A PONTE DO RIO KWAI (1952)
Autor: Pierre Boulle
Realizador: David Lean (Óscar de Melhor Filme e Melhor Realização, 1957)
Um caso evidente em que o filme suplanta o livro. Tudo é muito bom nesta película – do magistral desempenho de Alec Guinness à marcha assobiada pelos soldados britânicos aprisionados na Birmânia pelos japoneses.

![livro_764270761_1_524[1].jpg livro_764270761_1_524[1].jpg](http://6.fotos.web.sapo.io/i/B0813238e/19115540_zK06Z.jpeg)
![a-ponte-do-rio-kwai[1].jpg a-ponte-do-rio-kwai[1].jpg](http://3.fotos.web.sapo.io/i/B6a0906c7/19115538_h7GWk.jpeg)
Vi o filme no cinema, em écrã grande, numa daquelas reposições de Verão, talvez nos anos setenta, e revi-o na televisão.
Nunca li o livro.
🙂 Antonieta
É um filme imenso (até na duração) e com uma interpretação “do outro mundo” de ‘sir’ Alec Guinness, merecidamente galardoado com o Óscar.
Comprei o livro numa edição de bolso, em inglês, na Tailândia – país onde se anuncia o local da verdadeira ponte sobre o rio Kwai. O livro acompanhou-me nessas férias, mas confesso que não me deslumbrou como o filme.
Do Pierre Boulle apenas li ‘O Planeta dos Macacos’, que também foi adaptado para o cinema.
A construção da via-férrea da Birmânia é um tema inesgotável para livros e filmes. Recentemente vi o filme ‘The Railway Man’ (com o Colin Firth e a Nicole Kidman), baseado no livro homónimo e autobiográfico de Eric Lomax.
Também Richard Flanagan, vencedor do Man Booker, trata o mesmo tema no livro ‘The Narrow Road to the Deep North’.
🙂 Antonieta
Também vi ‘The Railway Man’, que achei relativamente decepcionante, apesar da presença radiosa de Nicole Kidman – uma das maiores estrelas do actual firmamento cinéfilo.
Nunca li o livro.
O filme fazia parte dos filmes da vida do meu pai e vimo-lo vezes sem conta.
A execelência do argumento e dos desempenhos ajudaram, no meu caso, a que a leitura do livro não se afigurasse importante.
Ainda revejo e convenço os mais novos a ver e a pesquisar para poderem situar o contexto do enredo.
É um filme épico, de um género pouco habitual. Um filme de guerra que vive essencialmente das personagens. Sem clichês nem banalidades de qualquer espécie. David Lean – um dos maiores cineastas de sempre – teve aqui, uma vez mais, um toque de génio.
Quatro filmes, ditos de guerra,de tempo mais distante, me ficaram para sempre na memória: A Ponte do Rio Kwai, Lawrence da Arábia, Duelo no Pacífico e Patton.
Mais recentemente, Flags of Our Fathers e Letters from Iwo Jima.
Magistrais.
Um abraço
Os épicos de David Lean são excepcionais. E – sintomaticamente – acabaram ambos por ser reconhecidos pela Academia de Hollywood, que os encheu de estatuetas.
O mesmo pode dizer-se de Patton, com uma interpretação magnífica – ia a escrever: quase demencial – de George C. Scott. Também ele cumulado de Óscares.
‘Duelo no Pacífico’ não conheço.
Os dois filmes de Clint Eastwood são do melhor que vi no cinema na primeira metade deste século. Clássicos instantâneos, como logo me pareceram.
Um abraço, Fernando.
Já que estamos numa de filmes de guerra, gostaria de aproveitar a ocasião para trazer à memória o “Merry Christmas, Mr. Lawrence”. Em jeito de homenagem.
Bem lembrado, sampy, não só pelo ‘Mr. Jones’ mas também pela banda sonora do Ryuichi Sakamoto.
🙂 Antonieta
Meu caro, só agora vi a sua amável resposta ao meu comentário, uns dias de férias fora da terrinha, sem net e quejandos ( ainda bem ).
Duelo no Pacífico era um file com Lee Marvin e Toshiro Mifune, dois homens que os acasos da guerra colocam numa ilha do Pacífico, deserta. Um filme de guerra, com dois personagens e sem qualquer cena bélica. Um achado quase esquecido, é de 1968, de John Boorman.
Abraço
Pois, Fernando, confirma-se: esse não vi. Fica na minha lista de filmes a ver.
Abraço.
Marchei ao som da famosa musica no meu juramento de bandeira, foi muito bom!
Sorte a sua. Meio caminho andado para a tropa marchar bem.
o honolável colonel saito e o colonel kaidamoto, foram os meus japs favoritos.
Deste último, a frase, dirigida a taka takata: “mais vale uma fuga infamante do que uma morte honrosa”. Lindo!
Taka Takata: o que você agora me foi lembrar…
CORRIJO: Colonel kaidamoto era Colonel Rata Hôsoja, irascível e megalómano, ávido por levar a Armada Nipónica à gloria.
Colonel Rata. Ou Coronel Lata.
Ambos muito bons! O livro li-o há muitiiiiiiiiiiiissimo tempo …
O tempo voa. Também nos filmes, também nos livros.
Em Angola a tropa acordava no quartel com a alvorada ao som do sonoro da Ponte de Rio Kwai.
A minha vizinha em Luanda tinha um papagaio que assobiava a ponte do Rio Kwai.
Todos os desfiles militares tinham o momento da Ponte do Rio Kwai a fechar.
Só de ler estas linhas pus-me eu próprio a assobiar a Marcha do Coronel Bogey… É para mim um símbolo de vitalidade e optimismo.
Já agora uma curiosidade sobre o Pierre Boulle, que fez o discurso mais pequeno de sempre ao aceitar o Óscar de melhor argumento adaptado: ‘Merci’.
Na realidade ele não escreveu o argumento (nem sequer sabia inglês), o seu nome foi indicado porque os verdadeiros argumentistas estavam na célebre lista negra.
🙂 Antonieta
Sim, o Boulle não sabia uma palavra de inglês. Foi um disfarce. E – vale a pena sublinhar – também uma desonestidade intelectual: ele nunca deveria ter aceitado aquele Óscar.
Muito antes de ver o filme, nem consegui acabar de ler o livro de tão fraquinho que é… ou se preferir de outra maneira: o livro é uma alternativa a um livro de palavras cruzadas ou sudoku, para quem tiver de matar o tempo deitado na areia duma praia.
Estou de acordo. O livro decepcionou-me.
no post: Boulle, com dois ll
Tem razão. Obrigado pela atenção. Já corrigi.