«O blogger António Peixoto, que assinava como “Miguel Abrantes” (não sei porquê: “António Peixoto” já parece um pseudónimo), recebia 3550 euros para bajular o primeiro-ministro e mostrar os caninos aos seus críticos. Se a notícia é verdadeira, só me resta suspirar de alívio: uma coisa é elogiar Sócrates com convicção; outra, mais razoável, é receber algum dinheiro por esse trabalho sujo. A mais velha profissão do mundo não tem que ser a mais velha profissão imunda.»
João Pereira Coutinho, no Correio da Manhã

Porque é que o trabalho é “sujo”?
O blogue Câmara Corporativa (que eu costumava ler) não bajulava o primeiro-ministro nem ameaçava os seus críticos. Apenas louvava o PS e as suas medidas. Muitos outros blogues fazem o mesmo para outros partidos.
COMO SEMPRE
O DINHEIRO
O dinheiro é tão bonito,
Tão bonito, o maganão!
Tem tanta graça, o maldito,
Tem tanto chiste, o ladrão!
O falar, fala de um modo…
Todo ele, aquele todo…
E elas acham-no tão guapo!
Velhinha ou moça que veja,
Por mais esquiva que seja,
Tlim!
Papo.
E a cegueira da justiça
Como ele a tira num ai!
Sem lhe tocar com a pinça;
E só dizer-lhe: «Aí vai…»
Operação melindrosa,
Que não é lá qualquer coisa;
Catarata, tome conta!
Pois não faz mais do que isto,
Diz-me um juiz que o tem visto:
Tlim!
Pronta.
Nessas espécies de exames
Que a gente faz em rapaz,
São milagres aos enxames
O que aquele demo faz!
Sem saber nem patavina
De gramática latina,
Quer-se um rapaz dali fora?
Vai ele com tais falinhas,
Tais gaifonas, tais coisinhas…
Tlim!
Ora…
Aquela fisionomia
É lábia que o demo tem!
Mas numa secretaria
Aí é que é vê-lo bem!
Quando ele de grande gala,
Entra o ministro na sala,
Aproveita a ocasião:
«Conhece este amigo antigo?»
— Oh, meu tão antigo amigo!
(Tlim!)
Pois não!
João de Deus, in ‘Campo de Flores’
MILLÔR FERNANDES
“O dinheiro não é só facilmente dobrável como dobra facilmente qualquer um.”
“Depois de bem ajustado o preço, a gente deve sempre trabalhar por amor à arte”.
“Se todos os homens recebessem exatamente o que merecem, ia sobrar muito dinheiro no mundo.”
“O dinheiro não dá felicidade. Mas paga tudo o que ela gasta.”
“O que o dinheiro faz por nós não é nada em comparação com o que a gente faz por ele.”
“O dinheiro não traz a felicidade. Manda buscar.”
“O dinheiro não só fala, como faz muita gente calar a boca.”
OU ABRI-LA, como é o caso do post.
Luís Lavoura tem razão.
Conquanto ninguém vá para o paraíso pelos pecados alheios.
Porém, o mundo é o que é.
E para o que está.
Na pantominocracia, vale tudo.
Há alguma prova que o blogger não concorda com o que escreveu no blogue?
Se não há qual a diferença com a maioria dos jornalistas. Não são escolhidos pelas suas ideias políticas?
http://observer.com/2016/10/no-consequen ces-from-media-peers-for-reporters-caugh t-colluding-with-hillary/