Praia de Ipanema


tralhasdavida,

Na praia de Ipanema

Passa Luísa no embalo da brisa

Passa José queimando o pé

Lá vai Juracema com carga pequena

Segue serena como Milena.

O sol abrasa na beira da esteira

Uns carregam a vida

Outros vão de bobeira.

 

Canta-se o mate, empadinha ou pastel

Agora de queijo, depois de mel.

Rostos curtidos por vezes aflitos

Vendem biquinis ou panos bonitos

Tatuam imagens, vendem massagens

Praia imensa, festa de Babel.

 

Horácio pensou e logo inventou

Que sem mercadoria p’ra desfilar

E precisando de grana para o jantar

Lhe sobrava somente o violão.

Dedilhou três acordes, soltou vozeirão

Juntou três versos de afeição

E numa fome de poesia ou alento

Gritou sua alma p’ra ganhar seu sustento

 

Madame Olívia, granfina astuta

Mandou chamar o pobre trovador

Pediu que cantasse canções de amor

E Horácio coitado, rezou ao Senhor

P’ra camuflar seu dissabor.

Por qualquer inspiração divina

Abriu em nota cristalina

E em todo o posto se fez esplendor.

 

Para casa levou uns trocados

No bolso velho já em retalhos

Madame Olívia, por sua vez

Logo esqueceu a actuação

Pegou suas tralhas num saco dourado

Deixou pela areia aquela canção

 

É assim a praia de Ipanema

Uns vão levando a vida

Outros carregam problema

 

6 comentários em “Praia de Ipanema”

    1. São mesmo versos meus. Escritos em 2009, depois de uma viagem ao Rio.
      Andei a arrumar ficheiros e dei com isto. Achei graça publicar.
      Nessa viagem, andei com uma máquina descartável a correr pela praia e a fotografar esta gente toda. O meu marido começou por morrer de vergonha, mas depois já apontava e gritava “olha aquele ali” e lá ia eu desenfreada para conseguir sacar uma foto.
      Daqui a uns dias publico mais um par de versos que para aqui andavam nos arquivos e aos quais acho piada.

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