Eugénio de Andrade


Patrícia Reis,

Cada coisa

Cada coisa tem o seu fulgor,

a sua música.

Na laranja madura canta o sol,

na neve o melro azul.

Não só as coisas,

os próprios animais

brilham de uma luz acariciada;

quando o inverno

se aproxima dos seus olhos

a transparência das estrelas

torna-se fonte da sua respiração.

Só isso faz

com que durem ainda.

Assim o coração.

in “Sal da língua”, 1995

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  1. – Veneza

    Que música serias
    Se não fosses água.

    in ‘Escrita da Terra’.

    – A Difícil Pergunta

    Como se recusa o amor?, perguntavas,
    O sorriso brincando ao sol com as romãs.

    in ‘Os Sulcos da Sede”.

    Dois pequenos (só no tamanho) poemas do Eugénio, lembrando o dia 19 de Janeiro.
    🙂 Antonieta

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