O drama das previsões é a frequência com que elas falham… Mas, quando isso se passa no campo financeiro, os resultados podem ampliar-se muito para além do que se espera.
Decorrido um ano o Novo Banco ainda não foi vendido. Ou seja, os 4,9 mil milhões de euros que o Estado disponibilizou através do Fundo de Resolução – indexados ao défice – fazem com que o sonho dos 2,7% como meta, possa atingir mais do dobro.
Goradas as negociações com a Anbang seguem-se as negociações com a Fosum, que já entrou na Fidelidade e no Hospital da Luz.
Duas preocupações me surgem neste momento, se estas negociações não chegarem a bom termo. Uma, julgar que Maria Luís Albuquerque não poderá cumprir o défice. Outra, considerar que, em Portugal, a China se está a expandir demasiado, num período que me parece o menos propício para tal.


“O drama das previsões é a frequência com que elas falham…” E ainda bem. Como seria a nossa vida se fosse possível adivinhar o futuro com muito pequena margem de erro?
As previsões em matéria política, social, financeira são como as previsões em meteorologia ou, talvez, ainda mais incertas. Por isso as previsões (em matéria de pensões de aposentação, por exemplo) são tão ridículas como prever que de hoje a 30 anos vai chover de manhã em Lisboa e de tarde em Sintra. A curto prazo ainda se acerta: é possível adivinhar chuva para amanhã (ou para daqui a umas horas se o céu estiver carregado com nuvens pretas) e é possível, em matéria financeira, adivinhar que de hoje a 15 dias não vou conseguir pagar a renda da casa. Etc. deixai-os adivinhar … a Maya da Sic adivinha melhor.
Ó JL
A previsão era a um ano de vista. Em economia não é muito.
Mas uma previsão eu posso fazer para 30 anos, sem recorrer à Maya e apenas à minha capacidade pessoal. É que dentro de 30 anos estarei morta!
Verdade ou não?!
:-))
Só depois de ver eu acredito.
J. L.
:-)))
Gosto dessa incredulidade. Dá-me vida!
Sabe-lá a evolução biónica nos próximos 30 anos…
Ó lucklucky
Eu, mulher biónica?!
Ah! Ah! Ah!
Que se saiba a haver prejuízo é do Fundo de Resolução. Pagam os restantes bancos. A CGD, que é pública, também paga. O estado como único accionista deixa de receber os dividendos.
Quando pagam os outros bancos…nós acabamos sempre por pagar alguma coisa. Vejam-se os casos BPN e BPP…
No caso da CGD não só o Estado deixa de receber os dividendos como participa na dívida.
Os bancos necessitaram de empréstimos do Estado para manter os rácios exigidos pela UE.
Para acreditar que vão ter dinheiro para pagarem o buraco do BES é preciso muitíssima fé. O género de fé que levou pessoas a considerarem verdadeiro que “o BES é bom o GES é que é mau”.
Acho que já nem o Presidente acredita nisso.
A única fé que tenho é a católica. E, às vezes, com certa dificuldade.
Fé bancária não tenho concerteza!
O estado é fiador do fundo de resolução.
Sendo fiador (tendo por garantia o pagamento futuro, por parte dos bancos que operam em Portugal) irá ter de arranjar forma de financiar o fundo, com o buraco que lá irá ficar (posso prever que irá ficar entre 2000 a 3500 milhões de euros). Esse financiamento será pedido aos bancos, irão ser pagos juros, dos quais o estado irá suportar durante os anos necessários até aos bancos irem repondo o valor em falta no fundo. No final, o que o tipo do conselho de ministros disse é verdade. O estado não irá perder dinheiro… a longo prazo. A curto prazo irá ter de financiar o fundo, através de uma coisa qualquer (provavelmente um empréstimo da CGD ou de vários bancos) e pagar os juros. Depois, será reembolsado em valores variáveis, todos os trimestres até que o valor esteja totalmente coberto. Daí as palavras de “operações contabilísticas que não se refletem no deficit apresentado a Bruxelas”…
Maria Luís Albuquerque não poderá cumprir o défice
Sim, mas em troca ficará na posse de um banco valioso, que poderá mais tarde vender a melhor preço do que atualmente, e, no ano em que o fizer, o défice será 0.
Ou seja, Maria Luís não cumpre o défice este ano mas em compensação mais que o cumpre noutro ano qualquer.
Apurado sentido do humor…
-:))
Não é humor, Helena. É mesmo assim.
Se o Estado agora não vender o NB, fica com défice mas, em compensação, permanece na posse do banco. Isso pode ser mau se o banco perder valor com o tempo, mas também pode ser bom se ele se valorizar com o tempo. Neste último caso, o Estado poderá vender mais tarde a bom preço, o que abaterá ao défice desse ano.
Não tenho razão?
Não é humor, é falta de sentido de humor.
Luis Lavoura
Poderá ser assim no seu campo previsional. Mas há outras previsões possíveis e, julgo, mais realistas. Com efeito:
1. Você prevê/ admite que Maria Luis continue no cargo, o que é cenário de alto risco.
2. Por outro lado, o Novo Banco, num ano de existência, perdeu valor. Se continuar sem ser vendido, a previsão não será de que aumente o seu valor, mas sim o contrário, porque a desconfiança do mercado será maior. Se não valeu o dinheiro que lá foi injectado e os activos com que ficou, o que é que pensarão os actuais depositantes? Pela lógica, mudarão de banco.
3. Se os depositantes fugirem – eles são o maior activo de um banco – este irá progressivamente perdendo valor.
Como vê eu que não costumo ser pessimista, tenho algumas dúvidas sobre o seu optimismo!
Helena,
sobre a Maria Luís continuar no cargo ou não, isso não me preocupa. O que me preocupa é o que é bom para Portugal, independentemente de quem seja o ministro das Finanças do momento.
Você prevê que o NB desça de valor. Eu considero essa possibilidade. E parece que os chineses também a consideram. Mas o que eu digo é que pode perfeitamente ocorrer a possibilidade oposta. Que o NB, bem liderado como está, adquira valor. E acho que ambas as possibilidades devem ser consideradas.
(Já agora, você não pode afirmar, como sugeriu no seu comentário, que o NB tenha perdido valor de há um ano para cá. Os 4900 milhões de euros que o Estado lá meteu há um ano não foram por ele valer isso, foram porque era isso que ele precisava para se manter à tona. O Estado meteu lá 4900 como poderia ter metido 3000 ou 6000: metia o que fosse necessário. O facto de agora os chineses só quererem dar 2500 por ele quer dizer que ele agora vale 2500 – nada nos diz sobre o valor dele há um ano.)
Não estamos a falar do mesmo.
Eu falo de prejuizos que se devem a perda de depositantes, a pagamento de taxas altas para cativar depositos, etc, etc.
Claro que os 4900 milhões foram para tapar buracos. Mas o banco ficou com os activos bons e os prejuízos vêm de algum lado.
O problema é mesmo o mercado liberacionista… e Bruxelas. É que ao cabo de 2 anos, a UE poderá dizer que o NB é parte do estado e o governo só terá 2 opções: Vender ao primeiro que apareça ou integrá-lo na CGD, extinguindo a licença bancária que o banco possuí.
Ambos tem problemas técnicos tanto para o, dito, mercado, como para a própria doutrina dos partidos de direita.
Neste momento o mercado de capitais tem mais poder do que todos os governos do mundo. E se, esse mercado, começa a pressionar algo, quem sofre são as pessoas.