Talvez o maior problema da esquerda-caviar


escafandro,

Não, como todos os aspirantes a paladino dos pobres ao longo da história humana, Sugar tem de confrontar-se com uma verdade humilhante: os oprimidos podem desejar ser ouvidos mas se uma voz de uma esfera mais privilegiada falar em seu nome revirarão os olhos e troçarão do sotaque.

Michel Faber, The Crimson Petal and the White. Tradução minha.

 

O final feliz – através de uma reinicialização do sistema informático de Elysium, toda a gente ganha acesso a cidadania total e serviços de saúde gratuitos num passe indolor – podia ter nascido numa rábula perdida de Cheech e Chong (“Los Ilegais no Espaço”?). Trata-se de um enorme intensificador de auto-estima para aquelas pessoas brancas e ricas que dependem de mão-de-obra imigrante barata – as suas empregadas domésticas e jardineiros e amas – mas querem sentir-se bem consigo mesmas.

Nonsense irritante como este pode explicar por que motivo a classe trabalhadora não usa a expressão “Liberal de Hollywood” como elogio. A sensação quase universal de que Hollywood é um Elysium com melhor segurança e código de vestuário mais relaxado não é apenas um produto da fábrica de propaganda da Fox News – ou do TMZ – mas o resultado de um modo particular de autocongratulação em que a indústria do entretenimento tende a mergulhar.

Howard Hampton, Leveling The Playing Field – Class and Other American Movie Taboos, na Film Comment de Janeiro/Fevereiro. Tradução minha.

 

Encontrando-me a meio de The Crimson Petal and the White (muito bom) e tendo no fim-de-semana passado visto Elysium (muito mau), juntar estes dois excertos constituía tentação irresistível.

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