Foi caricato o troféu entregue pela FIFA a Lionel Messi, como melhor jogador de campo do Mundial de 2014. Logo ele, que na final contra a Alemanha se revelou um dos mais apagados intervenientes.
Em termos individuais, não tenho a menor dúvida: o holandês Robben foi o melhor jogador deste Campeonato do Mundo (acabou por ficar em terceiro na escolha da FIFA, após Messi e Müller). Mas na própria Argentina não era nada difícil encontrar quem mais merecesse ser distinguido do que o capitão alvicesleste. O excelente médio defensivo Javier Mascherano, por exemplo.
Decisões destas só desvalorizam futuros prémios e desacreditam ainda mais o organismo presidido pelo senhor Blatter. Por uma vez Maradona acertou em cheio ao protestar: “Querem que Messi ganhe algo que não ganhou.”
No decisivo confronto contra a selecção germânica, Messi voltou a vomitar. Como se já previsse que lhe dariam o mais imerecido troféu da sua carreira. Apetece seguir-lhe o exemplo.

Costuma dizer-se que o futebol se joga no campo… mas ao que parece, nem sempre.
Uma boa semana
Em alta competição, Dulce, o futebol tem pouco a ver com desporto. É indústria, é comércio, é turismo, é finança.
Que um organismo como a FIFA, que tem como objectivo, entre outros desígnios, promover a equidade como valor cimeiro do desporto seja o primeiro a violar esse nobre propósito já não surpreende ninguém.
De acordo, Pedro. Creio que o próprio Messi teve consciência disso. Deve ter pensado que estavam a gozar com ele.
Deu a ideia que sim olhando para ele, Sérgio. Messi tinha perfeita consciência de não merecer este galardão. Cheirava quase a prémio de fim de carreira, o que é manifestamente injusto para o próprio jogador.
Também estou de acordo.
Do que vi, Robben destacou-se dos restantes.
Parece-me de mau gosto colocarem essas imagens de Messi… deveria assinalar-se o problema – que, no mínimo, é muito estranho!
Mas uma coisa é assinalar o problema, outra coisa é destacar as imagens… para a compreensão da sociedade actual, é despudorado, e viola o conceito de privacidade subjacente.
Meu caro, não me parece que viole a privacidade do jogador porque não há local mais público que aquele: mais de mil milhões de pessoas acompanharam em directo a final.
Eu jamais publicaria aquelas imagens, mas apenas por uma questão de bom gosto. Nada mais.
Isso deve significar apenas que o sistema nervoso de Messi é muito mais frágil do que o argentino procura aparentar. Os grandes ídolos, em larga medida, são iguais a qualquer de nós.
Não estou de acordo, Pedro.
Uma coisa são as imagens a que se tem acesso, como qualquer espectador no estádio, à distância.
Outra coisa são estes grandes zooms, que as televisões insistem em ir buscar.
O avanço técnico levanta problemas éticos relativamente aos eventos vistos.
Por exemplo, antigamente uma multidão era um conjunto de rostos anónimos.
Hoje um câmara pode ir buscar qualquer um e destacá-lo.
Isso é uma invasão ao anonimato natural.
O espectador pode estar a tirar um macaco do nariz… a câmara tem direito de ir buscá-lo a meio do estádio e fazer um largo plano público disso?
Enquanto a sociedade for sarcástica e incompreensiva com atitudes privadas, essas atitudes devem manter-se no foro privado.
Meu caro, toca num ponto fundamental: todo o avanço técnico coloca novos problemas éticos.
Em pausas do jogo é natural que a câmara procure Messi, um jogador que se destaca pela sua notoriedade ao nível planetário. Não é possível adivinhar, no entanto, que o jogador quando se afasta pela linha lateral vai vomitar (neste caso julgo que ele nem se deu ao incómodo de abandonar o campo).
O exemplo que escolhe – do dedo no nariz – é ainda mais relevante. Acontece que o seleccionador alemão tem esse mau hábito. Várias vezes a câmara, indiscreta, o captou nisso em grandes planos; como é óbvio, o realizador não podia adivinhar que aquilo iria suceder.
Várias vezes tenho visto também a câmara afastar-se pudicamente do homem nesse contexto. O problema, essencialmente, é dele – não da realização televisiva.
É o efeito Blatter…
Um nojo, realmente. Com o Robben, o Müller, até o van Persie, caramba, e vai para o Messi?!
What a Messi, Blonde!
Fora quaisquer considerações sobre quem foi o melhor, pareceu-me de extremo mau gosto atribuir os troféus logo a seguir à final. Mesmo que Messi tivesse sido de longe o melhor ao longo do mundial, dar-lhe um prémio quando acabou de perder aquele que mais queria só pode ser de mau gosto. ou se tivesse sido ao contrário, darem o prémio de melhor guarda-redes a Neuer caso a Argentina tivesse ganho a final. Ainda pior porque o melhor marcador nem sequer por ali andava (provavelmente estava numa praia qualquer a gozar um merecido descanso).
Uma vergonha autêntica.
Foi de um mau gosto inacreditável. Ainda por cima – ficámos agora a saber – esse prémio resultou de um patrocínio directo de uma marca de sapatilhas. Nada a ver com critérios desportivos. Pura manobra comercial.
Como tudo o que a FIFA faz.
Sim, é verdade. E hoje com mais despudor que nunca.