Já li o livro e vi o filme (152)


Pedro Correia,

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LOLITA (1955)

Autor: Vladimir Nabokov

Realizador: Stanley Kubrick (1962)

Ainda hoje seria complicado transpor para o cinema a relação entre um adulto e uma menina de 12 anos. Na altura, Nabokov foi acusado de pornografia. Hoje o romance é considerado obra-prima. O filme é bom mas não chega a tanto.

0 comentários em “Já li o livro e vi o filme (152)”

  1. Li o livro há imensos anos e espero relê-lo, não sei é quando…
    Vi várias vezes o filme do Kubrick, aliás até o tinha gravado em VHS.
    Há tempos comprei o DVD do Adrian Lyne mas só por causa do Jeremy Irons, um actor que me fascina.
    Vê-se bem, mas não é a mesma coisa…
    🙂 Antonieta

    1. Por melhor que seja o filme, e o filme de Kubrick é muito bom, não atinge o nível do livro. Considero-o uma das obras-primas do romance norte-americano do século XX. Escrita por um russo, o que não deixa de ser interessante.

      1. Mas um russo muito peculiar que viveu poucos anos na Rússia (apenas 18) e que também só viveu na América cerca de 21 anos (1940/1961).
        Podemos dizer que metade da sua vida foi passada na Europa.
        E que personagem fascinante ele era.
        🙂 Antonieta

        1. Sim, era um cidadão do mundo, um russo cosmopolita que no entanto não deixou de transportar a cultura natal para onde quer que fosse. Julgo que ‘Lolita’ foi o primeiro livro dele integralmente escrito em inglês – uma espécie de teste que Nabokov fez com ele próprio. Resultou, sem sombra de dúvida.

  2. Vi os dois filmes sobre o livro quando estudante e numa sessão única, na altura não se falava ainda em pedofilia ou pelo menos o escândalo não atingira o clero e, como tal, a sociedade fechava os olhos aos casos, mas o argumento dos filmes chocou-me então e desde então tenho-me recusado a ler o livro, apesar de tantos elogios literários à obra.

    1. Senti o mesmo preconceito durante anos, mas ainda bem que o venci. Foi um dos melhores livros que li nesta segunda década do século XXI. E agora lamento não tê-lo lido mais cedo.

  3. Havendo para aí uma série de textos sobre o início de livros, talvez alguém devesse escrever sobre o início deste… 🙂

    (Mas não eu. O trecho que me encanta mais e deixa sempre de sorriso aberto é quando Humbert vê Lolita pela primeira vez:
    – Aquela era a minha Lo – disse a mulher -, e aqui estão os meus lírios.
    – Sim – respondi -, sim. São lindos, lindos, lindos!)

    1. Este é um caso em que a realidade se inspira na ficção. Lolita, com base neste romance, passou a designar as meninas que se tornam mulheres demasiado cedo. Os jogos de palavras e as mais expressivas metáforas são uma constante no livro. Nabokov domina com mestria o inglês, como se fosse sua língua-mãe.

  4. Se fosse escrito hoje como reagiria a sociedade e isto independentemente da qualidade da obra? A literatura não deve ter barreiras. Mas seria aceite sem discussão? Deixo a questão no ar.

    1. Sim, a literatura não deve ter barreiras. Se tivesse, baníamos obras clássicas. Sade ia à vida, Bocaccio ficava na prateleira, o Henry Miller era incinerado. E o que dizer da própria Bíblia, cheia de trechos indecorosos?

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