O carro não fala, não é uma ficção de televisão banal e datada, porém tem os seus momentos. De repente, uma luz. Uma luz que à mulher não quer dizer nada. O símbolo a que a luz está associada é apenas isso, uma coisa que parece a letra D e uns raios. Mais tarde, perguntará ao marido e ele dirá, sem a encarar, olhando para a televisão, que são os faróis de nevoeiro. Ela ainda sentirá a tentação de perguntar como é que se desligam, mas o futebol já começou.
há luzes e depois há o futebol
Patrícia Reis,

![2015-06-19-Luzes-1[1].jpg 2015-06-19-Luzes-1[1].jpg](http://9.fotos.web.sapo.io/i/Be2145de1/18568363_VFzp3.jpeg)
Atenção, conduzir com o farol de nevoeiro ligado, em noite sem nevoeiro, dá direito a multa.
Sugiro-lhe que leia o livro de instruções da viatura (para saber onde é que se liga/desliga aquilo) e que não se fie no marido.
Quem a avisa, seu amigo é…
Farto da importância desmedida do futebol, da sua impunidade e do criminoso embrutecimento através dele empenhadamente cultivado e servido cavalarmente à avidez insaciável das massas – e até de boa parte dos seres pensantes que as integram – ando eu. Mas aqui parece-me impróprio apontar-lhe um dedo, seja acusador seja resignado. Que diabo, algures no porta-luvas desse carro deverá estar (atrevo-me a pensar que em condição virginal) um “livro de instruções”, “manual do utilizador”, ou coisa similarmente designada.
Já nem invoco a prudência de uma sua leitura, mesmo que “em diagonal”, antes do primeiro uso do veículo. Mas a sua consulta para esclarecer esse tipo de dúvida é uma das razões porque esses livrinhos são feitos.
E antes de tudo isso o simples olhar interessado, sem sequer requerer formação no tema; servido de simples bom senso, para os botões, pequenas alavancas e similares usualmente dispostos em torno do volante ou no “tablier”.
Faróis de nevoeiro, tendo a felicidade de usar um carro com eles equipado, são um equipamento demasiado importante – potencialmente pelo menos, podendo ser tão úteis como perigosos (se indevidamente ligados) – para os reduzir ao estereotipado, militante e aparentemente muito sofisticado afastamento feminino do que seja “mecânica” ou coisa que a tal pareça soar.
Diria eu.
Costa
Má comunicação.
Mas a mulher tem sempre a hipótese de aprender onde o marido aprendeu. A capacidade de conhecer de símbolos que aparecem no conta-quilómetros e de saber apagar a luz de nevoeiro não é determinada pelo sexo.