Sugestão: um livro por dia


Pedro Correia,

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Uma menina está perdida no seu século à procura do pai, de Gonçalo M. Tavares

Romance

(edição Porto Editora, 2014)

0 comentários em “Sugestão: um livro por dia”

  1. O escritor mais chato e pretensioso que existe! Tal como o Lobo Antunes tem a tecnica mas é completamente vazio de vida. É tudo buracos na terra e esqueletos animados!!!

    1. Para mim não é tanto a questão de ser chato e pretensioso – creio que padece de ambos os pecados – mas a falta de talento e ambição. No livro em questão, por exemplo, abri o livro à balda e deparei logo com um parágrafo que dizia algo como: “Ele colocou a mão dela na mão dele. A mão dela estava húmida.” A palavra “mão” repetida 3 vezes de rajada! Que falta de estilo e apuro. Não há prazer nenhum em ler um escritor com um vocabulário tão minúsculo e repetitivo. Quando se pensa nas incríveis descrições que Aquilino e Lobo Antunes conseguem, no fôlego verbal deles…

      E depois o estilo jornalístico da prosa; penso que estou a ler linhas que não destoariam no Correio da Manhã: frases curtas e lineares, vocabulário básico ao nível de um aluno da preparatória, um total despojamento de figuras de estilo. Quando se aventura em símiles ou metáforas são daquelas que Orwell há já 70 anos recomendava aos escritores que deixassem de usar. Penso que é uma daquelas pessoas, um filósofo ou cientista frustrado, que chegou à literatura sem realmente gostar do instrumento principal dela: a linguagem. Assim escreve tão mal como a maioria das pessoas que usa a ficção para outras coisas que não explorar modos de expressão com ela.

      E depois despacha 3 e 4 livros por ano; que tempo tem para rever, aperfeiçoar assim? Nabokov levou 7 anos a escrever Lolita, e isso percebe-se em cada frase perfeita. William H Gass levou mais de 20 anos a escrever The Tunnel, cada frase é um verso aliterativo, ao longo de 600 páginas! Uau, isso é dedicação! Os livros de Tavares têm o talento que um livro escrito em 4 meses pode ter, isto é, não muito. Mas muita gente parece gostar deste estilo simples e banal e considerá-lo grande literatura hoje em dia.

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