Políticos no divã – 1


Teresa Ribeiro,

– Eu vim porque a Maria insistiu. Realmente não sei o que estou aqui a fazer.

– Faça favor de se deitar.

– Quer que me deite?!

– Sim, aqui no divã, sff.

– Mas isso está fora de questão.

– Costuma ser esse o protocolo com os meus pacientes, mas se para o sr. Prof isso é um tabu…

– Tabu? Se me começa com paleio de jornalista vou-me já embora.

(entre dentes) – Paleio de jornalista? Vê-se bem que não leu o Freud.

– Como disse?

– Nada, nada. Então o sr. Prof não se sente bem deitado. Reminiscências de algum trauma que sofreu no berço?

– Qual trauma! Não vê que deitado é impossível manter pose de Estado?

– Tem dúvidas quanto a isso?

– EU NUNCA TENHO DÚVIDAS!

– No entanto quando entrou neste gabinete começou por dizer que não sabia o que estava aqui a fazer.

– (irritado, ameaçando sair) Sabe que mais? Nem eu nem a minha Maria ganhamos para pagar este tipo de extravagâncias.

– (tentando reter o paciente) Fale-me de extravagâncias. Quais são as suas?

– (desconfiado) Não me vai fazer perguntas acerca da Coelha e da SLN, pois não?

– Relaxe, esqueça por momentos o político que é e fale-me de si.

– EU NÃO SOU UM POLÍTICO!

– Estou a ver.

Olha o relógio, escreve no caderno de apontamentos “forte distúrbio de personalidade” e anuncia:

– Hoje ficamos por aqui.

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