Ser crescido


Patrícia Reis,

Ser crescido implica uma série de coisas, o miúdo já sabe: os impostos, as eleições, o estar atento, o saber coisas específicas, pequenos pormenores que não interessam para nada e outros que são preciosos. Ser crescido, ele também sabe, não é o equivalente a ter razão, a ser uma enciclopédia ambulante ou a ter no armário uma capa de super herói.

Na verdade, o que o miúdo sabe com toda a segurança é que ser crescido é muito chato. Portanto, do seu metro e meio, diz:

 

Ser pequeno é uma outra espécie de chatice, mas menos chata.

16 comentários em “Ser crescido”

    1. Tenho é um tipo muito esperto e observador e que pontifica com facilidade. Há dias em que a coisa corre de feição, outras em que me apanha desprevenida. Um dia, teria 3 ou 4 anos, chamei-o para o banho. Ele apareceu com o fato de banho, barbatanas, óculos de mergulhador e tubo na boca:) é esse tipo de puto.

  1. Patrícia, basta ouvir a canção do Rui Veloso, letra de Carlos T:
    É triste ser-se crescido, Não ter mais a rédea solta, Ir descobrindo o sentido, Do mundo à nossa volta, Triste é dizer adeus, Aos nossos velhos cantinhos, E ouvir a nossa mãe, A mandar-nos ir sozinhos

      1. Não são fraquezas apenas suas. Em Portugal, é tradição os pais quererem ter sempre os filhos por perto.
        Em Inglaterra e nos EUA é o oposto. Aos 18 anos, se não menos, o filho é, basicamente, expulso de casa dos pais. Vá lá viver para onde quiser e não nos chateie mais. Quase todos os estudantes universitários americanos estudam em cidades muito distantes das de origem e vivem separados dos pais. Em Portugal é o oposto.

  2. Mas a Patrícia não permita que se torne sábio tão rapidamente e, por enquanto, deixe-o desfrutar das delícias da meninice e não lhe diga que já é neste preciso momento, sem nada ter ganhado nem gastado, devedor de, pelo menos, 20.000 euros à Nação.
    🙂
    Matilde.

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