No passado, defendi o "não" ao referendo ao aborto. Lembro-me bem do tipo de insultos que recebi, e de ver denunciada por toda a parte a minha insensibilidade, intolerância e ignorância, por recear que a lei a debate viesse normalizar uma prática que deve sempre ser evitada. Não me dá qualquer satisfação ver que os meus argumentos estão hoje amplamente justificados, como o João Moreira Pinto aqui enumera, a partir de dados do Público. Muito pelo contrário.
Coisas tristes
cadernoelastico,

As estatídticas, minha cara, servem para fundamentar tudo o que se quiser. Portanto provam tudo e o seu contrário.
Pois !…
Tratar mulheres que abortam como criminosas é profundamente ignorante, talvez fosse mas inteligente debater o que se deve fazer para o evitar, pensar no que está mal e tentar melhorar, planeamento familiar, educação sexual nas escolas, and so on, vindo de uma mulher espanta-me que aceite que outros possam ter qualquer poder sobre o seu corpo, mas isto sou eu. Filipa
Se a mulher pagasse para interromper a gravidez dizia-lhe sim a tudo. O que acontesse é que eu e outros pagamos para que algumas senhoras façam o número de abortos que lhes apetesse como alguns casos que vieram a público de 3 e 4 abortos no historial. Sendo assim discordo (e somente pelo facto de ser eu a pagar para isso) acerca do poder sobre o corpo feminino. O poder sobre o corpo feminino minha cara é saber fazer o amor com protecção e não andar a brincar com coisas sérias. Uma vez acontesse agora 3 e quatro. Vão brincar com o pagode.
Porque é por aí que começam as generalizações e, como depreendo pelo seu discurso, sabe bem o quão perigosas são as generalizações, principalmente sobre um assunto tão sério. Eu não votei sim para isto.
Cumprimentos
Não é a legalização do aborto que leva a estes cenários. A legalização apenas os trouxe para o domínio público. Agora podem-se contabilizar, estudar, divulgar e discutir. Se o “não” tivesse ganho, a situação seria idêntica mas não teríamos conhecimento dela o que facilita a ilusão de que nada disto aconteceria.
Apesar de ter votado “sim” no referendo, entendo que é necessário continuar a reflectir, ao contrário de outros que acham que já foi tudo dito. A caracterização do aborto como uma rotina médica a ser feita como substituto da contracepção é grotesca. A par de melhor saúde para a mulher o objectivo também incluía a diminuição dos abortos. Julgo ser nessa diminuição que tanto os defensores como os opositores da lei, se deveriam concentrar.
Creio que se entende perfeitamente o que diz a Ana Margarida. E parece-me muito acertado este seu comentário.
Como a compreendo… É difícil estar em contra-ciclo e ter a coragem de o dizer na praça, sem alinhar em fundamentalismos nem em modas de paróquia, quaisquer que elas sejam.
Para quem não fez (nem faz) do assunto mais um happening político-eleitoral , ou então um simples instrumento comezinho – um impecilho – da chamada ‘vida boa’, nada do que diz o JMP constitui novidade.
A verdade é que o fundamental, mesmo, é acompanhar. Sempre. E nada como factos objectivos para evitar desperdícios em conjecturas e centrar serenamente a atenção no essencial.
Sem ruído e sem lixo: ao menos isso;)
A Ana Margarida deveria era ler a seguinte frase na notícia:
“Deixámos de ter nas urgências hospitalares as consequências do aborto clandestino. Praticamente já não fazemos corretagens e isso é um grande ganho em termos de saúde”
Em termos de saúde a situação melhorou muito, na medida em que, aparentemente, deixou de haver abortos clandestinos. Isso é que é importante. Isto é uma realidade concreta, que não depende dos peconceitos morais meus ou da Ana Margarida.
«Corretagens»?! Nas urgências hospitalares?! Eu sei que se divertem imenso quando estão de banco, mas tanto… 🙂
Conclusão: afinal o Estado é neutral quanto À prática do aborto, quando o devia desincentivar. E ainda pessoas com problemas cancerígenos à espera de tratamento por causa dos “segundos abortos”.
Olá a todos!! Tantas considerações possíveis de fazer… “O corpo é da mulher!”; “Mais vale fazer menos intervenções de remediação!”;”Mas fazem com o meu dinheiro!”… enfim… e no meio disto tudo onde fica o Juramento de Hipócrates?!??? Onde os médicos se comprometem, JURANDO nunca tirar a vida a um embrião de dentro do corpo de uma mulher, mesmo que ela lhe peça??!! Ora, aqui está um dos grandes problemas da nossa sociedade; a falta de valores; a falta da HONRA; Jura-se, mas isso são pró-formas!! Jura-se, mas não se cumpre…Jura-se, mas ninguém pergunta aos médicos que praticam abortos, se ainda se lembram do Juramento! Por isso: os médicos matam, os políticos roubam, os juízes deixam passar… Triste País!!!