Na praia de Ipanema
Passa Luísa no embalo da brisa
Passa José queimando o pé
Lá vai Juracema com carga pequena
Segue serena como Milena.
O sol abrasa na beira da esteira
Uns carregam a vida
Outros vão de bobeira.
Canta-se o mate, empadinha ou pastel
Agora de queijo, depois de mel.
Rostos curtidos por vezes aflitos
Vendem biquinis ou panos bonitos
Tatuam imagens, vendem massagens
Praia imensa, festa de Babel.
Horácio pensou e logo inventou
Que sem mercadoria p’ra desfilar
E precisando de grana para o jantar
Lhe sobrava somente o violão.
Dedilhou três acordes, soltou vozeirão
Juntou três versos de afeição
E numa fome de poesia ou alento
Gritou sua alma p’ra ganhar seu sustento
Madame Olívia, granfina astuta
Mandou chamar o pobre trovador
Pediu que cantasse canções de amor
E Horácio coitado, rezou ao Senhor
P’ra camuflar seu dissabor.
Por qualquer inspiração divina
Abriu em nota cristalina
E em todo o posto se fez esplendor.
Para casa levou uns trocados
No bolso velho já em retalhos
Madame Olívia, por sua vez
Logo esqueceu a actuação
Pegou suas tralhas num saco dourado
Deixou pela areia aquela canção
É assim a praia de Ipanema
Uns vão levando a vida
Outros carregam problema

Versos teus, Francisca? Uau. Estão mesmo a pedir música.
São mesmo versos meus. Escritos em 2009, depois de uma viagem ao Rio.
Andei a arrumar ficheiros e dei com isto. Achei graça publicar.
Nessa viagem, andei com uma máquina descartável a correr pela praia e a fotografar esta gente toda. O meu marido começou por morrer de vergonha, mas depois já apontava e gritava “olha aquele ali” e lá ia eu desenfreada para conseguir sacar uma foto.
Daqui a uns dias publico mais um par de versos que para aqui andavam nos arquivos e aos quais acho piada.
Gostei muito. Aguardo pelos próximos.
Obrigada, Pedro.
Beijo grande e bom Natal.
Obrigado, Francisca. Bom Natal também para ti e toda a tua família.
Também gostei.Vinícius?Mas ele não fala bem assim,Bandeira?
Agora o sei.