se trata.
Uma cota que, dos tempos passados, para além da memória, guardou também a mania das grandezas ou a cor azul do sangue.
É mais isso.
De resto, a base em que assenta a grande maioria dos comentários aqui expressos é uma falsa questão.
Há muito que as mulheres jovens se libertaram desses atavios.
E, quando têm os comportamentos aqui recriminados, não é por serem mulheres, mas por simplesmente serem mal educadas.
Como qualquer homem.
Também sou contra as quotas. Mas nada tenho contra as cotas.
Já é tempo de a Inês Pedrosa se pronunciar. E meter as mulheres na ordem (ou, pelo menos, prometer).
Careful with what you wish for — dizia um filósofo Andorrenho (não sei se é assim que se escreve mas Andorrento parece-me bem pior).
Eu, muito por deformação profissional, abro portas, dou passagem, agradeço, dou lugar nos transportes públicos… enfim , um suposto cavalheiro no feminino. Já me aconteceu deixar avançar uma pessoa mais pré-histórica do que eu numa ATM, mas quando sacou de uma data de recibos, pedi desculpa, apliquei ligeira carga de ombro e avancei.
Já aconteceu estar quase 15 minutos com um táxi a contar e estar alguém a pagar interminavelmente o IMI!!!
Não se trata de falta de cavalheirismo, educação ou boas maneiras, mas por vezes não há pachorra que sustente a bonomia.
Moral da história, não foi parvo, otário ou palerma , Pedro. Foi gentil, mas os óculos da Senhora eram para ver ao perto…
Não volta a acontecer, Dulce. Garanto. Senti-me um palerma. Olho por olho, dente por dente: viva a “igualdade de género”. Pagarão as justas pelas pecadoras.
“Porco machista” já levei, mas ao telefone.
Telefonema de número privado (nunca mais os atendi) a pedirem para falar com a dona da casa, eu não servia.
Perguntei qual o assunto: que não tinha nada com isso porque “é o marido mas não é dono dela” (sic).
Com alguma boa vontade tentei explicar que se fôsse ao contrário a pergunta também seria feita, aqui ninguém é “dono” de ninguém.
Deligaram mas nem cheguei a saír de ao pé do telefone, a mesma pessoa volta a ligar e diz-me “é só para lhe dizer que você é um porco machista”.
Ao vivo só malcriadão, de 3 “senhoras” com ar respeitável espetadas num passeio exíguo a conversar e toda a gente a ter que ír para a estrada, não fui nem disse nada, fiquei ali especado e mudo junto delas até “perceberem”.
Lá me deixaram passar mas não imaginaram que tivesse “ouvido de tísico” com esta idade, portanto voltei atrás a pedir-lhes para o repetirem na minha cara, minha mulher divertidíssima.
No último sábado entro num dos elevadores dos “Armazéns do Chiado” que partem da Rua do Crucifixo para ír à FNAC como vou quase todos os dias.
Entra só uma “senhora” comigo, carrego para o piso 4 e pergunto delicadamente para que piso ela quer ír (só os pisos 4, 5 e 6 estão abertos ao público).
Responde-me “Meta-se na sua vida que não tem nada a ver com isso” e, na minha frente, carrega no piso 5 (afinal tinha…).
Quando saí ainda lhe ía eu a confirmar alto e bom som que de facto “o melhor que eu devia ter feito era estar-me cagando para si” (sic).
De tal modo que um dos vigilantes (que me conhecem e me falam) veio ver o que se passava.
Eu é que sou burro pois aqui as mulheres cá da família (e ao meu Amigo já contei como, cada uma à sua maneira, são bem “tesas” no dia-a-dia mas não dispensam estes pequenos gestos) dizem-me sempre que não vale a pena eu armar-me em cavalheiro.
Curiosamente vejo muita rapariga ali entre os 25 e os 35 anos ficar agradada, pelo que não vou desistir mas vou ser selectivo nas idades!
No trânsito então é notável.
Creio ter-lhe contado que minha mulher chegou a entrar em provas de competição semi-amadoras e até guiou um Fórmula 1 numa corrida “a brincar” aqui há uns 35 anos.
