O TERCEIRO HOMEM
Autor: Graham Greene (1950)
Realizador: Carol Reed (1949)
Caso raro: o filme – rodado numa Viena cheia de cicatrizes da guerra – surgiu antes do livro, que começou como guião. A música, a presença de Orson Welles num dos seus melhores papéis e a magnífica cena final são ingredientes desta obra-prima.

![6 - O Pequeno Homem[1].jpg 6 - O Pequeno Homem[1].jpg](http://8.fotos.web.sapo.io/i/Ba6097fb6/19159649_49zuI.jpeg)
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E a cena da roda. Com o relógio de cuco da paz suíça contra toda a magnífica arte das guerras italianas. (Uma adenda de Welles, se bem me lembro.)
A cena da roda, sim. Quando fui a Viena, em pleno Inverno, e apesar do parque das diversões estar a meio-gás, meti-me na roda gigante do Prater e por instantes pensei se estaria na mesma cabina onde tinham estado o Orson Welles e o Joseph Cotten.
Eu também me meti na roda mas não era Inverno. Em contrapartida, estava com uma pessoa que tem vertigens e passou o tempo todo paralisada no centro da cabine… 🙂
E eu estava com uma pessoa que, vá-se lá saber porquê, não achou a menor graça em descer ao sistema de esgoto de Viena seguindo a rota do filme (sim, há visitas guiadas para os cinéfilos mais fanáticos também aí). Fiquei sem conhecer a capital austríaca debaixo do chão…
Uma obra-prima.
Ponto.
…mas já agora , a voz em “off” (Carol Reed) a dar início ao estilo narrativo de todo filme,”Viena bombed about a bit”…
…e a música…e o rosto da Valli…e o judeu dos “baloon”…e…e…
Tudo. A música, as ruínas, as sombras projectadas nas paredes, os escombros da guerra reflectidos a cada esquina, os diálogos, a inesquecível cena final na estrada do cemitério com Alida Valli magnífica sem pronunciar uma palavra.
Ah, estava mesmo à espera deste. Ao contrário do que tantas vezes acontece, li o livro antes de ver o filme, a que aliás assisti na primeira ocasião possível. Na altura já tinha ido a Viena, onde infelizmente não voltei. e como sugerem em cima, essa fabulosa adenda do Welles não vinha livro, como depois comprovei. E no entanto tornou-se numa daquelas máximas fabulosas que dá sempre boa impressão invocar.
Nota ainda para a presença de Alida Valli, no papel de uma vienense perdida e protegida pelo terrível Harry lime, e que curiosamente morreu na altura em que vi o filme.
Sim, João Pedro, essa frase foi incluída no filme por sugestão do Orson Welles. Como o próprio Graham Greene confirma aqui: 0/specials/greene-astory.html
https://www.nytimes.com/books/00/02/2
A “Anna” era checa…
A humildade não era um dos traços mais marcantes de Greene. Mesmo assim ele reconhece:
«The film, in fact, is better than the story because it is in this case the finished state of the story.»
Vi o filme já era crescidinha e só depois fui ler o livro, porque normalmente há sempre um pedaço da história que o realizador opta por deixar de fora. Gostei de ler, mas prefiro o filme.
O filme é claramente superior, Dulce. Como Greene – que não era um modelo de humildade – é o primeiro a reconhecer.