Até ao trânsito será vindima


Sérgio de Almeida Correia,

Antes que a Relação, o STJ ou, quem sabe, o Constitucional, recoloquem tudo na estaca zero, para memória futura deverá ficar registado o seguinte:

 

1. Em matéria de corrupção, seja ela activa ou passiva, e tráfico de influências entendo que não existem condenações pesadas, independentemente da “circunstância” dos arguidos;

 

2. As “circunstâncias” dos arguidos não deverão ser motivo de agravamento nem de desagravamento da pena justa;

 

3. A bitola agora utilizada em relação a sucatas, robalos, balões inchados e tontos não deverá ser diferente da que venha a ser utilizada em relação a casos futuros;

 

4. Os portugueses aguardam pela resolução dos casos BPN, BES e similares, os quais não deverão ficar dependentes dos comentários, entre outros, de Miguel Sousa Tavares, Vasco Pulido Valente, Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes ou Pacheco Pereira para poderem avançar;

 

5. A previsibilidade e o funcionamento atempado e regular do sistema de justiça e do Estado de direito democrático são garantias dos cidadãos e da qualidade da democracia.

2 comentários em “Até ao trânsito será vindima”

  1. Bem, não há dúvida nenhuma que na matéria versada existe muito congestionamento. Mas não vou pelo caminho do trânsito nem dos sinaleiros. A cada um compete o que compete.
    Aqui chegado, umas questões quero deixar colocadas:

    Será que no futuro assistiremos a uma corrida a comarcas fora de Lisboa e Porto para resolver problemas de justiça?
    Será que no futuro os tribunais de instância superior também se deslocalizarão para outros áreas que não Lisboa e Porto?
    Será que este fenómeno de transumância tornará a justiça, digamos, mais solta e/ou menos cega ou, quiçá, mais cristalina ao olhar do pobre cidadão que não pode tornar-se utente destes serviços?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *