Vítor Constâncio
Tem um ar grave e circunspecto, a condizer com os reposteiros presidenciais. O cachimbo fica-lhe bem. E há quem jure que percebe imenso de contas públicas – embora neste caso a doutrina se divida. Nativo do signo Balança, 71 anos. Já foi ministro das Finanças, como sucessor de Medina Carreira, governou o Banco de Portugal em tempo de previsões falhadas e ocupa hoje uma das vice-presidências do Banco Central Europeu. No PS, que contou sempre com o seu aval de especialista em operações de adição e subtracção, encontraria certamente alguns apoios: convém recordar que Vítor Constâncio chegou a ser secretário-geral do partido, entre as lideranças de Mário Soares e Jorge Sampaio.
Prós – Resiste incólume às intempéries. O descalabro das contas públicas – portuguesas e europeias – não lhe causou até agora um só cabelo branco.
Contras – Em 1987, com um lapidar erro de cálculo político, ofereceu de bandeja ao PSD a primeira maioria absoluta de Cavaco Silva: os militantes socialistas dotados de boa memória ainda não se esqueceram disto. Se fosse para Belém, perderia muito dinheiro: tem um salário milionário como vice-presidente do BCE.


Será que quem for para Belém, em vez da pensão, poderia optar pelos vencimentos do BCE? Mesmo assim, nada compensaria uma função muito mais técnica, atractiva e mundana e, apesar de tudo, num sossegado segundo plano, e em vez disso andar a receber os Verdes, comissões de sindicatos e dos patrões, diplomatas, andar a descerrar placas, a ouvir insultos, etc, etc… Livra!
Talvez pudesse manter o vencimento de origem. Ou melhor: a pensão. Tal como o actual inquilino de Belém optou por fazer, desvalorizando (e de que maneira) a função presidencial ao alegar que o salário e respectivas ajudas de custo não lhe chegavam para os alfinetes.
Para 71 anos, tem o cabelo muito pouco grisalho. Falta de ralações, é o que é.
Ou então usa o mesmo produto que o ex-bispo das efeás (cujo silêncio ando a estranhar, e muito).
Teríamos um presidente restaurador. Olex.
Até dava um bom venerando.Tem tudo,a farronca,o poder apostólico,a sotaina
e as bençãos marxistas,pode prometer os dois paraísos.
A sotaina e o cabeção.
Que maldade, Pedro; este texto é assassino (mas justo). 🙂
Só faltou dizer (está implícito, bem sei) que não teria o apoio de Soares, o que se insere, simultaneamente, nos prós e nos contras.
Abraço.
Soares não votaria nele, Carlos. Por ser contra “essa corja de malandros do BCE” (cito de cor).
Abraço.
E tem, para a previsão económica, o mesmo faro certeiro que o Avante para as notícias: basta ler o contrário do que lá está, e o oposto do que ele diz.
Constâncio também nisso. Enquanto outros são inconstâncios.
Nem sequer tem Costas para carregar o bloco de partida.
Costas tem as ditas largas. As costas.
Oportunista!… Não tem cabelos brancos porque os pinta.
A sério? E eu a pensar que ele seria imune às preocupações…
não lhe causou até agora um só cabelo branco
Não acredito. Deve é ter os cabelos brancos todos bem pintados.
(Tal como Silvio Berlusconi, que também tem o cabelo de uma cor bem uniforme.)
Agora lembrei-me que também Fernando Ruas não tem um cabelo branco… Nem um pelo branco no bigode.
Pintar o bigode é, creio, mais difícil, porque ele está sempre a crescer. Não sei como é que se faz. Provavelmente tem que se pintar pelo menos uma vez por semana. Deve ser uma despesa enorme.
Duplo pesadelo. Usar bigode e pintá-lo todas as semanas.
Ai! Pedro do que te havias de lembrar…
Trata-dse de um bom pintor, de facto!
De vez em quando dá-me para estas coisas, Helena…
À parte os cabelos pretos e carapinha, ainda tem muitas mais qualidades.
É um dos muitos rolhas que em Portugal abundam.
Flutuam sempre, suavemente.
