– Eu vim porque a Maria insistiu. Realmente não sei o que estou aqui a fazer.
– Faça favor de se deitar.
– Quer que me deite?!
– Sim, aqui no divã, sff.
– Mas isso está fora de questão.
– Costuma ser esse o protocolo com os meus pacientes, mas se para o sr. Prof isso é um tabu…
– Tabu? Se me começa com paleio de jornalista vou-me já embora.
(entre dentes) – Paleio de jornalista? Vê-se bem que não leu o Freud.
– Como disse?
– Nada, nada. Então o sr. Prof não se sente bem deitado. Reminiscências de algum trauma que sofreu no berço?
– Qual trauma! Não vê que deitado é impossível manter pose de Estado?
– Tem dúvidas quanto a isso?
– EU NUNCA TENHO DÚVIDAS!
– No entanto quando entrou neste gabinete começou por dizer que não sabia o que estava aqui a fazer.
– (irritado, ameaçando sair) Sabe que mais? Nem eu nem a minha Maria ganhamos para pagar este tipo de extravagâncias.
– (tentando reter o paciente) Fale-me de extravagâncias. Quais são as suas?
– (desconfiado) Não me vai fazer perguntas acerca da Coelha e da SLN, pois não?
– Relaxe, esqueça por momentos o político que é e fale-me de si.
– EU NÃO SOU UM POLÍTICO!
– Estou a ver.
Olha o relógio, escreve no caderno de apontamentos “forte distúrbio de personalidade” e anuncia:
– Hoje ficamos por aqui.


Teresa, parabéns, o teu texto foi o momento alto do meu dia! Beijo
Muito bom!
Grazie 🙂
Boa, Teresa! Queremos mais mini-peças, e espero que um dia subam ao palco.

Quem não tem cão, caça com gato. Apetecia-me varrer a primeira divisão dos nossos politiqueiros à estalada. Já que não posso, vingo-me assim 🙂
Chega-lhes! 🙂