Ainda hoje guia muito bem e depressa mas só cede passagem a homens ao volante, diz ela que a mulheres nunca cede porque nunca agradecem.
Uma última nota.
Há dias um sujeito pôs-se a fazer várias operações numa caixa multibanco (desta vez foi “um” e não “uma”).
Ía dizendo “está quase” e nada de parar com aquilo.
Isto até que o que estava atrás de mim se identificou como “autoridade” com um cartão que não vi e lhe disse que, havendo uma fila, só podia fazer não sei quantas operações (não ouvi o número) e tinha que dar a vez ao seguinte.
Não sei se assim é nem como se poderá impôr “a lei” sem levarmos um polícia connosco se assim fôr, mas que o outro se foi logo embora lá isso foi.
Se alguém conhecer o assunto agradeço me esclareça pois há dias que não há nada como uma boa discussão na caixa do MB para nos pôr logo bem dispostos!
Abraço amigo
O seu comentário é uma verdadeira crónica, meu amigo. Que só reforça aquilo que escrevi.
Sinal dos tempos: eis as mais elementares regras de boa educação e civilidade a perder-se com uma rapidez estonteante.
Há gente – demasiada gente – que não cumpre os mínimos. Como o meu caro acentua, e muito bem, essa gente até é de gerações mais velhas, que teria a obrigação de cumprir normas elementares de boa convivência.
Como também refere, acabamos por encontrá-las junto de gente mais nova, às vezes de forma até muito surpreendente.
Não é de agora. Há uns 20 anos numa tabacaria pedi para me fotocopiarem umas 200 paginas, chegou uma mulher com umas 5 ou 10 páginas, vendo que demorava ela pediu-me se deixava passar à frente porque eram poucas páginas. Deixei. As 5 a 10 páginas de repente passaram 50 páginas ou mais pois mais tirava da mala. Fartei-me e disse ao funcionário da tabacaria para parar e voltar às minhas fotocópias. Ficou furiosa, mas mesmo assim tal não a impediu de tentar o jogo da sedução. Debalde.
Eu acho que a gaja era comunista. Só alguém inspirado no marxismo faria uma coisa dessas.
Falta de respeito pelos outros é parte essencial da doutrina Marxista logo é uma possibilidade.
De facto não é novidade que a boa educação e gestos de cavalheirismo comecem a ser raros e quando acontecem regra geral não são reconhecidos.
Mas são sinais dos tempos o que não significa que não haja gente bem educada e praticante da gentileza e simpatia.
Há gente bem educada, sim. Parece-me, no entanto, que existe uma espécie de censura social contra a boa educação.
Fez bem em dar passagem, as pessoas mal educadas serão sempre mal educadas. O mote comportamento gera comportamento é a minha filosofia, nem sempre dá frutos é verdade.
Sim. Ou se toma chá na idade certa ou muito dificilmente essa falha será compensada.
Um labrego – no caso, labrega – continua a ser um labrego, mesmo que conduza um BMW, ou tenha um fato da Sacoor… ou como quem diz: “Podes tirar o miúdo do bairro, mas não tiras o bairro do miúdo”.
Isso.
Pedro, when they go down, we go up!

Eu agradeço sempre esse tipo de gentilezas, sempre.
De gajas assim é que eu gosto.
Bem, das outras também. Gosto de todas.
Chama-se a isso desespero.
LOL
Às vezes ser um bom samaritano dá mau resultado. Aqui está aprova.
Mas como diz a minha mãe ” não te arrependas de fazer o bem “
Só me arrependo do que não faço.
Caro Pedro,
Como representante do sexo feminino lamento profundamente não ter tido a sorte de se deparar com uma senhora que merecesse esse gesto de cavalheirismo. Mas questiono-me: se se tivesse deparado com uma senhora assim teria sabido dar-lhe a devida importância, como deu a esta?
De mais para mais, a falta de educação é a atitude predominante, são raros os casos de pessoas com atitudes nobres. Louvo-o por ser assim.
Agradeço e retribuo.
Realmente… As pessoas estão cada vez mais egoístas.
A quem o diz…