Tem hipóteses, sim senhor.
Nada mais lisonjeiro. A cortiça é um dos mais afamados produtos nacionais.
Ó Pedro e creio que além do salário milionário, terá uma pensão de viúvo. Pelo menos é o que corre por aí e, confesso, não me espantaria muito!
Temos de chegar à conclusão que o Presidente da República é mal pago, Helena. Começo a dar umas migalhas de razão ao actual titular.
Não se poderia vender mais umas reservas do ouro que a pesada herança deixou
no B.P.?
Uma grande parte do ouro tornou-se pechisbeque.
Mas em contrapartida já temos um candidato com uma rala barbicha branca de neve, que se espera – e se deseja – lá para o fim do ano já lhe permita, por via do crescimento, trabalhar como Pai-Natal.
Hum… de quem estará você a falar?
E pelos serviços prestados à Pátria terá, certamente:
Lugar assegurado no “Ourião” … naquela capelinha do BP, junto à Câmara M. de Lisboa, onde se guarda a oirama da Nação.
Nessa antiga igreja não falta oiro, incenso e mirra.
(M)irrra, Pedro!
Mas este rapaz – julgo eu, pelo que oiço – em certa altura terá resolvido trocar uns oiritos por divisas…com maus resutados. Pelo que oiço, claro!
Mas quem sou eu para avaliar dos rumores?! Ninguém, como diria o nosso Gil!
A verdade é que ficámos todos mais mirrados, Helena.
Os cabelos deste sr. sempre me lembram “uma mexicana engraxada” de preferência de novela mexicana, é claro!
Falta-lhe o ‘sombrero’. Aliás essencial para quem quer um lugar ao sol.
A questão já foi basto referida pelos anteriores comentadores. Mas este (letal) texto fez-me lembrar que João Gonçalves ( http://portugaldospequeninos.blogs.s apo.pt/a-geracao-do-cabelo-pintado-chega-a-3 711191 ) não estava aqui totalmente certo, sob o ponto de vista histórico.
Digamos que o referido texto está bastante incompleto, JPT. Podíamos encher aqui uma caderneta com muitos cromos políticos aos quais o tema se aplica. Da Madeira ao Algarve, de Viseu à incontornável Assembleia da República. Sem esquecer alguns monstros sagrados do jornalismo português. E certas incontornáveis figuras do nosso “dirigismo desportivo” (detestável expressão).
Com efeito. Eu nisto sou muito conservador: sempre suspeito o tipo que pinta as cãs (pior quando deveria ser o garante do cristalino do sistema bancário, mas enfim). Isto já para não falar dos que tapam a sempre digna calvície …
Essa caderneta deveria ter também cromos internacionais. Com destaque para Monsieur Hollande: também ele sem um cabelinho branco sequer para amostra. Pelos vistos sobra-lhe em ‘baguette’ o que lhe escasseia em cãs.
Com a sua licença, Pedro:
Blaaaargh!
(não encontrei nenhum sapinho a condizer, tinha de estar mesmo muito mal-disposto)
Hum… Deduzo que o BCE não seja uma instituição muito do seu agrado, Cristina.
Bem, eu não tenho conhecimentos suficientes de economia para julgar o BCE e a economia mundial. Também eu acho que esta maneira de reger a Europa não é a melhor, mas estou longe de poder sugerir alternativa. Uma maior solidariedade entre os países da UE seria desejável, porém, não me parece que isso dependa apenas do BCE.
O blaaargh era mesmo para o senhor em questão. Não me fez mal nenhum, mas, por alguma razão, não gostaria de o ver como Presidente do nosso país. Até preferia o Manuel Alegre…
Alegre e Constâncio, na minha perspectiva, são incomparáveis. Com óbvia vantagem para o primeiro. Que pode não perceber nada de finanças mas consta que tem uma vasta biblioteca.
Desconfiai senhores, de homens que com esta idade não têm cabelos brancos. Não me parece que seja uma boa genética …
Eu vou mais longe, Custódia: desconfio de todos quantos já foram não só ministros das Finanças mas também governadores do Banco de Portugal.