Vê-los na tv


Teresa Ribeiro,

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Com tanta coisa séria a acontecer no mundo, quando os vejo (uns a exortar contra o perigo comunista e outros a jurar que se entendem às mil maravilhas) só me apetece pôr-lhes pimenta na língua. Porque é isso que se faz aos pequeninos quando mentem. Vistos em perspectiva é o que eles são. Pequeninos mentirosos, a diminuir nas suas indignações de opereta até que se apagam entre as séries da cabo.

Confesso que por um lapso de tempo ainda pensei que embora polémica talvez esta reviravolta pós-eleitoral fosse refrescante para a democracia. Mas foi só um wishful thinking. Já percebi, eles já perceberam, já todos percebemos que não vai dar. Por isso, depois de ver as notícias que realmente interessam, prefiro mudar de canal e rever a Teoria do Big Bang, que está a repetir na cabo, ou o Prison Break.

0 comentários em “Vê-los na tv”

  1. “…tanta coisa séria a acontecer no mundo…”

    Agora acorda. Mas pelos vistos continua a não estar acordada sobre o Comunismo.
    Até também no dia que lhe bater à porta porque uma sua opinião foi contra revolucionária ou não suficiente revolucionária. Nessa altura também será tarde de mais.

    1. Quando fala de Comunismo, está a falar exactamente do quê e de quem?
      Da Republica Popular da Coreia do Norte, da Republica Popular da China, ou de outras Republicas Populares como por exemplo a do Vietname?
      É que convenhamos, que se é verdade que poucas pessoas e Empresas, gostam da 1ª, já em relação à 2ª, não há multinacional, nem capitalista que que se prese, que não adore lá ter ou poder vir a fazer um bom investimento, na tal Comunista R P China onde se matam pessoas com uma bala na cabeça, bala que alguém terá que pagar… Não há Democrata que se prese, que despreze a possibilidade de ganhar umas coroas valentes, apesar da falta de Democracia, da falta de Sindicatos, da falta da Liberdade de expressão e opinião, da falta de regras de Poluição, da ausência de salário mínimo e tribunais independentes e livres, de que tanto gostam e exigem ter nos respectivos Países.
      Pois se até já os Russos são nossos amigos, mesmo com a Ucrânia em banho Maria e nossos aliados no combate aos novos facínoras, os muçulmanos em geral e o Estado Islâmico em particular, mas ao que parece também por esse lado existem maus e bons.
      Este Mundo está sem sombra de dúvida a tornar-se num lugar complicado e difícil de entender, não acha?

  2. De facto. Essas ou outras, já que séries interessantes não faltam. E há sempre a música que acompanha um serão dedicado a um livro. Ou apenas esse livro e o silêncio.

    O problema é que esses pequeninos mentirosos mandam em nós. Ou fazem que mandam a mando (sejam esses pequeninos quem na ocasião for) de outros, pois que é essa a realidade em que por nossa culpa caímos. E fazem-no, ou querem fazê-lo, com legitimidades afirmadas mesmo que há custa de invocações oportunísticas de disposições constitucionais (ou das falhas destas) e da desvalorização de práticas, de elementar civilidade, sedimentadas ao longo de décadas. Décadas, convirá notar, de regime denominado de democrático e em que eles, à vez, sempre (se) governaram.

    Mandam em nós com o propósito de salvar o seu pêlo – e essa selecta pelagem não se contenta com salvamentos menores – e alimentar, para essa salvação, as suas clientelas. Eles e elas insaciáveis (ainda que elas, em larga maioria, profundamente embrutecidas e agradecendo efusivamente a esmola que depois pagarão devastadoramente), e como uma noção de pudor, de decência, na melhor hipótese muito residual.

    Proprietários, esses pequeninos, afinal, da coisa comum, para melhor garantir a certeza das coisas deles. Haja o que houver, custe o que custar.

    Nada de novo por aí, na verdade. É coisa antiga. A haver alguma novidade é essa de agora estarem bem perto do poder, exercido directa ou indirectamente, uns outros – seguidores de totalitarismos anacrónicos e desumanos, de quem nada de bom pode provir – e que se julgava contidos (mesmo que ainda arrogantemente palradores) em nome do mais elementar bom-senso desde o 25 de um já remoto Novembro.

    É este o legado civilizacional que o “bom povo português” se dedica a deixar para os vindouros (não mais certamente, na grande ordem das coisas, do que em obscuras e curtas páginas, perdidas no miolo de alguns futuros manuais de História e disciplinas afins).

    Triste povo. Triste mês, este Novembro que passamos. Triste o tempo que aí vem. Que sirva de vacina, pois marcas vai deixar.

    Costa

  3. Se há coisa que aprendi ao fim destes anos, é que na nossa vida não existem coisas simples, apenas coisas complicadas…

    Ora tendo esse principio como linha directora e sabendo que por definição a Politica é algo reconhecidamente complicado, não é difícil entender que existam diferentes interesses, de difícil conciliação, já para não falarmos nos totalmente irreconciliável.

    Basta conhecer um pouco a nossa História do século XIX, sobre a guerra civil e as causas que a originaram, para entender que além das nossas elites serem profundamente avessas à mudança, o povo de um modo geral consegue em muitas áreas ser tão, ou mais conservador que as elites, os Portugueses adoram os Messias que milagrosamente, ou à pancada, lhes proporcionam o que ambicionam, desde que seja conseguido sem esforço ou não os obrigue a puxar muito pela cabeça.

    Se a isso somarmos, uma Europa dirigida por um monte de mangas de alpaca, incapazes de auto-critica, avessos à mudança, de vistas curtas e a atravessar um momento em que não há mal que lhes não aconteça, estamos conversados.

    Toda esta conversa da treta para admitir, que tal como tu, por vezes também acho estar a ser governado por um bando de miúdos incompetentes e insolentes.

    E se é verdade que quando a realidade se torna desagradável, podemos sempre atirá-la para trás das costas, deixar de prestar atenção, ou negá-la pura e simplesmente optando por ver um filme.

    Não é menos importante perceber, que os problemas, a realidade tal como os acontecimentos em França demonstram, não só possui vida própria, como por vezes nos persegue e nos entra pela casa dentro, quer gostemos, quer não…

    E deve portanto merecer sempre a nossa atenção,pelo menos em dose q.b.

    E, oxalá eu esteja enganado, mas com os problemas a avolumarem-se a grande velocidade, mais tarde ou mais cedo a realidade vai acabar por se impor a vários níveis e da pior maneira, quer seja na Europa como nos Países que a compõem, Portugal incluído…

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